Neste livro não se defende o retorno anacrônico à crítica de rodapé, tampouco a reedição nostálgica do "Suplemento Dominical", do Jornal do Brasil, ou do "Suplemento Literário", do Estado de S. Paulo, mas, pelo contrário, se investe na criação de um novo tipo de comentário crítico. Trata-se de imaginar uma crítica literária e cultural animada por uma bem-vinda esquizofrenia produtiva, valorizadora de analistas que saibam ser bilíngues em seu idioma.
- A linguagem do livro é bem clara. Consegue estabelecer bem o ponto que pretende abordar e faz uma revisão interessante da polêmica cátedra vs rodapé.
- Sinceramente não entendi como esse livro poderia (megalomaniacamente) suscitar novas polêmicas já que o livro não se utiliza do discurso polêmico.
- João crítica Costa Lima sem perceber que o que Costa Lima fez ao considerar o cenário intelectual local como terra arrasada foi exatamente criar uma polêmica, ou seja, João, nesse sentido, cai na "armadilha" do professor maranhense.
-"Meu entendimento inicial tinha como base um nível ainda baixo de institucionalização". Por quê? É muito estranho que esse mal entendido só seja desfeito no final do livro e não no capítulo 1. Para quem tem algum interesse sobre a expansão universitária latino-americana no século XX, conferir o livro "América Latina: Universidades en Transición" (1996) de Simon Schwartzman.
- "Como vimos (...), o texto impresso e a concepção moderna de literatura foram deslocados do centro da vida cultura". A literatura já esteve no centro cultural da humanidade em algum momento da história? "O índice de 82,3% analfabetismo punha o Brasil em posição desconfortável nos fins do século XIX." (FERREIRA; CARVALHO, 2011, p. 5). Esses eram os anos "de ouro" da crítica de rodapé? Esse era o centro da vida cultural do país? É estranho ler isso de um autor que acusa a "endogamia hermenêutica" de todo o sistema acadêmico.
- Exagera em algumas erudições: o "anti-funes" é risível.
- O capítulo sobre o Modernismo é meio descartável e pouco contribui para o foco central da argumentação.
- Apesar dos pontos negativos acima, o livro é agradável de se ler e acaba revelando um cenário mais complexo da narrativa principal da história da crítica literária brasileira.