Professor catedrático (aposentado) do Instituto de Arqueologia da Faculdade de Letras de Coimbra, Doutor em Pré-história e Arqueologia pela Faculdade de Letras de Coimbra, foi Director do Instituto de Arqueologia da Faculdade de 1967-a 2002. Foi coordenador científico do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto desde a fundação em 1993 até 2002. Com uma vastíssima obra, esta merecerá destaque pelo estudo de excelência que a fez ser a referência no tema. Ilustrada com 58 gravuras no texto (mapas e desenhos) e 84 fotografias a preto e branco de locais e achados arqueológicos nas páginas 233 e 264, é uma obra fundamental para o estudo do período do domínio romano no território onde haveria de se constituir a nação portuguesa. É muito relevante pela grande quantidade de informações apresentadas em pouco espaço de forma clara e rigorosa. Contém os seguintes capí A História, da Conquista à Ocupação Visigótica; As Vias e os Lugares; A Vida Rural; A Vida Económica; A Religião; e A Arte. Inclui tanbém índice das ilustrações, apêndice com as referências do Itinerário de Antonino, bibliografia, notas às fotografias e índice ideográfico.
JORGE NOGUEIRA LOBO DE ALARCÃO E SILVA nasceu em Coimbra a 3 de Novembro de 1934. Nesta cidade fez todos os seus estudos, concluindo em 1958 a licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas com distinção. Nomeado assistente da Faculdade de Letras de Coimbra em 1963, veio a doutorar-se pela mesma Faculdade em 1974, no ramo de Pré-História e Arqueologia, com uma tese subordinada ao título Cerâmica Comum Local e Regional de Conimbriga. Em 1978 foi nomeado professor extraordinário e em 1980, professor catedrático.
É doutor honoris causa pelas Universidades de Bordéus (1985) e de Santiago de Compostela (1996). Recebeu o prémio Raoul Duseigneur da Académie des Inscriptions et Belles Lettres (Paris) pela obra Les villas romaines de São Cucufate, Portugal (de colab. com R. Etienne e F. Mayet).
A sua actividade docente tem-se exercido em diversos ramos da Arqueologia Clássica, História Antiga, Pré-História e Proto-História. Como investigador, o seu campo tem sido a arqueologia romana em Portugal e, mais recentemente, a teoria da Arqueologia.
Dirigiu escavações em Conimbriga e na villa romana de S. Cucufate (Vidigueira), de colaboração com o Prof. Robert Etienne e com Françoise Mayet.
Guardando as devidas distâncias, dado que a edição é antiga e entretanto o conhecimento histórico e arqueológico já efetuou mais progressos, este é um livro abrangente que nos traça o panorama do que foi o nosso território na era romana. Traça a história da progressiva conquista romana das tribos que habitavam o espaço ibérico à invasão das tribos bárbaras. Mostra-nos a rede urbana romana, com as vias que a interligavam, e os espaços rurais que a sustentavam. Mostra, também, a coexistência de diferentes cultos religiosos, entre o culto imperial, a veneração aos deuses romanos, a sobrevivência e sincretismo das divindades das tribos pré-romanas que foram incorporadas como aspeto dos deuses colonizadores, e a influência dos cultos orientais, com especial destaque para o mitraísmo.
Há uma certa ironia que nós, como povo colonizador que fomos, definimos grande parte do nosso caráter por termos sido romanos. Mas nunca o fomos, realmente, fomos povos e territórios colonizados por Roma, que nos legou cultura, leis e monumentos que ainda hoje valorizamos. Li de passagem, algures, que o império romano nunca nos deixou, realmente. A história mostra que foi absorvido pelas invasões bárbaras, mas os herdeiros do império, os povos colonizados, tornaram-se posteriormente colonizadores e espalharam a base da cultura clássica, legada por Roma, pelo mundo. O seu fascínio e influência ainda hoje perduram.