Felipa, uma mulher de meia-idade que se comunica com Deus a toda hora, numa espécie de oração sem-fim, narra os acontecimentos de seu cotidiano: os desentendimentos com o marido, os encontros com as irmas, o contato com os amigos e vizinhos, as lembranças tristes e felizes, a preguiça de ir à ginástica, as dorezinhas pelo corpo, o medo de morrer...
Adélia Luzia Prado Freitas, is a Brazilian writer and poet. Started writing at the age of 40 which is relatively late in life for a poet. Although much of her outlook is religious, deeply Catholic, her works are often about the body. Adélia Prado's poems were translated into English by Ellen Watson and published in a book entitled, The Alphabet in the Park. (Wesleyan University Press, 1990).
Este romance folhetinesco é uma concreta reinauguração do ser em busca de um deus-oráculo que se restabelece por meio da palavra e também se afasta por causa dela. O paradoxo de Prado é esta fé na distância que, por vezes, é erradicada por meio dos mistérios mundanos que solidificam o divino.
Não é meu tipo de livro, acabei terminando porque já tinha começado. Achei um pouco perdido e duas instâncias me fizeram perguntar como isso passou pela edição.
Lembra "A obscena senhora D". É fluxo de consciência de uma senhora, por vezes desbocada, que envelhece e contempla a morte diante do desconforto da vida. Hillé e Felipa vivem uma vida interior de diálogo com um ente invisível que tenta as acalmar.
A diferença é que, na obra de Hilda Hilst, boa parte do livro é um delírio febril, puro sumo de pensamento intrusivo bem recebido. É feito de forma, porque o conteúdo é puro choque. Não sobra espaço para Hillé falar comigo, para eu sentir com ela. Ela sente? Morrer é desenvolvimento de personagem? Não acho que baste.
Enquanto isso a obra de Adélia Prado desenha uma personagem instável e reclamona. Hipócrita, até. Mas é alguém que está o tempo todo engajando com a vida - as perguntas que se faz não são natimortas como as de Hillé. Ela observa: a calma da doente ao dormir de dia, o pão com linguiça em um ônibus para Aparecida, o menino que pede colo para atravessar. A metáfora nas coisas simples fala com ela e fala comigo. A morte não é algo que simplesmente acontece; aqui a beleza da vida engole o medo da morte.