Alberto e Melissa se conhecem, se apaixonam, vivem o que o amor pode durar, se separam e se esquecem – seria uma trama simples não fosse uma história contada por Ian Uviedo, que manuseia o passado e alguns dos traumas da América Latina para delimitar os pontos de intersecção entre o corpo e o estado, entre a violência e o prazer, valendo-se dos afetos como o cenário ideal para um breve tratado sobre os esquecimentos.
Uma história de amor às avessas, dois corpos e histórias que se aproximam e que pouco a pouco se repelem, e a narrativa se desenrola construindo diversas camadas de tempo e traumas coletivos na história recente da América Latina, e que ficam guardados na memória. "Dois por engano" pode ser lido também através da perspctiva de que histórias pessoais são histórias coletivas, mas não somente; por vezes, nossos estranhamentos e esquecimentos podem ser a ponta de traumas não enfrentados, nomeados. Gostei demais do livro!