Nova edição revista de um livro muito cultuado sobretudo por suas páginas eróticas, reproduzidas em estudos sobre sexualidade em vários países, bem como por uma acurada e até hoje atual observação crítica da realidade brasileira. Orgia é, ainda, um dos textos mais maduros de um dos melhores ensaístas, poetas e dramaturgos argentinos do século XX. Convidado a dar aulas de teatro na Universidade Federal de Pernambuco, Carella se apaixonou pela sensualidade do Recife e pela beleza de seus negros e mestiços, e assim passou a experimentar vivência homossexual, relatada nestes diários íntimos.
Esgotado desde sua primeira e única edição em 1968, o diário de Tulio Carella (1912-1979) revela o complexo quotidiano do Recife no ano de 1960, da inauguração de Brasília e da eleição de Miguel Arraes para prefeito da capital pernambucana com o apoio do Partido Comunista Brasileiro. Nesse contexto, Carella foi erroneamente identificado pelas autoridades militares como contrabandista de armas de Cuba revolucionária. Preso, passou cerca de quinze dias sob tortura, até ser deportado para seu país natal.
Esse livro é incrível. Embora escrito nos anos 60, fala dos sentimentos e das angústias da homossexualidade com uma intensidade e precisão que parecem contemporâneos. É triste no entanto como essa ou qualquer outra obra do autor sejam tão difíceis de se encontrar -- mesmo sendo uma edição de 2011.
Maravilhoso, interessantíssimo. Um retrato fascinante da cena gay em Recife nos anos 60. Carella tem um olhar muito generoso e curioso sobre o dia a dia da cidade, divertidíssimo. Acho que é, acima de tudo, uma carta de amor ao Recife. Vale muito a leitura. Estava esgotado mas está novamente disponível no site da editora, Opera Prima.