Em Múltipla Escolha, Lya indaga, debate e transgride com o fervor de alguém que refuta a mediocridade e escolhe a vida. Como se sobre um palco, cercada de portas simbólicas, o complexo mundo contemporâneo à frente, a autora convoca sua “tribo” para o necessário ritual de pensar. Em foco, questões fundamentais, como a velhice e a juventude, os novos dilemas e tabus da sexualidade, a comunicação virtual, as fronteiras entre o privado e o público, drogas, violência, bondade e perversidade, o mal-estar social: elementos-chave da nossa rotina diária. Fala sobre esses “mitos modernos” que criamos para se tornarem senhores de nossa vontade e sobre os quais pondera num diálogo aberto com o leitor. “Gosto desse jeito mais direto de falar com meu leitor sobre, no fundo, partes do drama existencial humano, e algumas loucuras da nossa sociedade, nossa cultura. Sobre nadar contra a correnteza para não naufragar no espírito de manada destes nossos tempos. Enfim, esse tipo de ensaio, no sentido mais original da palavra, ‘ensaiar — discorrer sobre algum tema’, é mais um modo de me expressar. Simples assim”, argumenta Lya. Lya também rebate a suposta liberdade que alcançamos. Longe de uma sociedade livre, somos, nessa nossa cultura impositiva tão cheia de obrigações, prisioneiros padecendo do que a autora chama de síndrome do “ter de”. “O ‘ter de’ é um feitor de escravos muito cruel. Ter de ser magra, linda, inteligente, forte, rico, blablablabla. A mim, sempre fora do esquadro, me impressiona a crueldade do ‘ter de ser’ físico. Acho que nos valorizamos muito pouco enquanto seres humanos pensantes”. Da busca pela eterna juventude à ética na política, passando pelas transformações da família, Lya Luft mostra o quanto estamos enredados em práticas opressoras e que é importante assumir as rédeas de nossa vida e o caminho da nossa sociedade e cultura.
Lya Luft was a Brazilian writer, a novelist, a poet, a prolific translator (working mostly in the English-Portuguese and the German-Portuguese language combinations) of German descent. She was also a college professor of linguistics and literature.
Ensaio sobre a vida e a morte na sociedade da "liberdade". A autora escreve sobre temas divisórios como relações familiares, velhice e morte, dotada de uma opinião forte mas, aos 70 anos, que mistura tendências e movimentos de gerações muito distintas nessa sociedade em constante e extremamente rápida evolução. Isso gera uma opinião que tenta ser liberal (socialmente falando) mas é fortemente conservadora em relação a algumas áreas do comportamento, pecando particularmente feio no que diz respeito ao movimento feminista e comportamento feminino. Relevado esse trecho, já citado em comentários nesta página, por ser relativamente curto e não contaminar o livro como um todo, o livro trata de problemas recorrentes num mundo consumista, culturalmente opressor, e acima de tudo destrutivo É uma leitura fácil e dinâmica, mas intrigante e recompensadora se abordada com a consciência de que algumas das opiniões ali presente vão ser contrárias ou ofensivas, independentemente do espectro político do leitor.
Aqui se resume a extrema infelicidade da obra (os asteriscos são meus): "É em parte tarefa nossa criar o respeito masculino: mulheres que se respeitem e se façam respeitar. (...) Se nos apresentamos seminuas e com trejeitos sensuais em público, até no trabalho, vai ser mais duro perceberem nosso talento e capacidade. Já escrevi e falei da psicóloga que atendia o paciente de minissaia, da jovem médica cujo doente na enfermaria se masturbava ao vê-la exposta sob o jaleco aberto, e do **injustificado** espanto das duas, ao não se sentirem 'respeitadas'."
Concordo em alguns pontos com a autora, porém a visão dela é limitada à bolha aristocrata que ela vive, não tem um teor sociológico mais aprofundado. Não é nenhuma leitura inovadora, basicamente é um depoimento pessimista sobre a vida. Para mim foi como ler um desses textões de desabafo no Facebook