Plano Nacional de Leitura Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura. Uma mulher fica viúva com dois filhos. Alguns anos depois da morte do marido, a vida não se refez e o filho mais velho, agora adolescente, cresce contra a mãe, num silêncio obstinado que só quebra nas histórias que se conta para adormecer e nos desenhos que faz de forma compulsiva. Com o anúncio do chumbo escolar, a mãe decide, sem grandes reflexões, fazer uma viagem com este filho, deixando o pequeno com os avós. Não se trata de uma viagem com destino, mas antes uma procura. Contracorpo é um livro contra o silêncio e sobre o silêncio. É uma história de procura de identidades distintas - da mulher e do quase homem - e ainda de descobertas. Uma mãe nunca é o que se espera. Um filho é sempre uma surpresa. O encontro dá-se enquanto procuram caminhos, de Lisboa a Roma, num jogo de claro escuro. Como se tudo fosse uma imagem.
PATRÍCIA REIS nasceu em Lisboa, a 12 de Dezembro de 1970. Começou como jornalista n' O Independente aos dezassete anos. Passou pela revista Sábado, de que foi editora, fez um estágio em Nova Iorque na revista Time e, no regresso dos EUA, colaborou no Expresso, trabalhou nas revistas Marie Claire e Elle e nos «projectos especiais» do jornal Público. Em 1997 passou a colaborar com o atelier de Henrique Cayatte, na produção de conteúdos para a Expo' 98. Desta colaboração surgiu o Atelier 004 de que é directora e que, entre outros projectos, produz a Egoísta.
Escreveu a curta biografia de Vasco Santana e o romance fotográfico Beija-me (2006), em co-autoria com João Vilhena, a novela Cruz das Almas (2004) e os romances Amor em Segunda Mão (2006), Morder-te o Coração (2007), que integrou a lista de 50 livros finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura, No Silêncio de Deus (2008), Antes de Ser Feliz (2009), Por este mundo acima (2011), Contracorpo (2013) e O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky (2014).
“Sou a única a amar o meu filho, a compreendê-lo verdadeiramente e mesmo através das cenas, dos gritos, continua a ser amor”(Marguerite Duras, citação inicial deste livro)
É difícil criar filhos. É extenuante criar filhos adolescentes. Mãe e filho afastados um do outro pelo conflito de gerações, acentuados por acontecimentos dramáticos, embarcam numa viagem de automóvel. Contracorpo, irão redescobrir-se enquanto pessoas.
Depois de "A construção do vazio" confesso que esperava mais deste livro. Não deixa, no entanto, de ser um romance relevante (3,5*).
Ainda estou a digerir o livro... A cadência da escrita é mais lenta que o da meia noite às 6, mas a partir de determinada altura não o consegui largar,.... Achei a que a Maria morria, ou que o Pedro não aparecia, ou que simplesmente voltavam para trás. O confronto, o contracorpo que se transforma no corpo a corpo, a Mãe que não desiste, o filho que cresce, que observa, que sente. O adolescente que acha que vos adultos, alguns não sabem nada, mas se calhar até sabem, os silêncios que complicam, os silêncios que criam mal entendidos, os silêncios que nos definem, os espaços que na realidade todos precisamos, o nosso espaço, a distância... A distância que não diminui a importância, a cedência e a atenção. Os momentos captados numa fotografia, o olhar que fica preso, que no momento não diz nada e que mais tarde diz tudo... A ligação inquebrável de uma mãe e de um filho. Um livro que mexeu, mais uma vez, comigo.
Vinha com grandes expetativas para este livro devido à sua sinopse, porém não fez muito o meu género. Não me entendam errado, é um bom livro, ajudou-me a compreender algumas coisas, mas não gostei tanto como estava à espera... Gostei das metáforas utilizadas pela autora! Principalmente a que encontramos no final, foi sem dúvida alguma deliciosa. Este livro mostra-nos as dificuldades da adolescência, mas não só... mostra-nos a dificuldade de uma mulher que perdeu um marido e tem dois filhos ainda por criar. Maria ao embarcar numa viagem com o seu filho, redescobre-se e o seu rebento descobre que a mãe não é só a mãe, é uma pessoa e dá-se conta de que não a conhecia tão bem como pensava! Amo sem dúvida livros com vários pontos de vista a existência de dois pontos de vista foi fulcral para conhecermos estes dois "corpos" que estavam sempre em colisão. A escrita da autora é super leve e rápida! As frases são super curtas, penso que estão lá com o propósito de causar a reflexão no leitor. Esta leitura foi uma boa experiência!
Contracorpo, romance de Patrícia Reis publicado em 2012 pela D. Quixote, traz uma transformação na relação entre mãe e filho, Maria e Pedro. Trata-se de uma viagem pela personalidade de cada um, pelo elo que os liga – dos mais fortes, mãe e filho – e do melhor como pessoas que os pode aproximar.
“Sou a única a amar o meu filho, a compreendê-lo verdadeiramente e mesmo através das cenas, dos gritos, continua a ser amor”, assim começa a obra com citação de Marguerite Duras sobre o seu filho e não podia ser melhor introdução para este Contracorpo. Do título retira-se uma ideia de conflito, de choque ou mesmo, na mais elevada criatividade, de explosão. Maria e Pedro vivem uma relação de silêncio desde a morte de Francisco, marido e pai de cada um. Em cada página há traços de revolta em cada um pela morte inesperada desta personagem sempre referida, por vezes colocados de lado pela exaustão do que esse sentimento tão pesado.
Mãe e filho vivem uma relação no silêncio, quase sem se conhecerem pelo choque paralisante da morte. Infiltrou-se na casa, no dia-a-dia de cada um, nos pensamentos e ambições. Pedro adora desenhar, gosta e deseja passar despercebido na escola secundária. Maria trabalha desalmadamente para cuidar dos filhos, Pedro e Simão. Planeia o dia-a-dia para manter a perfeição aparente, como se fosse esse o objetivo de cada mãe. Deseja, na maioria das vezes, entrar no mundo do filho adolescente mas a violência do seu silêncio, com a porta do quarto fechada, leva-a a afastar-se cada vez mais. Sem compreender o que se passa com Pedro, acaba por sugar, num egoísmo desmedido, a infância e inocência de Simão. Ainda longe de ser um rapaz crescido e com tanto por crescer, sem lembranças nítidas do pai.
Cada um viaja no seu silêncio, a viverem na mesma casa. Até que Pedro chumba por faltas. O acontecimento que leva Maria a colocar tudo de lado, mesmo o filho mais novo, para tentar encontrar Pedro. Para tentarem encontrar-se numa viagem sem fim à vista e sem planos traçados, longe de encarnarem o papel de mãe e filho. Patrícia Reis retrata, de forma brilhante, as duas vozes do livro. Uma mãe, inicialmente sem esperança, e um filho revoltado e fechado numa concha preciosa. Tal como disse em entrevistas, encarna e vê-se nos dois papéis – de mãe e filha. E essa experiência nos dois papéis levou-a a escrever este Contracorpo. Um contracorpo que acaba por se transformar em apoio e compreensão.
Afinal, Maria é uma pessoa completamente diferente aos olhos de Pedro. Como é que nunca a viu? E porque é que Maria nunca foi capaz de ver as capacidades e talentos do filho? Ir além dos defeitos, da mágoa que lhe machuca o coração de uma forma violenta? Talvez sejam as perguntas às quais se obtém resposta neste romance, digamos, rápido. Não são mais de 200 páginas. Os espaçamentos, com frases curtas em itálico, dão espaço para a reflexão do leitor sobre as personagens.
Posso dizer que talvez possa ser um dos melhores livros de Patrícia Reis mas vou ter de ler mais um pouco para confirmar a minha afirmação em relação a este Contracorpo. A escritora lançou, na semana, passada o seu mais recente romance, O Que Nos Separa Dos Outros Por Causa De Um Copo De Whisky.
Apesar da fraca avaliação, gostei do livro. O problema é que não é bem o meu estilo. A sua escrita leve e frases simples permitiram que o lesse em 3 tempos. A história em si é que não me 'encheu': uma mãe, que depois da morte do marido, sente que o filho adolescente se afasta e isola cada vez mais. Não me consegui identificar em muitas partes. Para além disso, senti que se devia centrar mais no presente da narrativa e não tanto no passado, a tentar explicar o porquê do comportamento de certas personagens que nem sequer são importantes para a história central e que em nada contribuem para o desenvolvimento da mesma. Talvez daí venham as 3 estrelas.
Um livro muito profundo. Um silêncio profundo. Uma solidão profunda. Uma mãe e um filho de 15 anos que fazem uma viagem para "tentar" reatar uma ligação, "tentar" encontrar um ponto de encontro entre eles. As minhas partes preferidas foram sobre a perspectiva do Pedro, do filho. Muito bom!
Drama familiar que aborda os problemas de relacionamento de uma mãe viúva com um filho adolescente e da viagem que empreendem (real e metafórica) para tentarem encontrar um chão comum e recuperar um relacionamento dito “normal”. Apesar da densidade do tema, a escrita é leve e fácil, com frases simples, poucos diálogos e também é relativamente curto (200 páginas) de modo que se lê sem grandes problemas. De outro modo poderia ser penoso, pois a certa altura torna-se um pouco repetitivo. Não me entusiasmou, tanto em termos do tema e principalmente o desenvolvimento do mesmo.
A literatura portuguesa tem cada vez mais autores, muitos deles jovens e obviamente isso é extremamente positivo. Mas também é verdade que tenho encontrado muito enfoque em dramas familiares (casais, pais/filhos) e questões psicológicas em detrimento da boa e velha ficção. Aparentemente têm sucesso, senão não seriam publicados. Provavelmente temos alguma necessidade de introspecção, de pensar e refletir na nossa vida e nos nossos “pequenos” problemas e não desgostamos do divã do psicanalista. Pode ser um bom sinal para a grande quantidade de psicólogos que se estão a formar ;-)
A adolescência não tem de ser sempre difícil. Até há pouco tempo, eu era aquela pessoa que achava deslumbrantes os adolescentes, mesmo quando eram desafiantes, mesmo quando eram arrogantes, malcriados, rebeldes… conseguia lembrar-me bem de mim com a mesma idade e achava que os pais faziam grandes dramas de coisas simples como saídas à noite ou respostas tortas. Mas o universo parece obstinado em ensinar-nos lições e mostrar-nos que sabemos muito pouco sobre quase tudo. E acho mesmo que quanto mais cuspimos para o ar, na nossa pretensa sabedoria (que, por vezes, nem é cagança, é mesmo só fruto da experiência que temos e que tendemos a espelhar para os demais) mais nos cai em cima. O destino encarrega-se de nos mostrar outras realidades. Encaremo-lo como uma aprendizagem. E um caminho de humildade. Este livro da Patrícia Reis foi publicado em 2013. Lembro-me de ela me dizer que era sobre a adolescência, disto de crescer contra, e que esperava que me ajudasse. Só que, em 2013, eu ainda não estava nessa fase, e deixei-o na prateleira. E, por isso, o livro foi-me útil agora. Foi agora que ressoou em mim. Uma bonita história sobre uma mãe e um filho (na verdade são dois, mas há um que está, então, no caminho das trevas), e sobre a caminhada de aproximação que ela enceta, e ele acaba por aceitar.
“Ninguém cresce sozinho”. Há nesta frase uma verdade inquestionável que nos atrai ao lugar das relações, nem sempre fáceis, entre pais e filhos. Em particular no período da adolescência, elas tendem a ser tumultuosas, feitas de teimosia, provocações e amuos, o dedo apontado aos filhos por “pisarem o risco” e serem cada vez mais insolentes, mas também aos pais por não saberem cumprir convenientemente o seu papel. É neste terreno que se move “Contracorpo”, romance de Patrícia Reis publicado em 2013 e que nos traz a história de Maria e Pedro, mãe e filho em rota de colisão.
Julguei adivinhar o propósito de “Contracorpo” logo nas primeiras páginas. A história do rapaz que se descobre a si mesmo através dos gestos simples de um quotidiano marcado por um pai ausente não é propriamente original. Que os avós maternos e o tio mais novo sejam uma boa rectaguarda ou que revele um jeito fora do comum para o desenho pouco acrescenta ao livro. E depois há esta mãe angustiada com a possibilidade de perder o filho, depois de ter visto morrer o marido, e que é mais fonte de irritação do que de compreensão ou solidariedade. Daí que a tentação para desistir do livro fosse grande. Ainda bem que o não fiz.
Patrícia Reis tem o mérito de ganhar o leitor ao transferir o foco para o interior daquela mãe. A história toma um rumo inesperado e torna-se particularmente apelativa. O ritmo e espessura do livro têm neste processo gradual de aproximação entre mãe e filho a sua conta, peso e medida. Pôr este Pedro a contar(-se) é outra das boas coisas do romance. O resultado final é entusiasmante, levando-me a crer que este será, porventura, o melhor livro de Patrícia Reis, depois de ter lido “A Construção do Vazio” e “As Crianças Invisíveis”. Uma última nota para mostrar, pela enésima vez, o meu desagrado pelas sinopses descuidadas, revelando aquilo que importava esconder. Ditames do marketing, bem sei.
Patrícia Reis tem vindo a revelar-se como uma escritora que é impossível não ler. A forma como escreve é... não sei que palavra poderá descrever a escrita dela... talvez natural? Emocional? Não sei. Só sei que gosto porque me parece, como leitora, uma escrita despretensiosa, muito eficiente na forma como nos envolve enquanto leitores e que facilmente nos transporta para dentro da história que conta. Sinto, quando acabo de ler um livro dela que, de certa forma, estou diferente. :)
Inicialmente, Contracorpo parece ser a história de uma mãe e do filho adolescente e da relação difícil que os pais e filhos têm nestas idades. Contracorpo acaba por ser a história de uma mulher, que é muito mais do que a mãe de um adolescente, que embarca numa viagem para se redescobrir e que, nessa viagem, se dá a conhecer ao filho adolescente que nunca pensou na mãe senão como mãe. Como se a vida dela tivesse começado no dia em que ele nasceu. Nessa viagem, a mãe deixa de lado o papel de mãe e tenta compreender o filho, como a pessoa que é, não olhando para ele apenas como o seu filho, e o filho deixa de julgar a mãe e, conhecendo a mulher acaba por compreender e aceitar a mãe.
É um livro muito interessante de se ler. Os capítulos são curtos, muito ao estilo de Patrícia Reis, alternando entre a narração do filho e a narração da mãe. Embora o livro possa ser, por vezes, angustiante, a energia que emana das páginas é acima de tudo muito positiva.
Gostei muito deste livro e só posso recomendar. Por favor leiam Patrícia Reis, porque vale mesmo a pena.
"Conheci" a autora através de um programa da RTP chamado "Portugal de..." no ano de 2013. Comprei o livro sem conhecer a escrita, sem conhecer a forma como a autora desenvolvia uma história e só agora, 2 anos depois consegui dar a atenção e não me desiludi. "Contracorpo" fala-nos de uma viagem entre uma mãe e um filho mas não apenas uma viagem física; no fim de tudo, esta ida de um ponto a outro mascara uma outra procura, uma "aventura" de busca interior pelo equilíbrio, pelo estado de espírito mais calmo, por um procurar de respostas um para com o outro. É um livro muito interessante, muito introspetivo e que me deixou aguçado para ler outras obras da autora; vale, com certeza, as 5 estrelas que lhe dou.
Mais um livro de Patrícia Reis que não me desiludiu. Bem escrito, com um bom equilíbrio entre os diálogos e as descrições (encontrei apenas algumas falhas na revisão). A história está muito bem construída. É um livro profundo que nos põe a pensar na nossa vida e a olhar para dentro. E eu adoro quando isso acontece. Gosto muito de Patrícia Reis e recomendo!