A minha chegada à vida não foi isenta de dificuldades. Na mesa da sala de jantar, numa velha casa de ferro na Avenida Central, durante doze sofridas horas, a minha mãe debateu-se a ter um parto natural, sob os teimosos olhares da parteira. "Assim começa o livro de Eduardo Da Naia Marques, uma história de vida contada na primeira pessoa. Uma aventura que, segundo o autor, começou quando decidiu, "à boa maneira africana, até porque velho já o sou, "sentar-me à volta da fogueira" e começar a contar as minhas estórias. Como ninguém se sentou comigo, comecei a escrevê-las à luz das labaredas. Poderão constituir apenas migalhas de interesse relativo de uma vivência africana que desapareceu. Mas, um dia, por certo, alguém daqueles que sentem dentro de si aquelas paragens, gostará de "se sentar à fogueira" para as ir lendo, mesmo que eu já lá não esteja!