Nos anos 60, Portugal vive a angústia de ver partir a sua juventude para a guerra. Fechado sobre si mesmo, é um país triste e retrógrado que contrasta com a explosão de vida na Europa. Neste ambiente, Ana, com dezoito anos, não consegue realizar os seus sonhos. Contra a vontade dos pais e confiante no amor, parte para Londres.
Na capital inglesa, planeia uma nova vida, junto de quem mais ama, João Filipe, que fugira da Guerra Colonial. Mas estará Ana preparada para tão intensos desafios?
Cristina Carvalho, escritora que a cada novo livro confirma uma originalidade admirável, surpreende com Ana de Londres, memória de uma juventude que escolheu a emancipação e ousou libertar-se das amarras de uma sociedade redutora.
Com ilustrações do pintor Manuel San-Payo e prefácio de Miguel Real, este livro é um retrato de um tempo histórico que deixou profundas marcas na sociedade portuguesa.
CRISTINA CARVALHO nasceu em Lisboa, a 10 de Novembro de 1949. Contista e romancista, começou por publicar contos em revistas e jornais, nomeadamente no Jornal de Letras e revista Egoísta. Publicou o seu primeiro livro, Até já não é adeus, em 1989. Algumas dos seus romances estão integrados no Plano Nacional de Leitura. É filha dos escritores António Gedeão (Rómulo de Carvalho) e Natália Nunes.
No final dos anos 60, a jovem Ana não quer resignar-se a uma vida como a da sua mãe, dona de casa, submissa e cuidadora. Quer ser livre, não ter que namorar às escondidas, ser independente. Os jovens rapazes eram chamados para a guerra colonial e o seu namorado quis fugir a esse destino emigrando. Ana decide tomar as rédeas ao seu destino e vai para Londres como "au pair", sonhando com um destino diferente do que aquele que é esperado.
A escrita de Cristina Carvalho é simples e poética, a estrutura é interessante e prende a atenção do leitor. Apesar de ser uma narrativa relativamente curta, há densidade nas personagens e o ambiente social de época está muito presente. Esta pequena novela foi uma boa surpresa.
Ana deseja para si uma vida diferente, diferente da que conhece à sua mãe, esse "não destino" de ser dona de casa, mãe e esposa, submissa às ordens do marido. Deseja escapar ao risco que corre sempre que se esconde no patamar das escadas trocando beijos apaixonados. Deixará todo esse mundo ao partir para Londres e regressará, mas esse destino diferente que sonhou e um dia a fez partir, escapa-se-lhe, inalcançável.
A escrita de Cristina Carvalho é acessível e plena de uma ressonância poética, talvez o leitor se depare com alguma simplicidade, uma simplicidade enganadora, bem diferente da que se encontra naqueles romances "em que se percebem todas as palavras e todas as ideias do princípio ao fim". É nesse húmus que se encontra o desafio da sua leitura, o seu puro deleite, a sua recompensa. Ana Maria é a história desencontrada de todas as mulheres que um dia decidiram partir, partir pela sua felicidade e ficaram presas às mesmas regras de que fugiam, as únicas regras que conheciam; aturando maridos manhosos, perdoando aos homens que as traíram, acreditando que um dia o Sol seria o centro das suas vidas. "A sempre estrela da vida".
Ana de Londres na sua acção principal desenrola-se em Lisboa no final dos anos sessenta, do século XX (mais precisamente em Julho de 69); uma época em que a crise política e social do país estava num seu êxtase; numa altura em que os homens partiam para as guerras, em defesa da pátria. Foi precisamente o que sucedeu-se com João Filipe, o namorado de Ana Maria. Foi devido a este acontecimento, a juntar-se a outros, que a jovem de dezoito anos, há muito revoltada com a vida que ela e os pais levavam num Portugal decadente, sem vida, decide...http://silenciosquefalam.blogspot.pt/...