Não faz jus à grandeza do Timão Parte da minha experiência com livros se dá pela quebra ou superação das minhas expectativas, e não tem nada mais frustrante do que ler um livro que não te entrega, nem oq promete e nem oq você esperava.
Corinthians: É preto no branco tem uma premissa aparentemente simples mas funcional: apresentar para um gringo as maravilhas históricas, conquistas e características do time do povo, se vendendo como uma espécie de almanaque corinthiano descomplicado. Sob esse viés, a ideia parece boa, mas desastrosamente realizada.
O autor, um publicitário e corinthiano roxo, Washington Olivetto, possui sim uma escrita fluída e uma desenvoltura que cativam logo nas primeiras páginas, mas carisma nenhum sustenta um livro sem roteiro.
A impressão que tenho é que, de fato, Olivetto escreve para um amigo seu, sem dúvida, mas esquece-se do seu publico leitor que não necessariamente precisa entender das piadas, do seu passado, ou do contexto entre o emissário e seu respectivo remetente. Em meio a isso o principal objetivo do livro se perde, porque não explica de maneira coesa a grandeza do timão e definitivamente não faz jus ao seu nome.
O autor deixa várias pontas soltas, foca em detalhes inúteis e irrelevantes para a construção da identidade corinthiana, e por sua alma de Marketeiro, consegue transformar inclusive o ápice da singularidade do Corinthians, a Democracia Corinthiana, num grande delírio. Compartilha informações inverossímeis, tal qual uma criança, coloca demais o seu juízo de valor, o que no inicio é engraçado (eu também acho, por exemplo que os porcos não tem personalidade), mas que torna-se maçante com a repetição desesperada, como se pra manter o leitor preso.
Salvo alguns capítulos, como o 5, Corinthians: É preto no branco é uma gigante introdução, com um desenvolvimento confuso e que passa longe de dar uma conclusão. Não cumpre o mínimo que promete e deixa mais perguntas que respostas.