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The Drowning Girl
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Leitura Coletiva > The Drowning Girl (Ago/2018)

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message 1: by Thiago (last edited Aug 01, 2018 08:16PM) (new) - rated it 5 stars

Thiago (thiago7) | 389 comments Mod
Galera, nosso livro do mês é The Drowning Girl, da Caitlín R. Kiernan.

Pra quem não conhece a autora:


Caitlín Rebekah Kiernan (nascida em 26 de maio de 1964) é uma autora americana, nascida na Irlanda, de ficção científica e obras de Dark Fantasy, incluindo dez romances, muitos quadrinhos e mais de duzentos e cinquenta contos publicados, novelas e vinhetas . Ela também é autora de artigos científicos no campo da paleontologia. Kiernan é duas vezes vencedora dos prêmios World Fantasy e Bram Stoker.

Enfim, ela é muito fodona, além disso tudo tem várias colaborações com o Neil Gaiman e é uma das mais audaciosas e originais continuadoras do Lovecraft.

Sobre o livro:

The Drowning Girl: A Memoir é um romance de 2012 da escritora norte-americana Caitlín R. Kiernan, situado em Providence, Rhode Island (terra natal do Lovecraft). A narradora de história ( e protagonista não confiável) India Morgan Phelps (também conhecida como Imp) é esquizofrênica.

A obra tem sido descrito como uma "misteriosa obra-prima de horror literário e fantasia sombria" contendo elementos de realismo mágico. Também foi descrita como semi-autobiográfica. O romance foi traduzido para vários idiomas, incluindo português: A Menina Submersa: Memórias

A Menina Submersa Memórias by Caitlín R. Kiernan The Drowning Girl by Caitlín R. Kiernan .


Thiago (thiago7) | 389 comments Mod
Só mais uma coisa, dei uma olhada e notei que 11 membros do grupo já leram esse livro. A media dele aqui no grupo é de 4,54 estrelas de 5. Acho que vcs podem conferir aqui:
https://www.goodreads.com/group/show_...

Ok, outra coisa, eu nunca digo isso, até poque prefiro mil vezes ler a escutar um livro, mas... Quem tiver a oportunidade ouça esse, a narração é fantástica, incrível mesmo. Ouçam uma palinha aqui:
https://www.audible.com/pd/Sci-Fi-Fan...


Raquel V (raquelvcc) | 497 comments Mod
Eu estou escutando o livro (estou quase no final, na verdade, faltam só 13 minutos para terminar) e estou completamente encantada. (view spoiler)

Ao mesmo tempo, fico pensando que esse livro mexe muito com a saúde mental da pessoa. Me senti mexida, várias vezes, e sei que se eu estivesse na minha fase deprê, iria ser bem complicado para mim. É um livro denso emocionalmente.

Engraçado, porque não achei um livro desesperançoso (tipo de livros que me deixam deprê), só confuso mesmo. E acho que a ideia era essa. Não é um livro que se compreende com a razão, mas com a emoção. É um livro complexo demais para se colocar em palavras, dentro de uma narrativa linear simples. Eu não me senti confusa durante o livro, mesmo que eu não tenha entendido metade do que realmente aconteceu. Normalmente eu ODEIO me sentir confusa em livros por muito tempo, e nesse eu estava confusa basicamente livro todo. E por isso achei o livro tão brilhante. Essa é a graça, o interessante, desse livro: você não entendeu nada, mas sente que compreendeu o que a autora queria passar mesmo assim. Essa falta de compreensão não te deixa perdida, te deixa satisfeita, como se isso fosse a perfeição do livro. Ao mesmo tempo isso me deixou questionando a minha sanidade mental, porque eu me identifiquei muito com a Imp.

Os personagens foram maravilhosos, btw. Nossa, desde de a representatividade ter sido feita de uma forma tão delicada e objetiva, até a construção descontruída dos personagens (tanto a Imp, quanto a Abeline, quanto a Eva). Amei que a transsexualidade da Abeline foi explicita e explicada, tudo dentro de uma conversa muito natural e emocional. Amei que a condição mental da Imp foi tratada de uma maneira tão coerente e ao mesmo tempo humana, abordando aspectos físicos, mentais, emocionais, sociais e até financeiros. Amei, como uma boa psicóloga sistêmica, a trigeracionalidade envolvida na doença dela. Isso é tão lindo, explica tanto e de uma maneira tão completa e complexa.

Enfim, amei este livro! Espero que todo mundo leia! Quero falar ainda sobre (view spoiler) Quem quiser falar mais sobre isso, me fala!


message 4: by Lanko (last edited Sep 18, 2018 04:13PM) (new) - rated it 4 stars

Lanko | 218 comments Mod
Eu tô tendo um pouco mais de dificuldade com o livro do que vocês. Comecei o capítulo 4 (uns 30%).

Uma das boas premissas seria a narradora não confiável, onde você tentaria imaginar se coisa X aconteceu ou não. Mas a Imp é muito auto-consciente e mal te dá margem pra isso, já que ela mesma não sabe e ao mesmo você também não tem como saber.

Por exemplo, vou usar o exemplo da Sansa no Game of Thrones. Ela fica presa lá na capital por uns 3 livros, aí lá no quinto quando escapa ela começar a lembrar umas coisas e eventos que você para e pensa "peraí, mas isso não aconteceu? Ou aconteceu?" Aí você volta nos livros passados e vê que não aconteceu mesmo, e aí começa a pensar "será que ela tá imaginando coisas? Toda aquela pressão afetou a mente dela?" E aí você fica meio bolado quando percebe isso, ao mesmo tempo que o personagem não faz a menor ideia e segue como se nada tivesse acontecendo, mas você sabe.

Com a Imp é diferente. Ela sabe (e muito bem) sobre a esquizofrenia, os remédios, os nomes, as causas e consequências. Ela diz, de certa forma, na cara dura "ah eu posso tá imaginando ou até mentindo sobre isso", e algumas vezes ela soa totalmente pomposa e irritante. E às vezes parece que não é a personagem, mas a autoria especificando situações pra dizer "é assim que alguém com essa condição pensa".

Por outro lado, quando isso não acontece é que a história fica bem interessante. A Imp menciona no começo uma tentativa de suicídio e o suicídio da avó ou mãe. Os interesses artísticos dela, das pinturas, histórias e do histórico dos artistas retratam muito sutilmente as tendências suicidas dela, e pelo menos até o capítulo 3, sem a auto-consciência da Imp comentando sobre isso. O que torna o fato até um pouco mais creepy, e te leva a pensar o que pode acontecer no futuro.

Outro tópico bem levantado são os transtornos obsessivos compulsivos dela. Se isso e as tendências suicidas são fruto da esquizofrenia, é o que resta descobrir. Alguns eventos, como encontrar a Eva, nem parecem ao certo fruto de esquizofrenia. Acho que a maioria das pessoas iria reagir igual a Imp se encontrasse alguém pelada na beira da estrada de madrugada recitando passagens de Moby Dick. Ou talvez essa seja a intenção da autora, que talvez era alguém mesmo precisando de ajuda e a Imp não sabia discernir.

Também tem umas passagens muito boas que valeram a pena serem grifadas.

Ainda to meio "so-so" com o livro, mas vamos ver até onde ele vai. Eu também não esperava que ia ser um estilo meio "memoir".


Lanko | 218 comments Mod
Terminei de ler Drowning Girl. Gostei muito. E olha que eu quase desisti.

Exatamente depois da minha crítica acima, no capítulo 4 a história muda bastante, a Imp deixou de me torrar a paciência e curiosamente a tendência suicida ficou um pouco mais explícita com as pesquisas dela sobre aquela floresta japonesa (view spoiler).

As coisas ficaram mais sutis, a escrita melhorou muito e a história decolou.

Toda aquela pesquisa sobre o que poderiam estar pensando artistas quando criam suas obras foram fenomenais. Eu até pesquisei na internet sobre o tal do Saltonstall e do Perrault, e pra minha total surpresa, eles não existem. Foram criados especialmente pro livro (assim como as pinturas descritas). Algo confirmado pela própria autora no final do livro também.

Fiquei pasmo, porque o nível de detalhe nas obras e nos artistas foi tanto que nunca passou pela minha cabeça que eles só existiam na cabeça da Imp.
Bem, considerando que era uma "ghost story", até que faz total sentido, embora eu ainda não tenha certeza se foi intencional da autora ou uma baita duma coincidência inconsciente. As pinturas sim, mas os autores não sei.

Depois o "unreliable narrator" começa a trabalhar. Como quando ela diz nunca ter falado sobre a Eva, e então lembra "mas na página X eu escrevi que falava dela com a doutora" eu fiquei "aham, escreveu mesmo".

O capítulo 7 foi muito bom, muito inspirado, soou muito natural. Até dá pra simpatizar com a obsessão da Imp pelo número sete.

O estilo era mesmo "memoir"...era de fato o título do livro que acabaram removendo, talvez achando que iria afastar alguns leitores. Comigo foi o oposto, estranhei muito o estilo inicial, e teria vindo mais preparado se tivesse mantido no título (que tava ali por um motivo né).

Por fim, deu uma certa pena da Eva no final (view spoiler).


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