Uma obra de cariz essencialmente documental e de investigação que descreve em pormenor a evolução dos princípios de planeamento urbano patentes no Bairro de Alvalade, no espaço temporal desde a aprovação em 1945 do Plano de Urbanização da Zona a Sul da Avenida Alferes Malheiro (actual Avenida do Brasil) até ao término do processo de urbanização e edificação de conjunto no início dos anos 70.
Atraiu-me neste livro sobretudo o acervo de reproduções dos documentos na origem das várias fases de desenho urbano no Bairro de Alvalade, desde cartogramas, plantas de trabalho e de divisão em lotes, às plantas e alçados da quase totalidade dos edifícios tipo, passando pelas fotografias da época e actuais a ilustrarem a comparação de vistas de conjunto. O autor faz acompanhar todas as reproduções com legendas e comentários detalhados que facilitam o entendimento da evolução dos modelos arquitectónicos que foram sendo adoptados ao ritmo a que o bairro ia sendo ocupado. É interessantíssimo perceber as motivações e oportunidades que conduziram desde um ponto de partida ditado por um edificado essencialmente homogéneo e com linhas de expressão do Estado Novo até às últimas experiências de âmbito modernista, com um forte destaque dado aos espaços verdes e públicos (sendo casos paradigmáticos disso o Bairro das Estacas ou os blocos perpendiculares à via na Avenida dos E.U.A.).
Considero que o capítulo III, peça central do livro, beneficiaria duma reorganização algo profunda uma vez que a narrativa alterna constantemente entre uma sequência geoespacial e temporal. A organização actual dificulta o entendimento claro das alterações quer num local específico, quer ao longo dum certo período de tempo.
Ainda assim, o conteúdo é muito rico e recomendo vivamente a leitura e análise atenta a qualquer pessoa com interesse em planeamento urbano ou no contexto histórico deste bairro lisboeta.