Um profissional de publicidade embarca, a trabalho, num cruzeiro pelo Mediterrâneo. Não gosta do que encontra à sua volta, despreza os passageiros e a rotina a bordo extremamente banais e monótonos. Na véspera do término da viagem, inicia uma perseguição silenciosa a uma jovem calada e solitária, 30 anos mais moça do que ele. Repara nela por acaso e não mais se liberta do enigma que é mais dele do que dela. Quando a moça desembarca em Nápoles, na penúltima escala da viagem, o homem espera que ela olhe para trás. Frustrado, sofre o fim do que ainda não houve. Mas uma longa e inexplicável história ainda está para ser cumprida entre os dois.
Carlos Heitor Cony was a Brazilian journalist and writer. He was a member of the Brazilian Academy of Letters (Portuguese: Academia Brasileira de Letras).
Levei meses parar terminar esse livro, por estar numa fase em que não estou conseguindo ler muito, mas também por o livro não ser nada que te empolgue o suficiente para querer continuar lendo. Terminei mais porque tinha começado do que por outra coisa.
Entretanto, achei que o Cony escreve bem (já li uma ou outra coluna dele no jornal e também acho bem escritas). Destaque para os capítulos em que Augusto e Mona ainda estão no navio, e há aquele mistério de Augusto seguindo Mona sem ela saber. Essa parte foi especialmente bem escrita, e o estilo misturado com a trama me agradaram muito. [spoiler]Também gostei bastante das frases finais, com Mona pensando no cachorro, deixando Augusto deitado como um vencedor e como um morto.[/spoiler]
No mais, o livro é sobre um relacionamento e, na minha opinião, a autodestruição que muitos deles trazem.
terminei a leitura. Não sei de onde tiraram que aquilo é uma "história de amor". Cidadão alucinado quase perde o emprego pra encontrar uma mina por quem ele ficou obcecado e por quem nem teve coragem de chegar junto e dizer "oi." Rouba um telefone que ela passou pra outro pra poder a achar em algum lugar. Quando a encontra - muitas e sofríveis páginas depois - descobrimos que ela é uma pessoa que está procurando ser libertada e vai seguir qualquer um que faça isso - e a mim parece claro que ela paga com sexo por essa liberdade. Ele a domina, ela é dominada. Tudo pra ele é relacionado a ter poder e, quando sofre uma desventura que mostra o quanto é fraco - o suicídio do filho - ele perde a capacidade de dominar o que seja. É sua decadência e ela passa a procurar outro pra dominá-la - mesmo que, no reencontro (que é onde começa e termina o livro) ela seja incapaz de fugir do enorme poder que ainda existe nele e acabe na cama com ele.
Notamos pontos importantes: Ele, tem nome e sobrenome. Ela, tem um nome, mas não gosta dele e passa a ser conhecida apenas pelo nome que ele deu a ela. A primeira noite dos dois inclui uma cena de estupro (desculpa, mas não consigo aceitar que ele a possuir enquanto achava que ela dormia era "amor"). A todo momento, a menção ao sexo e dominação dele em relação a ela – tanto que, quando ele não se vê mais capaz de dominar alguém, o relacionamento dos dois acaba. Há momentos em que você realmente quer entrar no livro e matar esse cara.
A história se salva nos momentos em que não há o pretenso romance entre os personagens. Pena que não duram. Pena que se vendeu como romance.
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Demorei 11 dias para terminar de ler o livro, mais pelo fato de que estou desacostumada com o hábito de ler romances que pelo livro ser muito cansativo. A primeira parte é muito bem escrita, acredito que deixe claro a obsessão de Augusto que ele mesmo considerava patética, como se ele estivesse desesperado por algo que mudasse sua vida. E de fato, mudou. Não consegui romantizar o casal porque achei a diferença de idade e de realidade discrepante, até o próprio eu lírico fala sobre “seu corpo de adolescente” ou “menina mulher”, e ainda acho Augusto um homem extremamente problemático, mas isso é justamente um dos pontos principais do livro. São dois personagens com problemas que encontraram um no outro um escape e podem até ter aprendido a se amar, mas esgotaram as razões para continuar juntos. O livro também tem muito erotismo, o que, sinceramente, me pareceu algumas das vezes desnecessário, mas compunha as personagens no sentido de que sua relação era uma posse, concretizada nas vezes que ficavam juntos sexualmente. Por mais que não seja um livro que te prenda automaticamente (ou, pelo menos, não me prendeu tanto), chegando para a terceira parte do livro, engatei num ritmo de leitura confortável. Uma das coisas que mais me marcaram foi a história de Otávio... dava pra fazer um livro inteiro só disso, até mais interessante que Mona e Augusto. Continuo mudando de 3 para 4 estrelas e vice-versa... ainda estou meio confusa. Deixarei 4, por enquanto.
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Mesmo com uma vibe meio véio tarado e todos os outros problemas de discurso aqui dentro, é uma história interessante, que melhora bem a partir da segunda parte. A primeira é muito rape-vibes pra mim. Curti a coisa meio profecia realizada, meio cíclica.