Embora seja um livro de 1999 muito dos dilemas apontados por Pierucci continuam de pé. Sendo o principal deles a tendência que o enfoque nas diferenças tende a levar a essencializações de todos os tipos, apesar dos ganhos euristícos inegáveis que o diferencialismo proporcionou a diversos enfoques teóricos e aos movimentos políticos de amplos espectros.
Mais de duas décadas se passaram desde a publicação desse artigo e, ainda assim, ele continua super atual. As críticas são spot-on, mas eu discordo muito das alternativas que o autor aparenta favorecer. All in all, creio que esse é um texto que todo mundo da nova esquerda brasileira deveria ler.
A obra Ciladas da Diferença, de Antonio Flavio Pierucci, analisa como o conceito de direito à diferença deixou de ser uma exclusividade das pautas progressistas para se tornar um pilar do pensamento de direita contemporâneo. O autor utiliza pesquisas eleitorais realizadas em São Paulo para demonstrar que grupos conservadores fundamentam seus preconceitos e exclusões na afirmação de que as distinções entre indivíduos são naturais e intransponíveis. O texto explora o paradoxo de como a valorização das particularidades culturais pode, muitas vezes, servir como ferramenta para a hierarquização social e o enfraquecimento de ideais igualitários universais. Além disso, a coletânea discute as tensões internas no movimento feminista e as complexas intersecções entre gênero, raça e classe diante de um mundo globalizado.