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Jane Eyre
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Jun/2016 * Jane Eyre > Junho/2016 * Jane Eyre * Terminado / Possibilidade de spoilers

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Joana Diniz (joaan_) | 317 comments E aí? O que acharam das a(des)venturas de nossa heroína Jane Eyre?


message 2: by Luciana (last edited Jun 10, 2016 04:52PM) (new) - rated it 3 stars

Luciana (soualuciana) | 45 comments Jane Eyre já estava no meu Desafio Hurricane e como fazia algum tempo que eu não vinha ao grupo foi com grata surpresa que descobri que estava lendo o livro exatamente no mês em que ele foi escolhido. :)

Tenho um sério problema de concentração, e como eu já tinha assistido a adaptação de 2011, senti certa dificuldade em engrenar na leitura porque a todo momento eu tava me lembrar do filme, mas quando me envolvi fui até o fim.

Pelo que consta, Jane Eyre costuma ser lido no Ensino Médio por adolescentes que pouco ou nada sabem sobre relacionamentos, e tendem a suspirar por cada história travestida de amor. Só isto justifica a escolha de Mr. Rochester como o mais romântico personagem da literatura, numa pesquisa britânica de alguns anos atrás. Se um adultx me diz que é apaixonadx por Mr. Rochester eu sinceramente questionaria a sanidade desta pessoa. Mas pensando bem, não é a toa que tantas histórias "românticas" da vida real acabem nas páginas policiais.

Falando do livro, fiquei pensando como uma criança que desafiava as pessoas que a maltratavam pôde se transformar em uma mulher tão ingênua perante os homens que cruzaram sua vida, romanticamente ou não? Depois cheguei a conclusão de que talvez a falta de referência masculina na vida da personagem, acabaram moldando esta personalidade.

Os personagens masculinos relevantes (Mr. Rochester e St. John) são intratáveis. O primeiro justifica suas falhas culpando a família, o segundo fala em nome de Deus. Por diversas vezes senti vontade de atirar furiosamente o livro, enquanto Jane justificava em sua consciência as falhas imperdoáveis dos homens. Sinceramente, antes sozinha do que mal acompanhada. Mesmo Mr. Rochester vindo na pele de Michael Fassbender. ;)

Por fim, o último capítulo foi completamente desnecessário. Este final de novela da Globo, este felizes para sempre dos contos de fadas me incomoda bastante. O final já estava subentendido no penúltimo capítulo e era mais que suficiente.


Madelaine Silva (madysl) | 11 comments li e no princípio fiquei muito empolgada com a ideia de um troço lindo deste ter sido escrito por uma brontë [toda a minha raiva se destina ao "morro dos ventos uivantes"]. contudo, que troço absolutamente chato ver a jane lidar com tanta inteligência e ao mesmo tempo se sentir tão submissa.
confesso que só terminei de ler porque ia me sentir muito mal com o desperdício de tempo na minha meta dos trinta livros anuais.


Jessica Ohara | 163 comments Eu estava muito empolgada com a leitura desse livro, tinha ouvido falar bastante e amei O Morro dos Ventos Uivantes da irmã dela, então achei que ia ser uma coisa mais barracos e dedo na cara.
A Jane criança correspondeu as minhas expectativas e a vontade de ler só aumentou. Mas quando ela cresceu, percebi que a moldagem da sociedade é realmente uma lavagem cerebral, ela perdoando a tia e ainda servindo de empregada pras primas?? GZUIS.
Mas o que me deixou triste mesmo era a relação dela com o Mr. Rochester, que como a Luciana disse, tem que questionar a sanidade mental de um adulto que se apaixona por ele. No principio, em mais uma comparação com O Morro, achei que ela seria estilo Katherine com ele, respondendo na mesma moeda e não deixando nem passar pela cabeça dele a ideia de tenta-lá fazer se submeter, mas nossa, nem a mais trouxa pisciana seria como a Jane foi para ele.
Na cena em que ele confessa tudo para ela e pede para eles irem a França, e ela nega, e nesse momento ela se assusta com a possibilidade dele usar a força, e mesmo assim ela o perdoa, sendo que a culpa de tudo era das merdas que ele fez. Isso me deixou tão puta com a Jane, que simplesmente resolvi descartar todos os avanços que eu considerava que estavam na leitura.
Tá, nem todos, tipo, ela era uma mulher sozinha, que resolveu sair por aí para procurar emprego, nas duas vezes que isso aconteceu eu fiquei realmente impressionada pela valentia dela, ao se considerar a época. Só que esse sentimento desaparecia rápido quando eu ia seguindo a leitura.
Para ser sincera, apesar de todas as criticas, gostei do livro e até indicaria, com ressalvas, claro, mas me foi impossível dar 5 estrelas, não com todos os preconceitos e falas que em vários momentos me deixaram sem graça e me perguntando o porquê de tá lendo isso.


Jessica Ohara | 163 comments Luciana wrote: "Jane Eyre já estava no meu Desafio Hurricane e como fazia algum tempo que eu não vinha ao grupo foi com grata surpresa que descobri que estava lendo o livro exatamente no mês em que ele foi escolhi..."
Vou procurar esse filme :)


Madelaine Silva (madysl) | 11 comments Jessica wrote: "Luciana wrote: "Jane Eyre já estava no meu Desafio Hurricane e como fazia algum tempo que eu não vinha ao grupo foi com grata surpresa que descobri que estava lendo o livro exatamente no mês em que..."
o filme é bom :))


message 7: by Raquel (last edited Jun 21, 2016 11:14AM) (new) - rated it 4 stars

Raquel V (raquelvcc) | 444 comments Então, acho o máximo como as pessoas enchergam as coisas de uma forma totalmente diferente. Por isso adoro ler livros com o LH!

Assim como a Madelaine e ao contrário da Jessica, eu odeio O Morro dos Ventos Uivantes de todo meu coração. Acho um livro insuportavelmente dramático sobre personagens detestáveis e uma trama que é triste sem motivo aparente (ou melhor, é triste porque os personagens são detestáveis ao ponto de nunca fazerem uma única escolha decente por si mesmos ou por ninguém).
Tá, desculpem o desabafo exagerado, rss. Mas achei necessário explicar isso porque eu fui ler este livro com os dois pés atrás. Fiquei um pouco receosa no começo, com aquela família Reed horrível. Mas a Jane, diferente do que eu esperava, aprende com muita rapidez o que ela precisa fazer para se dar melhor, se sentir melhor, ser melhor. Ela se submete a coisas horríveis, verdade. Mas o faz porque é o melhor para ela (como na escola, por exemplo, quando aprendeu com a Helen). Ela submete tudo, menos quem ela é por dentro, e achei isso de uma coragem incrível.
Acho que a razão que adorei tanto este livro é porque o tempo todo estava vendo como um livro escrito para a sociedade de 1847 (!!) e não para a nossa. Se eu pensar com a minha cabeça de hoje, ele é um livro paternalista, preconceituoso quanto a classes e evangelista. Mas se eu considerar a época dele, de uma maneira muito suave ele é extremamente revolucionário. Com certeza feminista - ela é forte, independente, racional mesmo sem ser fria, e sempre segue a sua própria vontade e coração. Ele também é um livro que, cheio de dedos para não ofender a igreja, mostra (com a história do primo pastor que faz A chantagem emocional para ela casar com ele) que a igreja e o clero não são tudo, e a "vontade de Deus" está dentro de cada um. Não gostei também da evangelização exagerada, mas para a época achei compreensível e até libertador um final onde a culpa do clero não vence (fiquei com medo aquela hora!!)
Também não acho o Mr. Rochester o melhor dos pretendentes (e MEU DEUS como me irritou ela chamando ele de "my master" o tempo todo), mas entendi porque ela gostava dele. Ele era justo com ela (quando não estava engananando ela para casar com ele) e tratava ela como uma pessoa a sua altura (que, de novo, hoje em dia seria algo óbvio, pois somos todos iguais, mas para a época é algo muito incomum). Adorei os diálogos deles, como ela alfinetava ele, e ele a ela.
E eu acho que a coisa que mais gostei sobre esse livro foi ver uma protagonista forte, que segue os seus princípios e desejos, que é independente, racional e cheia de emoção ao mesmo tempo, e que não precisa mostrar a sua força com o dedo na cara de ninguém. Ela vai aprendendo a ser forte, a ser contida, a ser ousada, e principalmente ela aprende quem ela é, e a respeitar quem ela é (que é o que ela faz ao casar com o Mr. Rochester e não com o primo). Grito não é necessariamente força, e acho que a nossa sociedade pode aprender bastante quanto a isso.
Achei super interessante pensar também sobre o movimento Romântico. Hoje ele faz mais mal do que bem, trazendo "princesas" perfeitas e "cavaleiros" heróicos como um ideal que não existe e aprisiona tanto mulheres quanto homens. Mas, naquela época, lutar pelo amor era importante e revolucionário. O normal não era casar ou fazer nada na verdade, por amor e condizente com o que se sente e com quem somos de verdade. O normal era fazer tudo por uma noção deturpada de "dever", de "propriedade" e "adequação". Achei legal olhar para isso também.
Adorei a leitura!


message 8: by Joana (last edited Jul 11, 2016 10:30AM) (new) - rated it 5 stars

Joana Diniz (joaan_) | 317 comments Depois de eu ter lido O Morro dos Ventos Uivantes achando que era um romance (que surpresa a minha ao ler e ficar horrorizada com os barracos e com a baixeza das pessoas e até onde elas estavam dispostas a levar mágoas - não me entendam mal, AMEI), eu fui ler Jane Eyre sem expectativas temáticas, mas muito empolgada, pois QUE TALENTO O DESSA FAMÍLIA!!!

Eu amei a leitura! Faziam anos que eu não ficava acordada até 4h da manhã lendo. A história te cativa e te prende muito, é fácil despertar um carinho pela narradora, tem reviravoltas que não são aquelas >OLHA COMO EU SOU UM AUTOR ESPERTO< (senti muita honestidade na escrita, e ousadia), e teve umas partes que eu achei que ia virar um romance gótico e brotar uns fantasmas, hahaha!

No mais, concordo muito com a Raquel: li pensando que era um livro de meados do século XIX e achei bastante transgressor! Não acho realmente o Sr. Rochester o maior personagem romântico da literatura (e to bem chocada com essa informação, Luciana, hahah!), mas consigo entender o ponto de vista da Jane porque ele a considerava pelo que ela era, numa época em que ela sendo órfã, deserdada, escondendo até que tinha família, e, no geral, de classe social inferior, era pra ser insignificante na vida dele. (Mas que administração ruim de situações complicadas, vou te contar... na cena do casamento e dei um tapa na minha testa porque se aquilo não é bad management.........)

Sem palavras pro quanto fiquei feliz da Jane não abrir mão do que ela era pra seguir o St, John, especialmente numa época em que a Culpa Cristã™ tornaria esse um final bem possível. Mas Jane se manteve forte, independente e determinada a não se dobrar (muito) até o final <3 Amei a personagem do início ao fim.

>ALÔ ALÔ SPOILER DE DOWNTON ABBEY< Senti uma leve inspiração da Jane na Edith Crawley, a personagem mais sem sorte da série e que acaba se envolvendo com um cara casado com uma mulher louca? Viajei ou é uma possível homenagem? >FIM DO SPOILER<

Anotei na minha lista o filme de 2011 e o 1996, traduzido com ~Jane Eyre - Encontro com o Amor~, cuja uma cena era a capa (bem brega) da minha edição.


Raquel V (raquelvcc) | 444 comments Joana, tb achei que foi uma homenagem de Downton Abbey!! Pensei nisso vendo a série (porque tinha visto o filme e sabia da história).


message 10: by Luciana (last edited Jul 16, 2016 12:51AM) (new) - rated it 3 stars

Luciana (soualuciana) | 45 comments Joana wrote: "Não acho realmente o Sr. Rochester o maior personagem romântico da literatura (e to bem chocada com essa informação, Luciana, hahah!)"

Pois é. Não quero nem imaginar o tipo de pessoa que elege um maluco desses como personagem romântico dos sonhos. :P


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