With a germanic philology degree, Maria was a high school teacher and member (and later president) of the "Associação Portuguesa de Escritores", the portuguese authors association.
She was deputy secretary of state for culture in 1979 and was second in charge for the cultural theme for Cabo Verde from 1988 to 1991 and now work for the "Instituto Camões" (Camões Institute).
She had regular contribution to movie scripts, particularly in films by João César Monteiro, Margarida Gil and Alberto Seixas Santos.
She was involved in the conception of a controversial book with the title "Novas Cartas Portuguesas" in 1969 with other two authors (Maria Teresa Horta and Maria Isabel Barreno, the three Marias) in wich the plot criticized the traditional position of women in social life and indirectly criticized the fascist government.
Books: Novas Cartas Portuguesas (with Maria Teresa Horta e Maria Isabel Barreno), Irene ou o Contrato Social, O Amante do Crato, O Livro do Meio (com Armando Silva Carvalho)
She won the Vergílio Ferreira prize in 1997 and the Camões Prize in 2002.
Duas personagens muitos especiais da literatura lusófona Maria Eduarda (de Os Maias, de Eça de Queirós) e Capitu (de Dom Casmurro, de Machado de Assis), num encontro imaginário, no exílio em Paris. Um reencontro entre personagens, escritores e imaginários literários sobre o qual Maria Velho da Costa escreveu num texto brilhante,. Um texto onde o leitor se passeia maravilhado com a maestria da escrita e dos detalhes de intertextualidade entre os romances e a obra dramatúrgica.
Esta obra foi vencedora do Grande Prémio de Teatro da APE/Ministério da Cultura no ano de 2000, sendo que a edição de “Madame” que li, editada pela Húmus, é a versão de cena (a que foi realmente apresentada) de um texto anterior a autora. Maria Velho da Costa escreve que “trabalhar o texto dramático deste espectáculo com Eunice Muñoz, Eva Wilma e Ricardo Pais foi um susto e um privilégio.” A autora refere ainda que “surgiu, com toda a evidência, um filão que eu pouco trabalhara, porque a escrever não se ouve com a mesma escuta: estas duas Madames, e principalmente as suas duas serviçais, não falam a mesma língua. O português e o brasileiro, para se entenderem, têm de traduzir-se.” É este processo de escrita, reescrita e tradução que o texto nos encaminha constantemente
Este foi o primeiro livro que li no âmbito da iniciativa #subiropano, promovida por mim e pelo @2bejay, que decorreu de 27 de Março ao final de Abril,e foi uma maravilhosa abertura desta aventura.
Em MADAME, de Maria Velho da Costa (1999), trata-se de um texto propositadamente construído para um exercício teatral entre Eunice Muñoz e Eva Wilma e que coloca em cena as personagens femininas principais de Dom Casmurro (Capitu) e Os Maias (Maria Eduarda) e respetivas criadas. Estas duas personagens acabam por se encontrar em Paris e, num ambiente simultaneamente de opulência e deboche, “vingam-se” das tramoias do destino e da sociedade patriarcal oitocentista. São na peça as vozes de um feminismo que não havia antes. Algumas soluções "criativas" aparecem algo chocantes nesta recriação das personagens. Não as direi aqui (o leitor que as descubra), mas a revolta contra o modo como o século XIX maltratava as mulheres não justifica todos as opções. Mas está bem escrito, surpreende e choca.