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Discussões > Os melhores Clássicos da Literatura Portuguesa

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message 1: by Gabriela (new)

Gabriela Lima | 9 comments Olá Gostava de saber quais são os melhores clássicos da literatura Portuguesa?
OS meus são:
1- Os Maias de Eça de Queirós
2- Os Lusíadas de Luís de Camões
3- Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco
4- Viagens da Minha Terra de Almeida Garrett
5- Memorial do Convento de José Saramago
6- Sermões do Padre António Vieira
7-Peregrinação de Fernão Mendes Pinto
8- Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente
9- Livro do Desassossego de Fernando Pessoa
10- Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós


message 2: by Teresa (new)

Teresa Durães | 67 comments Cântico Negro
José Régio

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!


message 3: by [deleted user] (new)

Sem ser em ordem de preferencia:
1 - Coração, Cabeça e EStomago de Camilo Castelo Branco
2 - Cronica de D. Joao I de Fernao Lopes
3 - Portugal Cuidadoso e Lastimado.... de Jose Pereira Baiao
4 - Cronicas em geral desde o sec XV ao XIX
Sou um gajo arcaico logo tenho gostos arcaicos.


message 4: by Teresa (new)

Teresa Durães | 67 comments Virgílio Ferreira - Aparição
Virgílio Ferreira - Manhã submersa
Eça de Queirós - O crime do padre amaro
Eça de Queirós - Os Maias
José Leite de Vasconcelos - Religiões da Lusitânia
José Cardoso Pires - De Profundis Valsa Lenta
Camilo Castelo Branco - Amor de Perdição


Poesia:
Eugénio de Andrade
José Régio
Fernando Pessoa
Sophia Mello Breyner


message 5: by Cristina (new)

Cristina Manso | 10 comments Prosa
Sousa Tavares- O Equador
A Cidade e as Serras- Eça de Queirós
A Menina do Mar- Sophia de Mello Breyner
Os Nós e os Laços - Alçada Baptista
As Viagens na Minha Terra-Almeida Garrett

Poesia
Camões- sobretudo os poemas na medida velha.
Miguel Torga
Eugénio de Andrade
Fernando Pessoa
António Gedeão
Florbela Espanca


message 6: by Teresa (new)

Teresa Durães | 67 comments Às vezes a vida é somente assim


Poema do silêncio
José Régio

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
-Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi trági-cómicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. Ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalómano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.


message 7: by Nuno (new)

Nuno de Oliveira (nunodeoliveira) Húmus (Raul Brandão)
Arco de Sant’Ana (Almeida Garrett)
As Naus (Lobo Antunes)


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