What do you think?
Rate this book


100 pages, Paperback
First published January 1, 1935
De joelhos, com o rosto entre as mãos, e apoiado ao meu leito, revi-me criança e lembrei-me da transformação que nela se fez, em momentos, e com grande perturbação de minha alma infantil, quando se deu a mudança da luz do gás para a elétrica, em nossa casa. [...]
Já observou a voracidade sinistra dos mendigos, em contraste desesperado com a sobriedade dos ricos? Conhece, com certeza, Sinhá Coura "porque canto no côro" como explicam os nossos caipiras? Já esteve com a mulher do "seu" Zé Júlio, que tem um cranco enorme aberto em flor, a devorar-lhe a perna, "porque uma mulher de xale preto na cabeça verteu água atrás da porta de seu quarto"? E Maria Alvim, que não pode costurar, porque a roda de sua máquina de costura se põe a gemer com a voz de seu marido? e a porta da Câmara, do lado esquerdo, que não se abre porque foi fechada por um fantasma? [...] Vivemos como sitiados, como prisioneiros que se entreolham, raivosos, pressentindo a chegada de uma desgraça que não sabem qual é [...]