A história de Belo Horizonte é a história de produção de ícones urbanos e de novos espaços para uma nova sociedade. Os ícones urbanos se fundam na grande capacidade da arquitetura de materializar sentimentos e idéias, de incorporar significados à matéria, de conferir vida a elementos inanimados. E assim em um espaço onde o homem se deparava apenas com o vazio, começaram a surgir, em pedra, barro e cal, suas aspirações de um novo mundo, de uma nova sociedade, de uma nova organização política. É através da arquitetura que aqui se celebra a nova república em grandes e triunfais avenidas com pontos focais rigorosos e grandes paineiras, com edifícios carregados dos símbolos da então nova ordem. Mas também se precisava materializar a sede de progresso e renovação ligada à idéia de modernidade e assim, no desenrolar da história, construíram-se prédios e mais prédios, lagoas e bairros novos. O progresso se marcava na primeira grande manifestação, em conjunto, da arquitetura modernista, a Pampulha, mas também se marcava na sua crítica mais contundente no país, o movimento pós-moderno mineiro.
A cidade nasce e cresce sob a égide da transformação e da modernidade. A cidade que surgia, sem passado, precisava da arquitetura para criar as referências e entidades urbanas onde as pessoas se reconhecessem. A cidade que surgia, em uma geografia cujos grandes atrativos se restringiam à serra e ao ribeirão, precisava de outros atributos que complementassem sua paisagem, que dialogassem com seu belo horizonte.