Neste E Dizê-lo Cantando a Toda Gente – Os Sonetos reunimos os sonetos que Florbela Espanca publicou em livro ou que parcialmente reviu antes de morrer, incluindo no mesmo volume o Livro de Mágoas, Livro de «Sóror Saudade» e Charneca em Flor, a que se junta Reliquiae. Em parte incompreendida na sua época por escrever sobre temas considerados então tabu, como o amor, o sexo e a paixão, Florbela era uma poetisa de uma notável habilidade técnica e estilística, usando o soneto com mestria para nos falar de coisas universais como o amor, a dor, a angústia e a solidão, explorando conflitos internos e as emoções intensas com que todos, mas principalmente os poetas, se deparam. Há em Florbela, escreve Jorge de Sena «dois aspectos de sedução poética: um, mais falível, ligado às imagens súbitas que encontra; outro, mais perene, menos sujeito às oscilações do gosto epocal e proveniente da nua e desassombrada simplicidade com que se queixa ou murmura)». Aos versos que emergem desta linha de sedução, chama Sena «versos rudos, de ritmo descendente, carregados de sentido que transcende as próprias palavras». E, por isso, disse Agustina Bessa-Luís que Florbela «é, sem dúvida, uma grande poetisa.»
Florbela Espanca (birth name Flor Bela de Alma da Conceição), a poet precursor of the feminist movement in Portugal, she had a tumultuous and eventful life that shaped her erotic and feminine writings.
She was baptized as the child of an "unknown" father. After the death of her mother in 1908, Florbela was taken into the care of Maria Espanca and João Maria Espanca, for whom her mother had worked as a maid. João Maria Espanca, who always provided for Florbela (she referred to him in a poem as "dear Daddy of my soul"), officially claimed his paternity in 1949, 19 years after Florbela's death.
Florbela's earliest known poem, A Vida e a Morte (Life and Death), was written in 1903. Her first marriage, to Alberto Moutinho, was celebrated on her 19th birthday. After graduating with a literature degree in 1917, she became the first woman to enroll at the law school at the University of Lisbon.
Between 1915-1917 she collected all her poems and wrote "O livro D'ele" (His book) that she dedicated to his brother. She had a miscarriage in 1919, the same year that Livro de Mágoas (The Book of Sorrows) was published. Around this time, Florbela began to show the first serious symptoms of Neurosis. In 1921 she divorced her first husband, which exposed her to significant social prejudice. She married António Guimarães in 1922.
The work Livro de Soror Saudade (Sister Saudade's Book) was published in 1923. Florbela had a second miscarriage, after which her husband divorced her. In 1925 she married Mário Lage (a doctor that treated her for a long time). Her brother Apeles Espanca died in an airplane crash (some might say he committed suicide, due to her fiancées death), which deeply affected her and inspired the writing of As Máscaras do Destino (The Masks of Destiny).
In October and November of 1930, Florbela twice attempted suicide, shortly before the publication of her last book Charneca em Flor (Heath in Bloom). Having been diagnosed with a pulmonary edema, Florbela died on December 8, 1930, on her 36th birthday. Her precarious health and complex mental condition make the actual cause of death a question to this day. Charneca em Flor was published in January 1930. After her death in 1931 «Reliquiare», name given by the italian professor Guido Battelli, was published with the poems she wrote on a further version of "Charneca em Flor».
Dor, tristeza, sofrimento... é isso que se sente nos poemas de Florbela. Uma intensidade como poucos sabem escrever.
Florbela é um ícone da poesia portuguesa. Uma poesia dolorosa, que faz reflectir sobre a vida, mas tão profunda e tão intensa. Uma mulher que rompeu com os padrões da sociedade da época vale sempre a pena ser lida. Quando é escrito de uma forma tão bela, vale ainda mais.
Amei muito, esta mulher era genial. Finalmente passaram anos suficientes desde a escola para perceber que adoro poemas! Este país (eu incluída) não aprecia devidamente as suas mulheres que batiam mal
A minha estreia nos poemas de Florbela Espanca que me convenceu de uma maneira em que sei que quererei regressar à sua escrita. Consigo entender o porque de a compararem a Emily Dickinson, nem que seja em pequenos detalhes, a parecença está lá!
Um dos meus sonetos favoritos: “EU Até agora eu não me conhecia. Julgava que era Eu e eu não era Aquela que em meus versos descrevera Tão clara como a fonte e como o dia. Mas que eu não era Eu não o sabia E, mesmo que o soubesse, o não dissera... Olhos fitos em rútila quimera Andava atrás de mim... e não me via! Andava a procurar-me - pobre louca! - E achei o meu olhar no teu olhar, E a minha boca sobre a tua boca! E esta ânsia de viver, que nada acalma, É a chama da tua alma a esbrasear As apagadas cinzas da minha alma!”
Ódio por Ele? Não... Se o amei tanto, Se tanto bem lhe quis no meu passado, Se o encontrei depois de o ter sonhado, Se à vida assim roubei todo o encanto,
Que importa se mentiu? E se hoje o pranto Turva o meu triste olhar, marmorizado, Olhar de monja, trágico, gelado Com um soturno e enorme Campo Santo!
Nunca mais o amar já é bastante! Quero senti-lo doutra, bem distante, Como se fora meu, calma e serena!
Ódio seria em mim saudade infinda, Mágoa de o ter perdido, amor ainda! Ódio por Ele? Não... não vale a pena..
A poesia da Florbela efetivamente parece música, os seus sonetos jogam maravilhosamente com as palavras e são fáceis e agradáveis de ler, são poemas simples que falam de emoções como o amor, a paixão, a angústia e a solidão!
Uma mulher que no seu tempo foi incompreendida, que escreveu com coragem, sobre temas tabu, merece toda a minha admiração.
E estou muito feliz por ter adicionado este livro à minha biblioteca, aqui estão os sonetos publicados em livro e ainda os que reviu antes de morrer, bem como vários aspetos biográficos sobre a sua vida.
É uma maravilhosa compilação dividida por partes, temos o livro de Mágoas, livro de «Sóror Saudade» , Charneca em Flor e Reliquiae.
Não costumo ler um livro de poesia de uma assentada ou de seguida, gosto de ir saboreando, ir lendo alguns poemas por dia, ou abrir simplesmente o livro numa página solta e ler o poema aleatório que me calhou! A poesia para mim é para ser apreciada calmamente, é para se sentir, viver as emoções que os autores escreveram é uma forma de os manter vivos.
Também sou capaz de dizer que não interpreto um poema sempre da mesma forma, por vezes, o meu estado de espírito é que dita a percepção que tenho daquelas palavras e por vezes um poema ajuda-me a compreender e/ou a aceitar momentos e acontecimentos. Aliás, acho que aprendemos sempre com todas as leituras que fazemos, sejam poesia ou narrativa, seja qual for o género, haverá sempre algo a retirar de cada história contada.
Mais uma vez, a poetisa consegue abrigar o meu coração com a sua poesia de uma forma inexplicavelmente bonita.
A Florbela sente como eu nunca vi ninguém sentir e expressa-se como se a sua sanidade dependesse disso. É genial. Simplesmente genial. Sem dúvida alguma que será para sempre a minha poetisa favorita.
Sinto-me como se estivesse a ouvir os desabafos de uma amiga em grande e profundo sofrimento. A mágoa que expressa através da sua arte é notória. E é também tão bem expressa, tão genuína e intensa, que se chega a querer abraçar a autora. O seu sentimento, como disse José Régio, “é sincero e intenso, a expressão é sempre perfeita e a forma é admirável”. Não podia estar mais de acordo.
Neste tipo de edições, que acabam por compilar criações dos autores com algumas informações adicionais sobre as mesmas e sobre as suas vidas, aprendo sempre imenso sobre cada um deles. Quanto mais estudo a Florbela mais intrigada fico. É ótimo ver a perspetiva que outros autores adotaram sobre ela e decidiram compartilhar (Aquece-me particularmente o coração saber que o Fernando Pessoa, alguém que adoro tanto quanto adoro a Florbela, admirava o seu trabalho. O poema que lhe escreveu e que colocaram nesta edição estava sensacional. Para mim, foi uma leitura para além de especial).