ERIC HEUVEL is one of the top graphic artists in the Netherlands. He concentrates on writing and illustrating educational graphic novels—three of which, including A Family Secret and The Search, have won the Dutch Comics Association’s category award. He lives in Zaandam.
Ah, como é bom voltar aos meus tempos de adolescência quando eu assistia a série do Tintin na minha pequena televisão em um canal que hoje mal e porcamente existe. Sintonizava no canal e assistia a uma gostosa e divertida aventura com armadilhas, bandidos, tesouros e muita ação. Foi assim que eu me senti lendo January Jones. Em uma enorme aventura enfrentando bandidos em busca de pistas para um grande tesouro. E se você ainda não foi convencido a adquirir este material incrível deixa eu te convencer nos parágrafos a seguir.
A narrativa de Lodewijk é bem direta e objetiva. A gente tem uma dupla de personagens: uma aventureira intrépida que se mete em todo tipo de encrencas e seu fiel ajudante que sempre acaba dando um jeito de esbarrar nos inimigos. Os diálogos são muito soltos e leves e a história segue nesse clima tranquilo por boa parte da narrativa. Os momentos de ação se alternam com as partes de exploração. Nesse sentido o roteiro consegue ser bem sucedido ao explorar o lado aventureiro da personagem ao mesmo tempo em que a situa em um cenário pré-Segunda Guerra Mundial. Alguns leitores podem ficar um pouco preocupados por esse ser o segundo volume lançado pela Avec, mas ele pode ser lido de forma independente numa boa. Todas as informações que você precisa saber sobre a personagem são facilmente assimiladas em duas ou três páginas. Ela é uma aviadora famosa que vive várias aventuras. Pronto.
Minha crítica negativa vem da quantidade muito grande de informações que o autor coloca na narrativa. Acaba poluindo de certa forma o trabalho do Heuvel que é de linha clara. Eu entendo que a quantidade de balões de diálogos e de notas de rodapé fazem parte não só dessa tradição vinda do Tintim como também das tirinhas de jornal. Aliás, meus caros, aqueles que curtem tirinhas vão ficar muito animados com esse traço característico de January Jones. Mas, enfim, não é algo que vai atrapalhar a diversão, mas me deixou um pouco decepcionado porque a arte de capa e a de interior do Heuvel é linda.
Falemos um pouco da arte do Heuvel. Como eu gosto de palhetas claras. A escolha das cores na HQ é linda, esbanja colorido por toda a parte. O artista realmente dá um outro significado à luz de Paris. Somos levados a conhecer os vários locais da cidade como bistrôs, a torre Eiffel e até uma voltinha pelas catacumbas subterrâneas. Todos os cenários possuem muita riqueza de detalhes sem perder um pouco do estilo cartunesco típico dessas histórias. Os personagens também possuem muita vivacidade. Vocês podem ver na imagem acima que a January tem muita personalidade e isso não é apenas em uma imagem promocional. Essa expressividade e personalidade está presente ao longo de toda a narrativa, seja nos soldados na África na primeira páginas aos bandidos engravatados que perseguem nossa protagonista.
Uma das coisas que o leitor mais vai curtir nessa HQ é o quanto você pode chegar nela sem saber nada e descobrir tudo o que precisa saber em um piscar de olhos. As motivações são muito fáceis de serem compreendidas. Por essa razão a gente acaba apreciando o trabalho por muito mais tempo. Quando você vê um bandido francês chamado Podomme e que fere suas vítimas através de uma dança mortal, impossível não se imaginar em um filme do 007. Faço parte de uma geração em que para contar uma história não é preciso criar personagens extremamente complexos; basta se focar na narrativa e no que ela pretende trazer para o leitor.
O curioso é que apesar de ser uma HQ divertida, o autor não fica tímido de apresentar alguns problemas típicos da época como o imperialismo no continente africano e a aculturação dos povos, a ameaça crescente do nazismo causando um temor entre as pessoas e a busca pelo desconhecido que guiava muitos aventureiros da época. Tudo isso sem levar as coisas muito a sério, deixando o leitor naquela linha tênue entre um cenário que pode ser sombrio e uma aventura interessante pelos quatro cantos do mundo. Gostei também da personalidade da January, sempre pró-ativa e nunca se intimidando pelos seus inimigos. Ou seja, uma personagem feminina forte.
Eric Heuvel é um quadrinista holandês, autor de muitos álbuns, incluindo sua série sobre a II Guerra Mundial, em que aborda a invasão e ocupação da Holanda e a perseguição aos judeus, publicados em cooperação com instituições como a Casa de Anne Frank e o Museu Histórico Judaico.
Entre seus outros trabalhos, a série January Jones, iniciada em 1986, foi sua estreia como profissional. Escrita por Martin Lodewijk, foi publicada inicialmente na revista Sjosji e compilada em álbum entre 1987 e 1995.
Começa a ser publicada no Brasil, pela Editora Avec. No original em holandês já são oito volumes.
Do ponto de vista artístico, Heuvel é um adepto da “Linha Clara”, estilo que tem seu expoente em Hergé, o autor de Tintim. É interessante notar que o traço de Eric Heuvel é impressionantemente semelhante ao de Hergé. A influência é de tal ordem que se pensaria até que um foi aluno do outro. O que, é claro, é uma referência positiva, já que Hergé é um dos maiores quadrinistas da Europa em todos os tempos.
2. Página sobre Eric Heuvel na “Lambiek Comiclopedia” (em inglês e holandês) Excelente material. A “Lambiek”, de Amsterdam, de 1968, é a primeira loja de quadrinhos da Europa, talvez a mais antiga do mundo em funcionamento. Mantém em seu site a “Comiclopedia”, uma enciclopédia online de quadrinhos. https://www.lambiek.net/artists/h/heu...
> Autores: Arte de Eric Heuvel (1960 -), roteiro de Martin Lodewijk > Lançamento original em álbum na Holanda: 1987. Edição atual, 2013, pela editora Don Lawrence > Lançamento no Brasil: 2018, pela Editora Avec > Tradução: Paulo Henrique Tirre
Álbuns de Eric Heuvel
(ano da publicação original em álbum na Holanda), título em português, (ano de publicação no Brasil) (título original em holandês)
3. (De Terugkeer) (The return) 4. (Frontstad Rotterdam) (Front city Rotterdam)
> Na série January Jones
(ano da publicação da edição atual em álbum na Holanda), título em português, (ano de publicação no Brasil) (título original em holandês)
1. (2012) Corrida Contra a Morte (2016) (Dodenrit naar Monte Carlo) *** R 2. (2013) O Crânio de Mkwawa (2018) (De schedel van de sultan Mkwawa) 3. (2014) (De Schatten van Koning Salomo) 4. (2014) (Het Pinkertondraaiboek) 5. (2012) (De Horens Van De Stier) 6. (2013) (Het graf van de zeppelin) 7. (2015) (Het lijk van Lenin) 8. (2016) (De Eerste Keizer)
*** R - álbuns já resenhados, leia a resenha
Álbuns com títulos apenas em holandês ou inglês: sem edição brasileira.