«Há anos que sigo com particular curiosidade e assaz entusiasmo o singular percurso político da chanceler. Guardo todos os discursos que a Senhora Chanceler faz e tenho um vasto arquivo em vídeo com todas as suas visitas por este mundo… confesso que tenho uma coleção de Barbies vestidas com os diferentes guardaroupas que a chanceler utilizou nas suas viagens… e sou até o autor de um blogue amador dedicado exclusivamente a enaltecer as grandes qualidades de líder e de senhora da Excelentíssima Chanceler Angela Merkel (achei que era respeitosamente adequado dar ao meu blogue o título de: «A Chanceler Mais Doce»).» Tem nas suas mãos o Diário Secreto de Vítor Gaspar. O mais temido ministro das Finanças alemão… Perdão, português, desde António de Oliveira Salazar. O homem que transformou dez milhões de portugueses em pobres mas honestos pagadores de impostos, taxas, coimas e sobretaxas. São páginas inéditas e reveladoras onde se mostra o que Vítor Gaspar sente pelos portugueses (nada) e o que pensa sobre o futuro de Portugal (nada). Vítor Gaspar não pensa. Age. O verdadeiro primeiroministro de Portugal não tem tempo a perder, na sua corrida pelo regresso aos mercados. O mais alemão de todos os latinos é também uma espécie de ministro-robot de cozinha. Com uma rapidez espantosa, tritura a Oposição, amassa a Coligação PSD-CDS/PP, põe em banho-maria o Senhor Presidente da República e reduz a picadinho o Estado Social. António Ribeiro está de regresso com O Diário Secreto de Vítor Gaspar, um livro que lhe dá a conhecer tudo o que sempre quis saber sobre o famoso Excel do ministro das Finanças, um programa onde os números são todos alemães! Números frios e secos e que, ao contrário, dos números portugueses, não esticam… só apertam! Ao longo destas páginas, ficamos a conhecer, com todos os pormenores, os bastidores das grandes decisões que, nos últimos dois anos, transformaram a vida dos portugueses numa história de sobrevivência e a classe média numa meia dúzia de gatos pingados com contas para pagar. De Angela Merkel a Passos Coelho, de Cavaco Silva a José Sócrates e Paulo Portas, todas as principais figuras e figurões da política nacional e internacional são analisadas com ironia e uma perspicácia de microscópio pelo ministro das Finanças, que se autoconsidera o «mais alemão dos latinos». Um homem com uma profunda admiração por tudo o que é alemão, dos números aos robots de cozinha, dos ministros à chanceler Merkel. E para que não restem dúvidas sobre essa sua paixão pela grande Alemanha, garante, «eu não me ajoelho aos interesses alemães… rastejo».
Apesar de ser importante não retirar um livro destes da sua altura, da fúria completa contra o Ministério das Finanças de Vítor Gaspar, a verdade é que este livro está longe de ser uma obra de crítica acutilante ou sequer original. A pior parte deste livro é que basta ler um capítulo para se ter lido, na prática, todos. As críticas ou sarcasmos são sempre os mesmos.