Heládio Marcondes Pompeu, membro da aristocracia decadente paulista, está perto dos cinqüenta anos e coleciona uma série de experiências profissionais malogradas. Apesar disso, ainda dispõe de alguma reserva financeira, o que lhe permite ser operado num confortável hospital. Internado, alterna momentos de sono e vigília, suas conjecturas avançam e recuam e se misturam a recordações e delírios de forma aparentemente confusa, às vezes enigmática, e quase sempre engraçada. A dor lhe aguça a percepção da realidade e Heládio enxerga, subitamente, as transformações urbanas de São Paulo; depois, revê a história da família e acontecimentos pessoais ocorridos durante o regime militar. Crítica social demolidora.
Zulmira Ribeiro Tavares (São Paulo, 27 de julho de 1930) é uma escritora brasileira. Filha do engenheiro civil Brenno Tavares e da dona de casa Evangelina Ribeiro Tavares, é pesquisadora e ministrou curso de pós-graduação em cinema na Escola de Comunicações e Arte da Universidade de São Paulo (USP). É integrante do conselho da Cinemateca Brasileira.
“Sono, vigília e memória.” A Tradicional Família Paulistana (bem que poderia ser a TFMineira também) está se debatendo na redemocratização. A fissura de Heládio é a analogia perfeita para a ferida aberta que São Paulo foi e é.
“(…) tio Oscar foi assim como a confirmação, a legitimação dessa etnia fantasiosa que os fazia (os Pompeu) tão orgulhosos.”