(...) cabe aqui uma breve explicação acerca dos critérios que presidiram à organização deste livro. O objectivo fundamental foi o de reunir as crónicas políticas de Mário Soares "Entre Militantes" publicadas, quer no "Portugal Socialista", quer no actual semanário do PS, "Acção Socialista". Divididas por capítulos e dispostas por ordem cronológica, elas constituem um todo coerente e homogéneo. Para colmatar a ausência dessas crónicas nos períodos em que Mário Soares ocasionalmente as interrompeu, absorvido como estava por inúmeras actividades políticas, no País e no estrangeiro, que não lhe permitiam a disponibilidade da escrita, inserimos algumas entrevistas, discursos e conferências que perfeitamente se conjugam e harmonizam com as suas crónicas. Para a última parte do livro seleccionámos alguns textos em que as preocupações teóricas e ideológicas são dominantes, e que até aqui não tinham sido ainda convenientemente difundidos e publicados. Dito isto, passemos a palavra a Mário Soares. Lisboa, 4 de Novembro de 1979.
MÁRIO ALBERTO NOBRE LOPES SOARES nasceu a 7 de Dezembro de 1924. A 22 de Fevereiro de 1949 casa com Maria de Jesus Simões Barroso. Apesar da sua carreira profissional se confundir com a política, a partir dos anos 50 é administrador e professor do Colégio Moderno. Começando a exercer advocacia em 1957, assumem particular relevância as defesas que faz em julgamentos de presos políticos em tribunais plenários. Em 1965 oferece os seus préstimos de advogado à família de Humberto Delgado, que acaba por ser assassinado nesse mesmo ano. Em 1971 é “Chargé de cours” nas Universidades de Vincennes e da Sorbonne e no ano seguinte Professor convidado na Universidade da Alta Bretanha, em Rennes. Político de profissão e vocação, Mário Soares é uma figura incontornável da história contemporânea portuguesa. Primeiro pela luta antifascista desenvolvida durante a Ditadura, que lhe vale várias prisões pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado, a deportação e o exílio; depois pela sua participação no processo de transição, enquanto ministro de alguns dos governos provisórios e como líder do Partido Socialista, que fundara, em 1973; finalmente pelo seu desempenho enquanto primeiro-ministro dos I (1976-77), II (1977-78) e IX (1983-85) governos constitucionais. Em 1986, é eleito Presidente da República, sendo o primeiro presidente civil, depois de seis décadas de presidentes militares. É reeleito a 13 de Janeiro de 1991 com 70,35% dos votos. Em 1996 é nomeado Conselheiro de Estado e assume a Presidência da Fundação Mário Soares e da Comissão Mundial Independente dos Oceanos; é Presidente da Fundação Portugal-África (1997); é Presidente do Movimento Europeu (1997-1999); é Presidente do Comité Promotor do Contrato Mundial da Água e Presidente do Comité dos Sábios do Conselho da Europa (1997); é eleito deputado para o Parlamento Europeu (1999-2004); e é Presidente da Comissão de Honra para as comemorações dos 500 anos da viagem de Pedro Álvares Cabral (1999). Em Agosto de 2005 anuncia a sua recandidatura à Presidência da República, vindo a ser o terceiro candidato mais votado com 14,31% dos votos nas eleições de Janeiro de 2006. Faleceu a 7 de Janeiro de 2017, em Lisboa.