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Discussões > Quem é o melhor escritor português da actualidade? e o pior?

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message 1: by Daniel (new)

Daniel Pinto | 127 comments vá lá, não se contenham... ;)


message 2: by Filipa (new)

Filipa (filipamoreno) | 112 comments Mod
Essa é uma pergunta interessante. Nunca pensei nesses termos, mas agora que fazes a pergunta, tenho de dizer que o melhor (dos géneros literários que leio) é o José Rodrigues dos Santos.

O pior é a Margarida Rebelo Pinto - aqueles livros dela não adicionam nada de novo ao mundo da literatura. Muito, muito maus. (desculpem-me os fãs).


message 3: by KumeKei (new)

KumeKei | 522 comments Filipa wrote: "Essa é uma pergunta interessante. Nunca pensei nesses termos, mas agora que fazes a pergunta, tenho de dizer que o melhor (dos géneros literários que leio) é o José Rodrigues dos Santos.

O pior é ..."


Dos escritores mais "mainstream" concordo com ambas as escolhas.

No caso do JRS gosto da serie "Tomas Noronha" (o Dan Brown é que é o JRS americano e não ao contrario).

Quanto á MRP, confesso que nunca li nada dela mas a minha mulher (que é quem lê romances cá em casa) diz que é muito fraca.

Dito isto, acredito que temos melhores e piores escritores portugueses que apenas não são tão conhecidos.


message 4: by Daniel (new)

Daniel Pinto | 127 comments eu acho os dois sinceramente maus, ou, no limite da benevolência, banais. mas, claro, não tão maus quanto o miguel sousa tavares ou o pedro paixão.
os melhores, Lobo Antunes e Agustina Bessa Luís.


message 5: by Yolanda (new)

Yolanda (YolaG) Estou com o Daniel, Lobo Antunes para mim é dos melhores, JRS não me agradou mas ainda estou disposta a dar-lhe uma segunda oportunidade.
Já a Margarida li dois livros dela e fiquei-me por ai...


message 6: by Daniel (new)

Daniel Pinto | 127 comments não devias ter lido... ;) ahahah


message 7: by [deleted user] (new)

Meninas e meninos, José Rodrigues dos Santos, assim como Margarida Rebelo Pinto (e outros supra-nomeados) não são literatura. Pura e simplesmente. Por isso o comentário "o melhor (dos géneros literários que leio) é o José Rodrigues dos Santos" faz tanto sentido como dizer que os melhores ovos são os de chocolate, da páscoa. Voltemos às origens do intelecto e da arte, amen.


message 8: by Filipa (last edited Mar 30, 2011 01:45PM) (new)

Filipa (filipamoreno) | 112 comments Mod
Acho que dizeres que não é literatura é completamente descabido. Lá por não ser o teu género de eleição ou porque é ficção e não é um trabalho épico ou coisa que o valha, não tens de pejorativamente classificar os trabalhos desses autores como não literatura.


message 9: by Emanuel (new)

Emanuel Santos | 3 comments no que respeita ao melhor, e tambem mais conhecido, na actualidade, concordo com JRS, pese embora os outros nomes lançados tambem sejam muito bons. Nunca li MRP, mas pelas criticas (e valem o que valem) acho que o trabalho dela deveria ser divulgado totalmente online (pensemos nas arcores que poupariamos).


message 10: by [deleted user] (new)

Menina, estudai literatura e comprendei o que ela representa. Aí encontrarás vários géneros, dentro dos quais a épica, certo. Para estar incluído nesse grande universo, um livro tem de ser bom, tem de ter sentido, tem de ter alcance e não ser um mero relato. Tem de ter muitas outras propriedades técnicas, coisas que os livros desses senhores, vénias lhes sejam devidas, não possuem. Lamento. Podem discutir à vontade, mas nunca os encontrarão a ser discutidos pelos literatos.


message 11: by Catarina (last edited Mar 30, 2011 02:22PM) (new)

Catarina (CPinho) | 40 comments A verdade é que gosto pouco de literatura portuguesa...
Fui forçada pela escola a ler alguns clássicos o que serviu para a minha aversão aos autores portugueses aumentar e hoje em dia, só com bastante incentivo me atrevo a ler um autor português. Sendo assim não classifico nenhum como o pior pois não estou em posição de tal, no entanto comecei, com algum receio, uma saga de uma autora portuguesa que me surpreendeu pela positiva e por isso classifico-a para mim como sendo a melhor autora portuguesa o que para muitos pode ser um insulto, assim sem medo digo Sandra Carvalho como minha autora portuguesa preferida, e lembrem-se é a minha favorita, não tem de ser a vossa :)


message 12: by Daniel (new)

Daniel Pinto | 127 comments aliás, basta pensar no seguinte. colocar no mesmo saco um miguel sousa tavares e um josé rodrigues dos santos, juntamente com um Jorge L. Borges ou um Milton ou um Kerouac, é não só injusto para com estes últimos, como boçal. é uma questão de ler, é empírico, quase intuitivo. há nomes que, pura e simplesmente, não relevam para coisa alguma. descabido é metamorfosear uma banda desenhada fantasiosa em prosa e chamar-lhe algo como "a filha do capitão", ou "equador".
mas para que seja mais claro: Ridley Scott faz filmes, Godard faz cinema. faz a analogia.


message 13: by [deleted user] (new)

exacto daniel, e agora que puxas o cinema para a discussão, basta pensar na luta que esses grandes mestres fizeram de todas as suas vidas, Godard, Tarkovsksy, entre tantos outros, ao abdicar do cinema comercial e óbvio, refutando-o, fugindo-lhe, rumando assim à arte que tanto lhe deve.


message 14: by Kendall (new)

Kendall (KendallFurlong) | 14 comments Estou achando este discurssão da literatura portuguesa interessantíssima . Estudei-a na universidade (em Texas) fazem um bocado de anos. Lí os clássicos (Eça, Hercularo, Castelo Branco, e (é claro) Camões e Pessoa, mas depois de me formar nunca mais tive oportunidade de ler, nem mesmo de saber quem estava escrevendo em português. Só conseguí algumas traduções da obra de Saramago recentemente, graças, sem dúvida, ao seu Nobel.

Dito isso, e deixando claro as minhas limitações, parece-me que há no grupo um excesso de severidade para com autores portugueses. Dos que conheço, Alexandre Herculano interessa mais como documento histórico, e Amor de Perdição de Castelo Branco deve interessar sòmente às meninas adolescentes. Mas Eça é muito bom, num mesmo nivel de Machado de Assis e Thomas Hardy. Camões e Pessoa não cedem lugar para ninguém.

Agora, digam-me, onde compro livros em português onde eu moro em Dallas?
--fustrado em Texas


message 15: by Virgilio (new)

Virgilio Machado (vapmachado) | 65 comments Kendal, A Amazon também vende livros de autores portugueses, não muitos. A maior parte, se não a totalidade das editoras portuguesas vende livros online e há até alfarrabistas que vendem através da Internet. Há pouco comprei um livro para um amigo brasileiro por 3 Euros. Sim leu bem, 3 (Três) Euros. Algumas grandes livrarias também vendem pela Web o stock inteiro de livros que têm a quem os quiser comprar. :-)


message 16: by Virgilio (new)

Virgilio Machado (vapmachado) | 65 comments Os melhores e o melhor escritor português da actualidade já morreram todos e o pior nunca chegou a escrever nada ou nada que fosse publicável.


message 18: by Wonder (new)

Wonder | 15 comments Nada mal estarem 3 Portugueses nessa Lista :)


message 19: by KumeKei (new)

KumeKei | 522 comments Acho que considerar JRS "não-literatura" é um bocado elitista.
Nem toda a gente pode gostar de musica classica e fisica quantica.


message 20: by Wonder (new)

Wonder | 15 comments Eu não gosto muito do JRS, mas ir ao ponto de o considerar "não-literatura" é um bocado exagerado. Cada pessoa tem os seus gostos. Imaginem o que era se todas as pessoas gostassem do mesmo...


message 21: by Filipa (new)

Filipa (filipamoreno) | 112 comments Mod
Kumekei e Ricardo, concordo absolutamente com vocês.
Não é por causa dos literatos não os discutirem que estes autores possam ser considerados não literatura.
Foi isso que eu tentei dizer. É claramente elitista, sem dúvida.
Não se pode agradar a gregos e troianos, mas também demonstra mau conhecimento comentar com (quase) malícia, o trabalho que os autores tiveram para publicar e escrever a sua obra.
Claro que cada um tem os seus gostos. No entanto, fazer essa distinção está errado.
E não se está a pôr tudo no mesmo saco - por isso mesmo é que dentro da literatura, existem géneros literários.
Esta distinção, sim, é correcta.


message 22: by [deleted user] (new)

Mas literatura não equivale a livros. Ou seja, nem tudo o que é escrito em forma de história narrada/diário equivale a literatura. É o mesmo que dizer que desenhos de todos nós equivalem a pintura só porque são feitos no mesmo medium. E literatura possui o medium mais expansivo de todos, por isso tantas confusões desde que a literracia se tornou um bem de todos (e ainda bem, note-se). Mas não nos esqueçamos que os escritores não equivalem a quem sabe escrever livros e que ,geralmente, na história do último século, quem mais vende é quem pior escreve. Pensem nisso.


message 23: by Landa (new)

Landa | 6 comments Debate interessante. Já agora aproveito para perguntar como é que sabemos que um romance actual é considerado literatura? A meu ver, José Rodrigues dos Santos não é um mau escritor, independentemente dos seus livros serem muito comerciais.


message 24: by Hirondelle (new)

Hirondelle | 21 comments Ana, penso que estás a fazer alguma confusão.

Desenho por definição não é pintura, porque desenho implica linhas e sombreados. Pintura por sua vez implica, para mim, aplicação de corantes. São coisas diferentes. Desenhos ou pinturas podem ser arte ou podem não ser. Pode depender da intenção, da capacidade do autor. Houve pinturas (q não desenhos) de macacos vendidos em galerias de arte creio. Mas há pouco tempo houve uma análise cientifica interessante sobre como leigos identificam e reajem a obras de arte moderna abstractas ("até um miudo de 3 anos faria aquilo") comparado com desenhos de miudos de 3 anos, e os resultados parecem indicar que mesmo leigos instintivamente dão mais atenção aos trabalhos de "arte moderna".

Acerca de literatura, não sei. Literatura não equivale a livros, porque narrativas orais podem ser literatura. O género de "romance literário" é só uma pequena parte do que constitui literatura. E muitas coisas escritas aparentemente sem ambições literárias podem ter mérito literário. Cervantes achava que o D Quixote não tinha grande mérito, era obra pouco, e que o seu trabalho importante era o Galateia(?) por exemplo.


message 25: by Catsadiablo (new)

Catsadiablo | 6 comments Ana wrote: "Mas literatura não equivale a livros. Ou seja, nem tudo o que é escrito em forma de história narrada/diário equivale a literatura. É o mesmo que dizer que desenhos de todos nós equivalem a pintura ..."

O que é literatura, então? É só aquilo que é estudado pelos intelectuais?
A literatura são livros, são as letras e os estudos das letras. Se falarmos em boa e má literatura, aceito a existências desses rótulos, relativos quanto sejam. Existem também os diferentes géneros literários, que por si só são relativos, uma vez que nenhum deles é estanque, e alguns livros caem em várias categorias, e outros em nenhuma.
Se bem que nunca colocaria no mesmo patamar Os Maias e Crepúsculo, recuso o conceito de livros serem não-literatura. Quem sou eu ou algum de vós para dizer que este ou aquele livro não é literatura? Todos são, e há literatura para todos, por mais que algumas pessoas tentem fazer crer que não, do alto do seu pedestal.
A literatura é de quem lê, e todos os livros são lidos, uns mais que outros.


message 26: by Yolanda (new)

Yolanda (YolaG) Concordo com tudo o que disseste Catsadiablo.
Podemos dizer que existe boa e má literatura, contudo dizer que alguns livros não são literatura apenas porque não encaixam nos parâmetros dos mais eruditos/intelectuais, é um pouco demais.


message 27: by Daniel (last edited Mar 31, 2011 02:11PM) (new)

Daniel Pinto | 127 comments Hirondelle, narrativas orais podem ser literatura?
sugiro que vejas a origem etimológica da palavra "literatura".

não, realmente não se pode dizer que literatura seja apenas a obra estudada pelo intelectual ou pelo erudito. não o é. mas eu insisto na ideia de não se poder arrumar na mesma prateleira camus e sousa tavares (por exemplo). um é entretenimento sob a forma de um livro, o outro não é somente isso, constitui um "plus" para além do entretenimento, o que o alavanca para a dimensão do livro (do camus) enquanto literatura, e não enquanto mero entretenimento. claro, não quero dizer que o camus não entretém, longe disso.
não se criticam aqui os gostos de quem lê os livros dos vampiros e dos dragões e da Nora Roberts e do Nicholas Sparks, são gostos, tudo bem. mas vá... sejam razoáveis, eles não fazem literatura acontecer, não têm alcance suficiente para isso.
isto pode soar elitista e até prepotente, mas parece-me que, todas estas concepções e conceitos, partem da formação e do caminho que cada um traça ao longo dos anos nas suas leituras: há quem opte por pegar nos grandes autores e há quem opte por autores menores, o que não tem mal nenhum, e isto é só a minha opinião.
é tudo uma questão de endorfinas e de chamar os bois pelos nomes.


message 28: by Hirondelle (last edited Mar 31, 2011 02:15PM) (new)

Hirondelle | 21 comments Fui ver, e não compreendo a contradição. Podias explicar Daniel?

Sim, estou a pensar em narrativas orais como literatura - a Iliada e Odisseia e o Kalevala por exemplo. O Kalevala por exemplo porque foi compilado há relativamente pouco tempo só se tornou literatura depois de "compilado" e escrito? E ficando no finlandês por exemplo, linguagens podem ter literatura (poemas, contos, mitos que tenham forma fixa) antes de terem forma escrita?


message 29: by Daniel (new)

Daniel Pinto | 127 comments posso sim.
eu acho que não te entendi bem, e também que não foste muito clara.
e é exactamente isso, o Kalevala e grande parte da mitologia nórdica, só se tornou literatura depois de passada para o papel, antes disso, eram narrativas (lato sensu) de natureza consuetudinária ou costumeira ou tradicional, entendes?, há mitos, há trovas (o que é um bom exemplo), há contos, há poemas que existem de facto, mas que não são literatura enquanto não se consubstaciarem na palavra escrita. :)


message 30: by Catsadiablo (new)

Catsadiablo | 6 comments Daniel, concordo com tudo o distingue Camus de Sousa Tavares. Mas, mais uma vez, estão-se a confundir os conceitos. Ambos são literatura. Se é boa ou má, pode ser discutível, mas aquilo que não se discute é o carácter mais profundo e completo da obra de Camus. É inegável que há livros que são mais que literatura.
Há obras tão completas e complexas que abrangem várias áreas artísticas e sociais. Há obras que são História e outras que são filosofia, e outras que são isso tudo misturado, e se tornam verdadeiros exercícios intelectuais. São livros que são mais que literatura. São as grandes obras que temos.
Passaremos então a considerar literatura unicamente as obras que são mais que literatura? Isso é altamente redutor, e, parece-me,injusto.


message 31: by Hirondelle (last edited Mar 31, 2011 02:25PM) (new)

Hirondelle | 21 comments Daniel, se fizesses o favor e podesses criar novo post, era simpático, por assim recebia alerta - e sim, quero discutir acerca se sobre literatura tem que ser escrita ;) Parece-me injusto para com o Kalevala e especialmente Homero (para não falar do António Aleixo) algo criado por alguém só ter direito a ser considerado literatura quando posto em forma escrita alguém que não o criador. E confesso que estive a googlar o conceito de literatura oral e estou preparada para duelar ;)

Acerca de algo ser literatura ou não, eu chamaria atenção ao facto de que livros escritos sem ambições para além do entretenimento podem vir a ser considerados de alto valor literário para gerações posteriores. Para além do Cervantes, há tb um outro gajo que até morreu noutro dia e cujo nome me elude :p (só a brincar). E vice versa, autores adorados e respeitados no seu tempo podem ser desprezados por outras gerações. Vejam bem a lista de prémios nobel da literatura.

De qq forma, se alguém se arrepia de nomearem X ou Y. a minha opinião é azar para quem se arrepia. E tb não sei o que é melhor escritor. O mais consistente? O que tenha escrito o melhor livro? Número de páginas? Bah, não sei, a literatura na minha opinião não se mede por nada que permita dizer que algo é o "melhor".

Acerca do pior escritor de Portugal, com sorte não publicou nada. Possivelmente até seria eu, se eu escrevesse (mas considero ter que escrever tortura, por isso deem-me licensa sff, vou ler).


message 32: by Catsadiablo (new)

Catsadiablo | 6 comments Acho que a pergunta inicial do tópico está mal formulada. Eu não sei dizer qual o melhor ou o pior, só sei dizer de qual gosto mais ou gosto menos.

Quanto ao melhor, é (quase) sempre aquele que gostamos mais e ninguém os leu todos para dizer que aquele é o pior.

Tal como a Hirondelle, acho que o pior ninguém o deve conhecer :P


message 33: by Hirondelle (last edited Mar 31, 2011 02:51PM) (new)

Hirondelle | 21 comments Estou a ter problemas com o thread, acho que há posts que estão a demorar a aparecer. Ignorem o meu comentário sobre por favor acrescentarem novos posts (embora claro, sim por favor), já vi os novos posts. Mas estou a receber mensagens dessincronizadas e a ver a minha resposta posta a seguir a uma mensagem, mas qd fiz reload minutos depois havia outras mensagens pelo meio. Hmm, confuso.

Daniel, estou a compreender o teu ponto de vista. "Literatura oral" como algo que apesar do nome não é literatura, correcto? Em inglês, e pelo menos na wikipedia (q sei q não é autoridade em nada mas pelo menos dá jeito ) consideram oral literature como parte de literature. Em Português, parece confuso. Eu defendo literatura oral como parte de literatura porque me parece mais justo - em relação a mitos, em relação a línguas que só muito tardiamente tiveram forma escrita (suponho que algumas ainda não terão) e à ideia de criador. Homero (se é que existiu) criou algo, que é literatura, mesmo que só muitos séculos depois tenha sido escrito.

E repito, melhor não sei, e torço o nariz a quem tenha a certeza dogmática de que sabe. Sei de qual (quais) eu mais gosto e de que compro todos os livros - e alguns são melhores, outros piores.


message 34: by Catsadiablo (last edited Mar 31, 2011 03:06PM) (new)

Catsadiablo | 6 comments também estou a receber as notificações atrasadas.
o GR hoje tem estado lento


message 35: by Rui (new)

Rui (rfragoso) | 10 comments A grande maioria dos livros portugueses que leio são 'apostas' já ganhas: são os clássicos. O resto é uma minoria, coisas do José Gil, Saramago, Lobo Antunes, António Damásio, etc. Também tenho uma cópia do "Codex 632"do infame JRS para ler mas ainda não tive tempo nem é prioritário.

Como tenho pouco tempo para ler e muitos clássicos 'inéditos' pela frente prefiro continuar esta estratégia segura.

Ignorando a palavra 'actualidade' da pergunta, respondo que o melhor é o Eça. Não ignorando nada tenho de responder que o melhor é o Saramago porque finjo que ele não morreu :-)


message 36: by Landa (new)

Landa | 6 comments Independentemente dos nossos gostos, penso que é possível ver se determinado livro é ou não de qualidade. Temos o exemplo da literatura "light" cujos livros quase não têm conteúdo e não têm uma linguagem cuidada, no entanto são bastante vendidos por serem uma fonte de entretenimento.

E, hoje em dia o ser de qualidade não quer dizer sucesso. Quantos autores só foram reconhecidos anos depois da sua morte? Na altura podem não ter conseguido uma boa projecção dos seus livros e mais tarde os suas obras serem consideradas grandiosas.

Mas, não me desviando do tópico, e considerando o meu gosto pessoas e não a qualidade, para mim os autores Portugueses actuais que até à data mais aprecio são o José Rodrigues dos Santos e Miguel Sousa Tavares e o que menos gosto é a Margarida Rebelo Pinto.


message 37: by Margarida (new)

Margarida (Tropic_of_Cancer) | 11 comments Confesso que não costumo ler muitos autores portugueses, mas gosto muito muito do José Luís Peixoto (autor que está registado aqui no Goodreads).

Quanto ao pior não faço ideia. A maioria dos leitores que conheço (e aqui também, pelos vistos), apostam na Margarida Rebelo Pinto. Eu cá nunca tentei ler nada dela portanto não posso falar.


message 38: by Miguel (new)

Miguel (MiCingoodreads) | 50 comments Acho que o propósito de tudo isto (debate/tema) é a discussão de ideias, e que surjam alguns apontamentos de livros que despertem a curiosidade de alguém que nos lê, para ler esse autor/a. Não sou nenhum ultra conhecedor de literatura portuguesa, nem um erudito da literatura em geral de forma a classificá-la, compartimentá-la. Não me interessa. Não o pretendo de todo neste momento. Preocupa-me ler, porque é uma fonte, neste momento, de prazer... e a medida que vou lendo um, outros livros despertam a minha curiosidade e seguem-se e assim sucessivamente. A Margarida Rebelo Pinto nunca hei-de ler. Ouço dizer tão mal, por pessoas que deposito a minha confiança de opinião, que está automaticamente excluída (como se os títulos não bastassem). JRS vai no mesmo caminho. Acho que o lia a imaginá-lo a piscar-me o olho no final de cada página. (scary - como faz no noticiário) E, são na verdade, livros grandes demais, e que suspeito não terem muita credibilidade e consistência.


Fiquei desiludido por num espaço dedicado à literatura os nomes que emergiram foram esses (autores tão pobres), e o Lobo Antunes que se localiza no outro extremo, de literatura extremamente densa, e que me arrisco a dizer que não está acessível a todos, mesmo contabilizado apenas os que investem economicamente nele. E entre essas duas margens se esqueceram de escritores tão fundamentais mundialmente como um Fernando Pessoa (para mim não há comparação entre o Desassossego e a Nausea do Sartre, mesmo sendo o tema muito semelhante. A distância é, para mim, colossal a todos os níveis. Infelizmente era português, e pouco se fala dele)

O valter hugo mae n gosto particularmente mas merece o seu espaço. O Saramago, gosto muito dele enquanto pessoa, mas não gosto muito do tom da sua escrita. O Al Berto é excelente, e não sei como não aparece mais nestes lugares. Vejo a lista dos livros de alguns e vejo o Al berto a caber lá perfeitamente. Llansol e a Teolinda Gersão, Mafalda Ivo Cruz e Maria Velho da Costa têm momentos geniais de literatura, mas sofrem duma dificuldade semelhante ao Lobo Antunes. Gonçalo M.Tavares como se esqueceram dele? João Tordo, um bom contador de histórias. Peixoto devia dedicar-se ao conto, porque num livro completo perde-se. Foi a sensação que fiquei dos que li dele. Mas tem apontamentos lindíssimos. Há muitos autores portugueses que ainda não li, e que devem valer a pena. Lídia Jorge, Agustina, Alves Redol e Jorge de Senna. Uns que gosto muito e que vivem no anonimato quase absoluto, e "acessíveis" de ler. João Aguiar e Paulo Castilho: Fora de Horas. Um livro divertido e interessante!

Desilusões. Eu tento prevenir-me mas a Rosa Lobato de Faria ficou além do esperado, e o Miguel Sousa Tavares ainda mais, e há outros.

Já fica um super texto, com algumas sugestões.


message 39: by Daniel (new)

Daniel Pinto | 127 comments Mic,

amen.


message 40: by Miguel (new)

Miguel (MiCingoodreads) | 50 comments :P eu só não dou um amen às 5 estrelas no Lobo e o mar. O Hemingway é um mito, e esse livro é a bandeira dele. Foste enrolado!! :) (lol) Stephan Crane "o barco aberto". Joseph Conrad "Juventude", são muito mais enriquecedores.


message 41: by Daniel (new)

Daniel Pinto | 127 comments calma, calma.
em que medida é o hemingway um mito?
a bandeira do hemingway não é nenhum romance que ele tenha escrito, é o conto, ele é um contista nato. e o velho e o mar não pretende ser enriquecedor, pretende ser uma metáfora/relato sóbrio e simples. é uma obra-prima, não há palavras a mais, não há palavras a menos, são sempre as palavras mais certas e mais simples.
o crane é sobre-valorizado... :) foste enrolado...lol :)


message 42: by Miguel (new)

Miguel (MiCingoodreads) | 50 comments Isto podia ser o seguimento da conversa do Bolaño. E o Hemingway é um génio?

Crane sobre valorizado. Gostei da vingançazita!! lol. Não sei. Apenas li esse conto que falei dele. E tenho a impressão que poucos o conhecem, mas posso estar enganado, vou estar mais atento.

Apenas falei desses dois livros, porque quando se fala de livros passados no mar (um tema que gosto muito), O Velho e o Mar aparece como a referência. E, para mim, é uma fraude. Pouco se refere ao mar. O tema principal é a solidão, o paradigma juventude/velhice, o relato de um homem já gasto, que no mar tenta persistentemente encontrar o seu sustento. Pesca um peixe e volta à Terra. lol. Acho que, nestes temas, pretende ser enriquecedor. Todos os livros terão a pretensão de o ser, por mais simples que seja o relato. Tento sempre retirar pelo menos uma mensagem nos livros que leio.

Justificativos técnicos, do número certo de palavras e as mais simples. É uma abordagem abstracta. Efémera. Subjectiva. (e sei q não és só tu que defendes isso), eu tenho dificuldade em assimilar com ligeireza esses argumentos...

Para mim é uma linguagem simples, na fronteira do pobre. Paul Bowles, Laurent Gaudé (por exemplo) dois escritores de linguagem simples, mas carregados de momentos riquíssimos. Atravesso um livro do Hemingway, e para arranjar duas ou três citações, ou descrições sublimes, não há. E a desculpa não é ter lido um livro fraquito dele, porque é um dos seus mais emblemáticos. O jardim do Eden sofre do mesmo defeito.


message 43: by Hirondelle (last edited Apr 05, 2011 11:53AM) (new)

Hirondelle | 21 comments Talvez a literatura não se resuma a citações ou descrições sublimes. Primeiro sublime depende do ponto de vista, algo precioso para alguém para outra pessoa pode ser pedante ou rococó ou possidónio. Segundo, por uma citação ou descrição normalmente é indicativo da qualidade da prosa ( ou escrita se quisermos generalizar e aplicar tb a poesia). E prosa não é tudo. Há muitas outras coisas, como enredo, personagens, o que um livro faz uma pessoa pensar ou sentir.

São só os meus $0.02. ( e não gosto especialmente de Hemingway. Embora por outras razões que não "falta de qualidade" da prosa.)


message 44: by Daniel (last edited Apr 06, 2011 04:34AM) (new)

Daniel Pinto | 127 comments bem, na verdade, o velho e o mar não é exactamente sobre o mar. o mar é um personagem instrumental no soberba metáfora.

"O tema principal é a solidão, o paradigma juventude/velhice, o relato de um homem já gasto, que no mar tenta persistentemente encontrar o seu sustento. Pesca um peixe e volta à Terra. lol.", está claro que dizer isto está ao nível de resumir o futebol como "vinte e dois bacanos a correr atrás de uma bola". é fácil relativizar, o que nem sempre é muito correcto. é o mesmo que eu dizer que a metamorfose de kafka são sensivelmente cem páginas sobre um insecto num quarto a ser incomodado por uma família bisbilhoteira. e pronto, fica assim ridicularizado uma das prosas mais influentes do séc xx.

"justificativos técnicos". a minha abordagem é abstracta e efémera, pois bem, adjectivar por adjectivar é um bom exercicio de estilo, mas não neste caso. a escrita de hemingway é minimalista e, como tem vindo a confirmar-se ao longo de uns anos valentes, inimitável. repara, estamos no domínio das plavras que em si mesmo são abstracções, tal como os números. quando alguma coisa não é concordante com o nosso ponto de vista, entra o argumento de que tudo é subjectivo, e isso sim, é ligeireza.
a escrita minimal do hemingway, muito directa, muito fria, muito masculina, é simples, de facto; mas, de efeitos muito complexos. tal qual como nas telas impressionistas: cores simples, situações simples, mas efeitos deveras complexos.

dizer-se que a linguagem do hemingway se encontra na fronteira do pobre, é tão absurdo quanto eu dizer que o josé cardoso pires tem (tinha) um talento inato para paleontologia. não sei como refutar uma afirmação dessas, honestamente. isto é só a minha opinião.

o lobo antunes diz o mesmo que tu: não há frases com impacto no hemingway, não há uma que se sobressaia, mas depois acrescenta que nenhuma frase está lá ao acaso. é impressionante (isto não pretende ser um argumento de autoridade). e não encontras descrições sublimes?, nunca ouvi tal coisa. é-me muito estranho ler essa afirmação, sinceramente.

é um dos mais emblemáticos, sim. mas mais uma vez digo, o hemingway não é um escritor naturalmente de prosa extensa, é um contista. um exímio contista. e não há forma de o conhecer bem somente pelos romances, que por sinal, em geral, são excelentes.

isto é só a minha opinião, mas não percebo muito disto, só lhe li alguns livros...

e termino citando uma resposta do hemingway ao faulkner:
"pobre faulkner. pensará mesmo que as grandes emoções derivam de grandes palavras? ele acha que eu não conheço palavras caras. conheço-as, e muito bem. simplesmente, há palavras mais antigas e mais simples e melhores, e essas são as que eu uso."


message 45: by Daniel (new)

Daniel Gonçalves (danielgoncalves) | 50 comments não leio muitos autores portugueses... prefiro os estrangeiros. Pode ser um pouco egoista não comprar e ler o que é português, mas depois de ler josé rodrigues dos santos... o melhor é dedicar-me aos estrangeiros


message 46: by Miguel (new)

Miguel (MiCingoodreads) | 50 comments Olá. Penso ter havido uma tendência, natural pelo meio físico que é, de particularizar o que eu disse.

Hirondalle eu não leio para encontrar grandes citações. Referia-me apenas a que o livro é tangencial por todo, que nem frases poéticas, ou citações se encontram, ou outros elementos que sobressaiam... Nada parece sobressair. Há depois outra coisa, falo sempre do Hemingway no limiar do pobre, mas um suficiente. O autor que se lê, dificilmente se abandona o livro, porque pela sua simplicidade também nos cativa, sem exigir um grande esforço. Um contista como fala o Daniel.

Gostava de fazer uma ressalva, eu não o considero um mau escritor, apenas mediano (um2/3), tudo isto iniciou, de questionar a nota máxima que o Daniel lhe deu, no sentido de averiguar se isso se justificava realmente?

Daniel, gostei da tua intervenção, eu faço isto mais de improviso. Demasiado de improviso às vezes, como a última.

Já tinha ouvido as opiniões do Lobo Antunes, mas já não me lembrava. Em relação à resposta ao Faulkner, fez-me lembrar imediatamente o livro, O barba Azul do Kurt Vonnegut. Conheces? Vou contar sucintamente. (um pouco à semelhança do que fiz com o velho e do mar :P uma sinopse hilariante)

Um pintor abstracto, incompreendido por todos, que era pressionado para pintar elementos mais figurativos, que o seu talento técnico fosse exposto. Ele aparentemente não seguia qualquer apelo, até que na hora da sua morte, quando todos vão ao seu atelier tinha lá o último quadro da sua vida que demonstrava todo o virtuosismo técnico, e que deixou todos subjugados ao seu talento. Pode-se depreender que a partir daí procuraram prestar outro tipo de atenção ao quadros abstractos que antigamente não reconheciam o valor do artista.

O Hemingway pode ser o Barba Azul, mas que nunca fez o quadro final? Talvez, um pouco, para mim. Porque não encontro argumentos suficientes para que lhe seja atribuído tanto protagonismo


message 47: by Miguel (new)

Miguel (MiCingoodreads) | 50 comments "não leio muitos autores portugueses... prefiro os estrangeiros. Pode ser um pouco egoista não comprar e ler o que é português, mas depois de ler josé rodrigues dos santos... o melhor é dedicar-me aos estrangeiros"

Conclusão:

Ainda não encontrou no estrangeiro um escritor tão mau como o José Rodrigues dos Santos, senão talvez parasse definitivamente de ler. lol


message 48: by Miguel (new)

Miguel (MiCingoodreads) | 50 comments ...O José Rodrigues dos Santos está mesmo no fundo do poço.


message 49: by Tânia (last edited Apr 19, 2011 10:08AM) (new)

Tânia | 25 comments O escritor português que leio com mais prazer é Eça de Queiroz agora quanto ao pior não faço ideia. Tento sempre ler bons livros de escritores consagrados, por isso quanto ao pior não me posso pronunciar.


message 50: by Cynthia (new)

Cynthia Cassandra (Windsidh) | 5 comments Lobo Antunes, sim. Louco, loucamente genial. Denso, difícil, dá luta... a palavra emerge como que encalhada em imagens sucessivas... o pensamento parece-nos ser bem mais rápido do que a palavra com mestria manipulada.

Aquilino Ribeiro, denso e escuro como um lobo no meio de tanta literatura de entretenimento da sua época.

Fernando Pessoa e todos os seus heterónimos, conhecidos, desconhecidos e ainda por conhecer.

Camões.

Cesário Verde.

Eugénio de Andrade.

O louco e subversivo homem das imagens-flash na poesia portuguesa, esse que como um rasgo rompe a atmosfera cinzenta e conformada que ainda hoje permeia a nossa poesia «de estimação»: AL BERTO.

Sophia,a luz e o sal da dansa no mar. Infelizmente, ainda não amada como merece - a sua poesia está para além da intervenção e da beleza...

Daniel Faria, lúcido e por isso esquecido.

Noutro nível: Alexandre O'Neill, Bocage, Herberto Helder. Alguém compreende a poesia de Alice Vieira? Ainda não consegui «entrar» nesse mundo dela... sempre me habituei a considerá-la do ponto de vista da grande narradora... a poesia escapa-se-me por entre os olhos, dilui-se...

Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis.

valter hugo mãe, sim.
José Luís Peixoto antes de padecer do mal de «deslumbramento» que o faz perder-se nas narrativas e tornar-se um pouco «umbilical» na sua abordagem.

Algumas vozes interessantes: Paula de Sousa Lima, Carlos Vale Ferraz.

Quando pretendo entreter-me, também leio (e já li, para poder criticar com propriedade) JRS e MRP, Miguel Sousa Tavares, Inês Pedrosa, Pedro Paixão (não entendo o sentido estético da sua «obra»)... quanto a mim o Paixão supera, na ausência de uma proposta estética, todo o mal que JRS, MRP e todos os outros possam ter causado. Pura e simplesmente, trata-se de palavras alinhavadas sem propósito, sem objectivo, sem beleza, sem... nada de nada, novo ou velho, motivo de interesse. Então, não leio... :)

B


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