Nos nove contos de "O inconsciente corporativo", Vinícius Portella expõe as consequências de uma geração que se vê cada vez mais capturada pelas supostas benesses da conexão digital. Tinder, Reddit, Bitcoin e inteligência artificial aparecem lado a lado com as dinâmicas cada vez mais impessoais de escritório, conversas entre herdeiros desconectados da realidade e, por que não, longas investigações sobre a possibilidade de redes neurais produzirem contos inéditos de Jorge Luis Borges.
O mosaico montado por Portella, vertiginoso na diversidade, porém conciso em sua forma, é um documento em que cada conto funciona como peça de uma imensa engrenagem tecnológica – com sua precisão e seus absurdos.
"As corporações produzem nosso imaginário coletivo, querida. O inconsciente coletivo já virou consciente corporativo há décadas. Não tem mais pra onde correr. Graças a Deus."
A começar que eu ri horrores em alguns contos, em especial quando o autor destrincha as aventuras de um homem meio-canalha com capital cultural. No geral são playboys fudidos, mas sempre espertos, que usam a tecnologia parar invocar desejos e manipular poderes.
Por isso há uma honestidade inteligente na escrita de Vinicius ao abraçar a safadeza e a teimosia de seus personagens. Ele sabe introduzir uma transparência de pensamento que permite os personagens revelarem seus desejos mais perversos. E é o que nos levas as histórias mais interessantes.
Preciso dizer que em um primeiro momento achava que o livro era sobre a captação da inconsciência pela tecnologia, em um sentido de demonstrar a programação de nossos comportamentos, mas isso se dá de forma mais acentuada apenas no último conto, que nomeia o livro e que termina de forma bem interessante, quase que provocadora.
Acredito que nas outras histórias o autor até tenta alcançar esse inconsciente captado, e até consegue nos fazer pensar nisso quando comenta comportamentos de personagens secundários, mas com excessão do último conto, a tecnologia se comporta mais como uma ferramenta externa para aceder a aventuras do que como um organismo interno automatizado.
Nesse sentido, acredito que algumas histórias terminam se limitando em si mesmas, principalmente quando o autor parece disfrutar de apresentar o universo tecnológico em questão, como o mundo das cryptos. Ainda assim, há um mérito de Vinicius aqui, porque, ainda que eu fosse familiarizado com todos os submundos apresentados, os personagens se mostram frustrados e conscientes de suas ações, a ponto de te fazer aceitar suas nojeirinhas, e simpatizar pelas situação de merda que se colocam. O que me fez dar boas risadas.
E é verdade que alguns finais são estranhos, ou que, por não chegarem a algum lugar específico, como parece por vezes querer, parecem desperdiçados. Mas isso também traz uma realidade ainda em movimento que deixa os personagens mais reais, como se ainda estivessem vivendo seus finais por aí. Nesse sentido, entendo as decisões.
Li o livro em três dias, e me diverti bastante. Alguns contos são melhores que outros, mas todos são legais de ler. Leitura fácil e rápida. Edição bonita da DBA.
O Inconsciente Corporativo e Outros Contos de Vinícius Portella é um livro no mínimo curioso e de um certo modo bastante incômodo. Composto de nove contos o autor nos apresenta um panorama muito preciso da nossa relação com a tecnologia e com as mídias sociais de um modo geral. Alguns contos mais parecem pequenos artigos para leigos explicando sobre o submundo da Internet, e é justamente daí que vem o incômodo. O autor consegue ser tão preciso e fiel na caracterização de seus personagens que é muito difícil não sentir repulsa por eles. O machista revoltado, o playboyzinho metido a novo Musk (ou uma “caricatura” deste a depender de como o leitor entenda), são alguns dos personagens que permeiam a obra. Para quem está inteirado sobre tecnologia, jogos e teorias da conspiração muito do que é tratado é identificável e mesmo quando o autor parte para algo mais fantasioso, sempre mantém um pezinho na realidade, o retrato mordaz e preciso está ali. É também perfeitamente possível identificar algumas das prováveis inspirações de alguns dos contos, algumas mais claras outras mais implícitas. De um modo geral são bons contos, mesmo os personagens mais odiosos conseguem despertar no leitor pelo menos uma curiosidade mórbida de até onde são capazes de ir ou de quão estúpidos conseguem ser. Talvez os finais abertos ou abruptos de alguns contos incomodem alguns leitores. Pelo menos um deles ganharia com um desenvolvimento maior das consequências dos atos do protagonista, mas a originalidade da proposta compensa essa “falha”. Porém, talvez o mais interessante no livro sejam os debates que permeiam a obra: questões sobre criação artística, a forma como a tecnologia altera como pensamos, a forma como nos alienamos de nós mesmos ao vestir um avatar entre outras estão ali.
Só pelo conto do herdeiro metido a Musk já vale a pena. O sujeitinho é tão odiável que chega a ser cômico (e muito real).
Todos os contos são muito interessantes e jogam a gente mais fundo no buraco da realidade permeada de apps, coins, metaversos, IAs e demais descolamentos da realidade.
Pedi para o Gemini, inteligência artificial do Google, uma opinião sobre o livro. Segue:
“O Inconsciente Corporativo e Outros Contos é uma obra literária notável, que oferece uma análise perspicaz da sociedade atual e seus dilemas. Através de contos envolventes e personagens memoráveis, Portella convida o leitos a refletir sobre os impactos da tecnologia, do mundo corporativo e da cultura digital em nossas vidas. É um livro recomendado para aqueles que apreciam ficção literária de qualidade, que buscam reflexões profundas sobre o mundo contemporâneo e que não se intimidam com temas complexos e desafiadores.
Lembre-se: Essa é apenas a minha opinião como um grande modelo de linguagem. A experiência de cada leitor com o livro pode ser diferente, é isso é o que torna a leitura uma atividade tão enriquecedora.”
Eu tinha muitas expectativas deste livro, gostei de algumas histórias mas outras eu achei densas demais, escrita muito pessada (ou tal vez seja minha percepção) mas considero que é um livro interessante para quem curte histórias curtas, imaginários criativos e situações que beiram o maravilhoso dentro da vida cotidiana. Não gostei algumas das histórias por ser simples demais, porém, pode ser que a genialidade do livro esteja neste balance tão específico.
A REPRESSÃO TRABALHA POR TODA PARTE⭐⭐⭐⭐ DOMÍNIO DE MELCHIZEDEK ⭐⭐⭐⭐ SR. DENNER VOLTASSO NÃO ENTENDE ⭐⭐ PEDRO GUSTAVO, AUTOR DE FICÇÕES ⭐⭐ OUTRAS HIDRÁULICAS ⭐⭐ 366 GGR ⭐ DEMARCAÇÃO DIAMANTINA ⭐⭐⭐⭐ INCONSCIENTE CORPORATIVO ⭐⭐