LITERARY HURRICANE discussion

Americanah
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Mai/2015 * Americanah > Maio/2015 * Americanah * Terminado / Possibilidade de spoilers

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message 1: by Joana (new)

Joana Diniz (joaan_) | 317 comments Tópico para quem já acabou Americanah, da Chimamanda Ngozi Adichie!
E aí, o que acharam?


message 2: by Fernanda (last edited May 08, 2015 05:52AM) (new) - rated it 5 stars

Fernanda | 49 comments Ainda não terminei o livro, mas já que meu comentário contém spoilers escrevo aqui.

Lá pelos 75% do livro o racismo vira o foco da estória. Sei bem que essa é uma questão crucial nos Estados Unidos, mas provavelmente porque nunca sofri ou presenciei tal preconceito (nos EUA), passei a achar que esse ponto estava se tornando repetitivo demais. Até que entra em cena a campanha do Barack Obama e percebo que realmente racismo era sim o tópico central de discussões em 2007/2008.

As “dinner-party discussions” são tão realistas que me sinto ali, fazendo parte daquelas mesmas conversas. Meus colegas da época, também estudantes e professores universitários, fizeram os mesmos comentários. Eu, a princípio, pensava como Ifemelu e apoiava a Hillary Clinton at é que a campanha do Obama engrenou e passei a torcer pelo Obama. A parte onde ela escreve: “Even the idea of being ready is ridiculous” traduz o quanto o problema racial era desmesurado.

Gosto também como a Ifemelu é uma personagem bem real, sente inveja e tem receios, capaz de amar e mesmo assim mentir. Agora estou curiosa pra saber se regressará à Nigeria ou não!


Jessica Ohara | 163 comments Eu já tinha começado a ler esse livro e depois parado, mas agora tive a magnifica chance de voltar para ele.

A história tem várias sacadas muito boas, mas com certeza o que chama atenção é o fato dela procurar mostrar mais sobre o racismo quando Ifemelu já está bem mais inserida na sociedade americana. A parte de que ela só se sentiu negra, ou melhor vista como negra ( e isso sendo uma coisa ruim) quando foi para fora da Nigéria, entender o que é realmente uma fronteira racial é muito forte.

Eu estava meio intrigada com a principal, ela não era o esperado. E isso me fez refletir sobre muitos personagens principais ou coadjuvantes negros, sobre o comportamento que se traça deles em alguns livros que eu li, quando fazem os bons, são honestos, fortes, capazes de perdoar e passar por cima e quando são os maus, são furtivos, com um passado ruim ou com ambição demais, nos dois casos estão ou muito acima ou abaixo do que é o comportamento humano, como se fosse uma justificativa de estarem ali. Muitas outras linhas de história, com personagens de diversas raças seguem esse modelos também, mas quando se trata de povos oprimidos notei que isso se torna ainda mais comum.
A história de Ifemelu me fez entender que existia esse estereótipo simplesmente ao desconstruí-lo(Isso me lembrou totalmente o TED dela sobre single vision). Mostrando-me uma pessoa com todos os problemas que alguém por azar pode ter, com amor, dinheiro, familia, língua e que, infelizmente, podem ser duplicados pelo preconceito racial.


message 4: by Fernanda (last edited May 15, 2015 03:41AM) (new) - rated it 5 stars

Fernanda | 49 comments Perdao! nao tenho como colocar acentos neste teclado :(

Oi Jessica, gostei da sua observacao sobre o exagero em personagem bom = honesto, forte etc e personagem mau =furtivos, ambicao demais, principalmente quando se trata de classes oprimidas.

O que eh "TED sobre single vision"?

No caso da Ifemelu acho que ela eh sortuda - passou apertos mas se deu bem nos EUA, sempre foi a responsavel pelos fins de relacionamento e ficou com o Obinze no final! E mesmo na volta pra Nigeria ela se deu bem. Mas claro, quando tudo estava dando errado o preconceito racial sempre piorava a situacao! Gostei disso tambem, de ver uma personagem negra que obtem sucesso.

Tambem gostei como retratou a Nigeria atual, a situacao da classe media/alta e a condicao de muitas mulheres, onde casamento ainda eh a maneira de se conquistar ou manter uma situacao financeira boa.


Jessica Ohara | 163 comments Era meio isso que eu queria dizer, sobre o poder de escolha de Ifemelu, sobre também fazer cagada ou se sentir impotente, mas principalmente por esse poder de decisão sobre o próprio futuro. É um tipo de representação que eu não vejo sempre.
TED é tipo um evento com palestras curtas, de pessoas com algumas opinião


Jessica Ohara | 163 comments O dela é sobre estereótipos, single visions. É incrível, dá uma procurada no YouTube.


Fernanda | 49 comments Jessica wrote: "O dela é sobre estereótipos, single visions. É incrível, dá uma procurada no YouTube."

Vou procurar!


André Caniato (vardamir) | 421 comments Aqui, Fernanda: https://www.youtube.com/watch?v=D9Ihs...

(tentando não ler os spoilers só pra deixar o link desse vídeo maravilhoso)


Fernanda | 49 comments E aí, mais alguém terminou o livro?

André, obrigada, vou assistir esse vídeo!


Raquel V (raquelvcc) | 444 comments Eu terminei, mas ainda não tinha conseguido escrever nada, de tanto que mexeu comigo. Acho que foi a Fernanda que falou em algum lugar o quanto se surpreendeu com como se identificou com a personagem, e eu senti isso também. Só fortaleceu pra mim o quanto você não precisa ser do mesmo país, cultura, raça ou qualquer outra coisa para se identificar com um personagem (eu "sei" isso, cognitivamente, mas é muito bom sentir isso de fato).

A razão que mexeu tanto comigo é porque este livro me fez me dar conta de algo dentro da minha própria experiência de vida que eu nunca havia me dado.

Bom, eu nunca me senti como minoria nenhuma enquanto morava aqui no Brasil. Mas quando eu fui morar nos Estados Unidos, muito como a Ifemelu, eu me vi em um papel que eu nunca tinha percebido que existia. Eu morei lá dois anos, dos 16 aos 18, e fiz um ano de High school e um ano de faculdade (que foi a razão pela qual eu fui pra lá) E eu cheguei lá e de uma hora para a outra eu era uma extrangeira. E mesmo quando o meu sotaque era perfeito, e as pessoas presumiam que eu era americana, eu ainda me sentia como uma estrangeira. Toda vez que eu dava oi para alguém sem beijar a pessoa na bochecha, eu me sentia não pertencente.

Essa com certeza não foi a única razão pela qual eu fui embora (ao invés de terminar a faculdade lá, que era o plano). Mas eu me dei conta, ao ler esse livro, que foi uma delas. Eu - na minha arrogância adolescente - detestava o Brasil quando saí daqui. Hoje, com mensalão e petrolão e tudo mais, eu amo. Não porque somos perfeitos, mas porque eu pertenço!

Gigante esse "desabafo", sorry! ("Sorry" - minha Americanah interna ainda está presente, faz parte de quem eu sou, bem ou mal). Mas eu amei o livro, e fico muito feliz de ter saído da minha zona de conforto para lê-lo!


Raquel V (raquelvcc) | 444 comments Acabei de ver o TED dela. Nossa, que incrível! Ela fala com um poder sutil e delicado. Obrigada pela dica, gente!


André Caniato (vardamir) | 421 comments Acabei de terminar. Confesso que, pra mim, homem latino branco que nunca saiu do estado em que nasceu, foi difícil me enxergar na Ifemelu, então tratei de ler e observar tudo como o "White Friend Who Gets It".

Achei o livro maravilhoso. A Chimamanda já mora no meu coração desde Hibisco Roxo, e Americanah veio só pra fortalecer esse amor. Vi muita gente reclamando que o livro é meio "in your face" demais, que é como se fosse um ensaio com personagens jogados no meio. O que acham sobre isso? Talvez por ter lido essas críticas antes de ler o livro, esse aspecto não me incomodou. Até porque é uma ficção meio histórica, né? Contemporânea, mas histórica ainda assim (não tenho dúvida alguma de que todo o sentimento da eleição do Obama tenha feito muitas pessoas reais se sentirem daquele jeito).

Uma coisa que eu tive que aprender bastante com o decorrer do livro é o quão humana a Ifemelu é. Isso me faz pensar em quanto a Chimamanda teria colocado de si mesma na personagem. A Ifem está longe de ser aquela protagonista perfeita que busca fazer com que o leitor se apaixone por ela. Ela erra, ela é arrogante em muitas situações, é como se eu estivesse lendo o relato de uma pessoa real.

Só não gostei dos últimos capítulos, mas aí é por gosto pessoal. Achei que o romance, acentuado daquele jeito, destoou do resto do livro. O que acharam disso?


André Caniato (vardamir) | 421 comments Raquel e Fernanda, deem uma olhada nesse outro depois: https://www.youtube.com/watch?v=hg3um...


message 14: by Fernanda (last edited Jun 05, 2015 12:08PM) (new) - rated it 5 stars

Fernanda | 49 comments Hey, white friend who gets it!

Não critico o livro por ser "in your face", gostei bastante do estilo! Melhor que escritora era direta do que se ela tivesse escrito de uma maneira muito sutil.

Esse livro me fez ler o "Half of a Yellow Sun", que gostei bastante também (embora ainda prefira o Americanah). Vou colocar Hibisco Roxo na minha wish list.

Quanto ao final, achei que a Ifem foi sortuda demais. Depois de tudo que aconteceu e do tempo que passou, o Obinze saiu de um casamento pra ficar com ela! Será que é tão fácil assim? Mas não lembro de ler e achar que o romance estava destoando do livro, sei lá, gostei das descrições apaixonadas! kkk Acho que me pegou em uma época romântica!

Ainda não vi o TED dela - tenho que assistir!


message 15: by Fernanda (last edited Jun 05, 2015 12:03PM) (new) - rated it 5 stars

Fernanda | 49 comments Raquel wrote: "Eu terminei, mas ainda não tinha conseguido escrever nada, de tanto que mexeu comigo. Acho que foi a Fernanda que falou em algum lugar o quanto se surpreendeu com como se identificou com a personag..."

Oi Raquel!

Gostei do seu desabafo! Acho que passei pelas mesmas emoções lendo Americanah.

Vim pra Inglaterra em 2004 e no começo amei tudo que era novo, mas em 2008 baixou aquela vontade doida de voltar para o Brasil, exatamente porque não me sentia "pertencente"! O que era novidade já não era mais e eu nunca deixaria de ser uma estrangeira. Por anos fiz de tudo pra convencer meu namorado, atual marido a mudarmos para o Brasil, mas nunca deu certo.

Hoje tenho uma filha (e outro bebê a caminho) e não sei porque não importo se fico aqui ou volto. De repente porque sei que que meus filhos serão "pertencentes" por aqui, me sinto um pouco mais enraizada.

Ah, mas amor mesmo eu tenho pelo Brasil!

Texto editado - agora com acentos :)


Raquel V (raquelvcc) | 444 comments Primeiro, obrigada Fernanda!

Segundo, achei um pouco "in your face", mas não me incomodei com isso também porque combinava com a hitória da Ifem. Não pareceu nem um pouco só um ensaio com personagens, todos eles me pareceram muito, muito humanos. Inclusive a coisa que mais gostei foi como eu não senti que o livro julga ninguém. Ele tem uma posição clara sobre a maneira que os negros são tratados dentro da cultura americana (e sobre diversas outras coisas também, como feminismo, imigração e outras culturas), mas eu não senti que o livro estava dizendo que alguém era ERRADO. São muitas pessoas, algumas sem noção, com perspectivas diferentes.

E eu senti o oposto André, quanto ao final. Uma das minhas únicas reclamações para este livro é que ele não é muito esperançoso. O ponto de vista da Ifem, até quando ela não está passando por coisas ruins e está crescendo, é sempre voltado para o que está faltando na vida dela. Ela nunca está satisfeita, com nada e ninguém. Isso me incomoda, especialmente porque não foi claramente expressado no livro. Se não fosse pelo Obenize eu não teria gostado tanto do livro. Ele salvou pra mim (ele e o namorado branco americano que eu não me lembro o nome, por trazer tanta leveza pra trama).

Mas talvez isso seja só eu, a pessoa que precisa de esperança em todos os livros que lê!


Jessica Ohara | 163 comments Fernanda wrote: "Quanto ao final, achei que a Ifem foi sortuda demais. Depois de tudo que aconteceu e do tempo que passou, o Obinze saiu de um casamento pra ficar com ela! Sera que eh tao facil assim?"

Eu também achei que ela deu maior sorte hehe além de que o Obinze foi bastante corajoso por fazer isso.


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