Cartas de uma Morta é a única obra de Maria João de Deus, o espírito que foi em vida a abnegada mãezinha de Francisco Cândido Xavier. Quando o médium falava de sua progenitora, seus olhos se enterneciam, e seu coração, já tão grande, tornava-se gigante dentro das recordações da distante meninice na cidade de Pedro Leopoldo, Minas Gerais, sua terra natal. Chico dizia que as zonas inferiores do plano espiritual não se encontram tão repletas de sofredores, unicamente em virtude do dedicado amor contido nas preces das mães.
Francisco de Paula Cândido Xavier, popularly known as Chico Xavier was a popular "medium" in Brazil's Spiritism movement and wrote 412 books through a process known as psychography. The profits of his books were all donated into charity work.
He influenced the establishment of Kardecist Spiritism as one of the religions professed in Brazil.
In 1981 and 1982, Chico Xavier was nominated for the Nobel peace prize and on October 3, 2012, was named as "The Greatest Brazilian of all time" by one of the biggest brazilian television channel (SBT), based on a viewer-supported survey.
O livro em si é feito por varias cartas da mãe de Francisco, sendo psicografadas por ele mesmo. Ela relata seu pós desencarne. Gostei quando ela descreve os momentos de oração, dizendo que via descer das vastidões etéreas que lhe cobria a cabeça, uma profusão de pétalas de flores, as quais desapareciam assim que aspiravam os seus perfumes balsâmicos. Ela também relata que, mesmo depois de desencarnado, alguns seres (na minha opinião penso acontecer isso com a maioria dos terráqueos ao deixar o corpo) ainda precisam de se alimentar e por conta disso, embora a nutrição esteja toda presente no próprio ar, existem alimentos análogos aos da Terra. Por algum tempo, tais espíritos se alimentam ilusoriamente até se acostumarem com as novas modalidades de sua existência. Tudo o que se passa do outro lado da vida é obviamente uma continuação que vai variar conforme o grau de desprendimento material e principalmente de acordo com o nível evolutivo de cada espírito. Outra parte infeliz fala da Terra, a qual vista de outros planetas se apresenta como um ponto obscuro que se perde na imensidade, podendo inclusive ser descrita como um furacão a envolver grande massa compacta de cinzas enegrecidas. Eis que estamos num planeta de exílio e de sombra. Mais adiante ela conta sobre Saturno: ‘Vi-me então, numa superfície diversificada, onde parecia pisar sobre um amontoado de massas mais ou menos análogas ao gelo sentindo-me envolvida numa temperatura singular. Avistei muito distante, como um novelo de luz, levemente azulada, o sol; todavia, só pude saber que se tratava desse astro porque me disse o esclarecido mentor e devotado guia, tal era a diferença que eu constatava. A luz se espalhava por todas as coisas, mas, o seu calor era menor, dando-me a impressão de frescura e amenidade, arrancando do cenário majestoso, que eu presenciava, tonalidades de um rosa pálido e de um azul indefinível. Vi, depois, varias habitações de estilo gracioso, onde predominavam grandes colunatas artisticamente dispostas, decoradas com uma substancia para mim desconhecida, que mudava de cor, em lindíssimas nuanças, aos reflexos da luz solar. Uma vegetação estranha coalhava o solo branco, às vezes brilhante; a clorofila, porém, que se conhece no planeta terráqueo, devia estar substituída por outro elemento, porque todas as folhagens e ramarias eram azuladas; contudo, os espécimes de flores, que eu tinha sob as vistas, eram de coloridos variegados, apresentando as mais singulares tonalidades quando refletiam a luz circunstante. Flores extraordinárias pela sua originalidade e perfume ornamentavam todo o ambiente...’ Em seqüência é analisado o fato de Saturno ter um dia de dez horas e estações que duram mais de sete anos consecutivos, segundo a contagem do tempo no planeta Terra. Fiquei a me imaginar dando uma voltinha por tantos locais inimagináveis. Se a Terra em si para mim já parece um paraíso que me atormenta dia e noite de vontade de conhecê-la canto a canto, imagine a maravilha de visitar planos ainda mais perfeitos. Acho que nunca vou conseguir deixar de sonhar e desejar profundamente isso, seja encarnada ou desencarnada, na Terra ou nos confins do infinito. Ante o assombro de Maria perante os seres ali viventes, os quais nada tinham de comum com os tipos da humanidade terrena, afigurando-se extraordinariamente feios com a sua organização animalesca e com suas membranas à guisa de asas, o instrutor a esclareceu quanto às condições de vida naquele mundo e, referindo-se aos seus habitantes, disse-lhe: ‘Essas criaturas que te parecem animais egressos das plagas terrestres, onde os zoófitos encontram os seus elementos de vida, são altamente dotados de sabedoria, sensibilidade e inteligência. Seus sentidos e percepções são muito superiores àqueles com que foram aquinhoados os homens terrenos e a preocupação máxima da sua existência é a intensificação do poder intelectual...’ Sendo Saturno um imenso mundo gasoso, os seres inteligentes que lá existam têm, forçosamente, que ter seus corpos sutis adaptados ao meio. Outra parte marcante diz exatamente que: ‘um espírito pode beneficiar-se com o que lhe provém do exterior, mas o seu verdadeiro mundo é aquele criado por seus pensamentos, atos e aspirações...’ Já ao final do livro ela relata sobre Marte. Eis alguns trechos que deixam bem nítido a superioridade de tal planeta: ‘Vi-me à frente de um lago maravilhoso, junto de uma cidade, formada de edificações profundamente análogas à da Terra. Apenas a vegetação era ligeiramente avermelhada, mas as flores e os frutos particularizavam-se pela variedade de cores e perfumes. Percebi, perfeitamente, a existência de uma atmosfera parecida com a da Terra, mas o ar, na sua composição, afigurava-se-me muitíssimo mais leve... Vi homens mais ou menos semelhantes aos nossos irmãos terrícolas, mas os seus organismos possuíam diferenças apreciáveis. Além dos braços, tinham ao longo das espáduas ligeiras protuberâncias à guisa de asas, que lhes prodigalizavam interessantes faculdades volitivas... Assegurou-me, ainda, o desvelado mentor espiritual, que a humanidade de Marte evoluiu mais rapidamente que a Terra e que desde os pródromos da formação dos seus núcleos sociais, nunca precisou destruir para viver, longe das concepções dos homens terrenos cuja vida não prossegue sem a morte e cujos estômagos estão sempre cheios de vísceras e de virtualhas de outros seres da criação... O dia ali é igual ao da Terra, pois conta 24 horas e quase 40 minutos, mas os anos constam de 668 dias, tornando as estações mais demoradas, sem transformações bruscas de ordem climática que tanto prejudicam a saúde humana...’ Muitos outros detalhes interessantes seguem-se para nos deixar realmente com imensa vontade de conhecer os marcianos. Eis que essas foram às partes que mais gostei.
Muito especial e intrigante como toda a obra do Chico, mormente seus primeiros trabalho mediúnicos. Gratidão transborda no peito pela humildade com que nossa querida Maria João de Deus nos leva aos planos mais elevados, inspirando-nos a viver no clima da fraternidade, fazendo deste mundo um lugar melhor, por melhorarmos dia a dia nossa própria vida íntima.
⭐⭐⭐⭐⭐\nImagina ter o privilégio de receber cartas escrita por sua mãe desencarnada? Chico Xavier deu esse presente pra gente, compartilhando esses pequenos contos e curiosidades do Astral escritos por Maria João de Deus.\nLido no recesso de trabalho do Centro Espírita e foi um baita achado pra encerrar o ano de leitura!
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Neste livro, a mãe de Chico nos oferece edificantes mensagens sobre sua passagem, a saudade que fica, seu mentor, e muito mais referente ao plano espiritual. Ela conta um pouco sobre como funciona o plano em modo geral, como é seu dia a dia, suas orações, suas conversas com seu mentor. A sensação que tive, foi que através dessa leitura, conseguimos nos conectar um pouco com ela, podemos tirar muito ensinamentos de cada carta. Gosto muito de livros com histórias de além do túmulo, e esse não foi diferente, não me decepcionou um segundo se quer, lindo do início ao fim. Muito interessante e extremamente válido os capítulos que descreve a vida em outros planetas, os tipos de evolução, certamente foi a minha parte favorita da leitura. As cartas em si são bem curtinhas, de fácil entendimento, bem simples mas com uma imensa riqueza por trás.
"A lei de Deus é sempre o Amor. Amor é a luz que envolve o universo, é o éter vivificador, é a afeição dos espíritos dedicados, é a alegria dos bons, é a luta que aperfeiçoa."