O Estado Novo, a transformação urbana do país, com o novo traçado da capital, a modernização e a velocidade ambientes... Este romance biográfico apresenta-nos o retrato de uma época e de um homem, Duarte Pacheco, o mítico e misterioso ministro das Obras Públicas, apaixonado pelo seu tempo, que foi buscar Salazar a Coimbra e o acompanhou durante duas décadas, até morrer tragicamente num desastre de automóvel.
FILOMENA MARONA BEJA nasceu em Lisboa, a 9 de Junho de 1944. Frequentou o Liceu Francês e licenciou-se na Faculdade de Ciências da Universidade Clássica de Lisboa. Exerceu a actividade de documentarista técnica no Ministério das Obras Públicas e no Ministério da Educação entre 1970 e 2004. É autora dos romances As Cidadãs (1998), Betânia (2001), A Sopa (Grande Prémio de Literatura DST, 2004), A Duração dos Crepúsculos (2006), A Cova do Lagarto (Grande Prémio de Romance e Novela da APE/DGLB, 2007), Bute Daí, Zé (2010), Eléctrico 16 (2013), Franceses, Marinheiros e Republicanos... (2014), Um Rasto de Alfazema (2015) e da colectânea de contos Histórias Vinda a Contos (2011). Participou nas antologias Histórias em Língua Portuguesa (Âmbar, 2007) e De la Saudade a la Magua (Baile del sol, 2009).
Tenho sem abrir há dias na mesinha de cabeceira A Cova do Lagarto. O título desgarrado conjuga-se com os parágrafos telegráficos que se espalham em novelo caótico pelas páginas de papel meio pardo. Não ficava mal a coisa feita blogo, mas um livro é mais que a costura das páginas. A extravagância é só aparente porque os cânones da nova ortodoxia fracturante premeiam hoje em dia todo o tipo de absurdo como originalidade artística. Prosa sem fio pode ser entendida assim... Melhora ainda se a autora se refere sempre a Salazar como o Outro, com o 'O' grande, apesar de tudo. — Artifício literário, não exageremos! — dir-me-ão. Sem dúvida. Se fosse no tempo dele, o Outro, a censura havia de boçalmente riscar a arte, mesmo apesar do 'O' grande. Como é hoje, trata a autora de livremente lhe não enunciar o nome. Tomar-lhe a arte literária como censura é que não, claro! (Mais, não fales no diabo...) Como do título não se tirava que fosse acerca do eng.º Duarte Pacheco, o editor — comercialmente muito ortodoxo, pois bem! — colou-lhe já depois de impresso um autocolantezinho redondo dizendo: O romance de Duarte Pacheco. Vou agora voltar a ele, passe a publicidade. (« O romance de Duarte Pacheco», Bic Laranja, 29/VIII/2008)