Este livro é um tesouro! Não só pelas magníficas gravuras de John Day mas também pelo que representa para a botânica e para a história da orquidofilia.
John Day foi um aristocrata inglês que viveu no séc. XIX, a norte de Londres, onde reuniu uma das melhores colecções de orquídeas da época.
Quando muitas novidades botânicas chegavam pela primeira vez à Europa e eram vendidas em leilões a preços só ao alcance dos mais ricos, as orquídeas eram cobiçadas pelos poucos coleccionadores que rivalizavam com os principais jardins botânicos europeus.
Tudo era novidade, as plantas e o seu cultivo, diferente de todas as plantas que conheciam. Cada nova floração era um acontecimento na sociedade britânica vitoriana apaixonada pela botânica. Como ainda não existiam as fotografias, eram importantes os herbários e as gravuras botânicas. John Day, para além de um coleccionador de orquídeas e cultivador de sucesso, teve aulas de pintura e registou em fantásticas aguarelas as florações que ia obtendo. O sucesso destas gravuras foi tanto que outros cultivadores lhe forneciam as suas orquídeas floridas para serem retratadas pelos seus pincéis.
No final da sua vida, John Day deixou um legado de 53 cadernos de gravuras executadas num período de 25 anos. Esses cadernos registam e documentam as primeiras florações de orquídeas da sua colecção e das maiores colecções inglesas, incluindo a colecção dos Jardins Botânicos de Kew.
Dessa importante herança botânica, hoje pertencente aos Kew Gardens, foram reunidas as melhores gravuras e textos, aos quais os autores acrescentaram notas biográficas e muitas informações úteis sobre a história e a sociedade da época resultando neste fabuloso livro que tem tanto de belo como de importante para qualquer orquidófilo que queira avançar um pouco mais na sua aprendizagem sobre as orquídeas e a sua história.