Publicando esta nova edição de Dona Branca, a primeira que se faz em Portugal depois de umas quantas francesas e brasileiras, pareceu-me dever pôr aqui alguma memória, tanto da primeira composição do poema, como da presente forma com que hoje se reproduz.E consintam-me, antes de tudo, o desabafo de dizer que nenhum homem ainda fugiu tanto ao seu destino como eu; nenhum porém foi tão perseguido do inevitabile fatum que me não deixou. De criança me tentaram e namoraram as musas, e de criança lhes resisti sempre, com mais severo pudor do que o casto José, deixando-lhe por vezes nas mãos lascivas a capa virginal de minha pudicícia, e fugindo com mérito e virtude verdadeira, porque fugia a deleites suspirados, ardentemente desejados de minha alma.
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett e mais tarde 1.º Visconde de Almeida Garrett, (Porto, 4 de fevereiro de 1799 — Lisboa, 9 de dezembro de 1854) foi um escritor e dramaturgo romântico, orador, par do reino, ministro e secretário de estado honorário português.
Grande impulsionador do teatro em Portugal, uma das maiores figuras do romantismo português, foi ele quem propôs a edificação do Teatro Nacional de D. Maria II e a criação do Conservatório de Arte Dramática.
Nunca fui, propriamente, de ler obras da estética romântica e sempre que leio alguma lembro-me por quê. "Dona Branca" incorpora muitos elementos característicos do romantismo, incluindo a intensidade das paixões humanas, a descrição da natureza de forma idealizada e a exploração dos dilemas individuais e morais das personagens - mas de uma forma extremamente cansativa, a meu ver. O exagero do romantismo e a sua estrutura em dez cantos fez com que não conseguisse manter-me focada no livro durante muito tempo, por muito que o enredo do poema seja (minimamente) interessante.