Só Ler Não Basta discussion

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Discussões 2014 > Tema de Fevereiro: Os Clássicos da Literatura

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message 1: by Diana Marques (new)

Diana Marques | Papéis e Letras (diana_papeiseletras) | 162 comments Mod
E aqui estamos para mais uma discussão! Desta vez sobre clássicos da literatura. É um tema que dá pano para mangas e que sobre o qual penso que já muita coisa foi dita e é algo que tem vindo a ser alvo de discussão.

Afinal o que é, para vocês, um clássico? O que faz com que um livro seja considerado um clássico?
Queremos saber também outras coisas: Gostam de ler clássicos? Que clássicos já leram e recomendam? E os que não gostaram? Acham que ainda é importante ler os clássicos com a tamanha oferta literária que existe?

Comecemos por aqui. Está aberta a discussão! :)


message 2: by Su (new)

Su | 135 comments Diana wrote: "Afinal o que é, para vocês, um clássico? O que faz com que um livro seja considerado um clássico?"

De certeza que há alguma definição oficial de clássico, mas a ideia pessoal que tenho é que é essencialmente um livro que sobrevive ao tempo, ou seja, intemporal. E este intemporal refere-se tanto à sua “fama”/prestígio (não passa de moda com o passar dos anos) como à sua história. É um livro que é escrito, e passado 100 anos continua a ser considerado um bom livro, tornando-se uma referência no estilo em que se insere, porque a mensagem que transmite não está presa a um contexto, mas mantém-se importante com a evolução dos tempos.

Nunca reli nenhum clássico, então não sei se o que se segue faz sentido ou é verdade, mas tenho a impressão que um bom clássico é também aquele que se o lermos em diferentes fases da nossa vida, vemo-lo com outros olhos, tirando mensagens diferentes do mesmo livro conforme nós próprios mudamos de perspectiva.


message 3: by Su (new)

Su | 135 comments Diana wrote: "Queremos saber também outras coisas: Gostam de ler clássicos? Que clássicos já leram e recomendam? E os que não gostaram?"

Em geral, não gosto nada de clássicos. É verdade que foram poucos os que li, mas fico sempre com a impressão que são tremendamente trágicos e não é o género de história que me agrade, então nunca que me dá vontade de pegar neles. Refiro-me aqui principalmente a clássicos que marcam uma certa língua, aqueles que são ensinados nas escolas de um país como leitura obrigatória ou recomendada: clássicos da literatura portuguesa, francesa, inglesa, etc. Li todos os livros obrigatórios na escola e posso dizer que, com a excepção dos Maias, não me lembro do enredo de nenhum! Nem é aquele não gostar de dizer “este livro foi uma desilusão, esperava isto e saiu aquilo”, não, é mesmo aquele não gostar de “não me empolga, não me toca, não me disse nada”. Tive que ler, li, respondi provavelmente às perguntas dos testes sobre isso, e passados alguns anos não faço a mais pequena ideia sobre o que tratavam. Os Maias foi diferente, reconheço que para quem goste do estilo possa ser um bom livro e não me custou por aí além a ler, mas não faz definitivamente o meu estilo. Gostei da parte de crítica social, principalmente a personagem do Dâmaso (acho que era esse o nome) que se achava muito chique e na verdade era um parolo, mas de resto achei aquilo tão novela mexicana que não consigo chegar ao fim e dizer “Gostei!”. Adoro ler, mas acho que este ler por ler, sem aprender nada nem retirar nenhuma satisfação dessa leitura é inútil. Quem sabe isso também está um pouco ligado a serem leituras obrigatórias, talvez um dia tendo efectivamente alguma motivação pessoal para ler alguns deles até tenha outra opinião, mas para já são leituras que não me atraem e que não procuro.

No entanto, excluo do que disse os clássicos de um certo género literário específico. Por exemplo, no caso da fantasia que é o meu género de eleição, adorei o Senhor dos Anéis. Considero que daqui a uns bons anos tanto o Harry Potter (numa faixa etária infantil/juvenil) como As Crónicas de Gelo e Fogo, ambas colecções que gosto imenso e considero excepcionais, irão ser consagrados grandes clássicos da fantasia. Igualmente, agora que tenho andado interessada em conhecer mais de ficção científica e distopia, quero muito ler os clássicos 1984 e Admirável Mundo Novo. No entanto, apesar de já os ter lá em casa, ainda não consegui vencer aquela reticência inicial. Porque às vezes o querer ter lido algo e a vontade de realmente pegar num livro e o ler são um pouco distintas, mas deste ano não passa experimentar pelo menos um deles.


message 4: by Su (new)

Su | 135 comments Diana wrote: "Acham que ainda é importante ler os clássicos com a tamanha oferta literária que existe?"

A ideia que tenho é que eu sou uma excepção, porque em geral quem gosta de ler tem sempre interesse e curiosidade em conhecer os clássicos, que pode gostar mais ou menos mas são um marco. Acho que nesse sentido é importante lê-los, mas contra mim falo porque não gosto de o fazer nem o faço, então acho que fundo ler e recomendar clássicos funciona como em qualquer outro tipo de leitura, na base dos gostos de cada um.


message 5: by Sonia (new)

Sonia (darktalynn) Eu e clássicos temos um historial trágico. Comecei a ler o O Primo Basílio, fiquei a meio. Comecei a ler os Humilhados e Ofendidos do Dostoyevsky, fiquei a meio. Tentei as Pupilas do Senhor Reitor, nunca o acabei. Comecei o Lolita, exacto, também desisti. O estranho é que não foi exactamente por não estar a gostar, eram interessantes, mas simplesmente não me motivaram a continuar.

Dos que acabei, o balanço também não é brilhante. Os que foram obrigatórios para a escola, como os Maias e o The Great Gatsby, lembro o nome dos personagens e mal. O mesmo com o Monte dos Vendavais.

Tentei o Drácula, de Bram Stoker. Gostei do livro. Mas não o adorei como esperado. Talvez porque é um dos meus filmes preferidos, e o formato de cartas do livro deixou-me a princípio de pé atrás.

Estranhamente, quando era mais nova adorei a colecção da Condessa de Ségur. Todos. De Um Bom Diabrete, às Meninas Exemplares, passando pelo Memórias de um Burro e claro, os Desastres de Sofia, como não poderia deixar de ser.

Se é importante ler os clássicos? Sim é. Foram um marco histórico. Provavelmente sem eles, não teríamos a escolha que temos hoje. E, não podemos esquecer, que escritores como Dickens, as irmãs Bronte, Eça de Queiroz e afins, já foram os autores da moda :)

É tudo uma questão de gosto. Há quem prefira romance, thriller, acção, literatura histórica. E de certeza que há um grande número de fã de clássicos por aí.


message 6: by Sonia (new)

Sonia (darktalynn) Uma pergunta para discussão: Os filmes ou livros actuais, influenciam a leitura dos clássicos?

Por exemplo, na saga Twilight foram referidos excertos do Monte dos Vendavais, o que pode levar os fãs a querem lê-los.

Há filmes como o 10 Coisas que Odeio em Ti, em que a protagonista também era leitóra ávida dos clássicos.

Ou mesmo na saga 50 sombras, onde edições originais são referidas.


message 7: by Diana Marques (new)

Diana Marques | Papéis e Letras (diana_papeiseletras) | 162 comments Mod
Sonia wrote: "Uma pergunta para discussão: Os filmes ou livros actuais, influenciam a leitura dos clássicos?
[...]
Há filmes como o 10 Coisas que Odeio em Ti, em que a protagonista também era leitóra ávida dos clássicos."


Sem esquecer que esse filme é baseado numa peça de Shakespeare, "The Taming of the Shrew" ;)

Acho que é uma excelente pergunta. Não só a referência a clássicos nos filmes, como também a da adaptação de clássicos para filmes, que depois nos leva a ler os livros.


message 8: by Sonia (new)

Sonia (darktalynn) Bem, eu quis ler o Dracula de Bram Stoker porque adorei o filme.


message 9: by Su (new)

Su | 135 comments Sonia wrote: "Uma pergunta para discussão: Os filmes ou livros actuais, influenciam a leitura dos clássicos?"

Eu penso que sem dúvida que influenciam. Podem nem sempre ser suficientes para nos fazer realmente pegar nessas referências e ler, mas pelo menos dão a conhecer, despertando aos poucos uma certa curiosidade e familiaridade com essas obras.

Da minha experiência pessoal, lembro-me assim de repente de três casos que se adequam, dois derivados de séries e um de um filme.

O primeiro é que este meu recente interesse por obras de ficção científica foi grandemente influenciado pela série Fringe, que li em vários comentários na internet ter imensas referências e ideias emprestadas das obras do Isaac Asimov, nomeadamente The End of Eternity (O Fim da Eternidade) e The Gods Themselves (O Planeta dos Deuses). Desde aí que fiquei bem curiosa sobre elas porque adorei a série. Ainda não as li, mas já as tenho lá em casa e estão na minha lista.

O segundo caso são as obras de Edgar Allan Poe, referidas nas séries Castle (que escolheu inclusive Egar para nome do meio como homenagem; e em cuja série são constantemente mencionados diversos tipos de referências em geral, seja à literatura, filmes, séries ou outros, e que sempre despertam a minha curiosidade de saber mais sobre) e The Following (que começou muito bem e descarrilou, mas que um dos pontos positivos foi estimular esse meu interesse, pois a trama revolve à volta da obra do autor, sendo que o principal serial killer da série é obcecado por ele).

Por último, no filme Definetely, Maybe (em PT: Para Sempre, Talvez) uma das personagens refere o livro Jane Eyre como sendo diferente sempre que ela o lê, dando uma sensação de uma leitura com novos olhos e não de uma simples releitura. Isto fez-me pensar “um livro assim deve valer a pena, tem de ser muito bom para conseguir ser tão rico em diferentes perspectivas”. E apesar de não me ter feito pegar nele devido à minha já mencionada falta de atracção por clássicos, fez-me definitivamente mudar a ideia pré-concebida que tinha dele sem sequer saber sobre o que se tratava, e ver o livro com outros olhos.

Acho que uma personagem fictícia (seja de livros, filmes ou séries) que gostamos, elogiar uma certa obra, para quem está do lado de cá funciona um pouco como se fosse uma recomendação de um amigo, podemos acatar ou não a sugestão, mas sempre fazemos aquela nota mental positiva.


message 10: by Elisa Santos (new)

Elisa Santos Os clássicos definitivamente merecem sempre uma atençãozinha, até porque não seriam apelidados dos "clássicos" se não tivessem um elemento de intemporalidade do enredo, um historia e personagens transversais e que, não importando a época em que se inserem, os leitores conseguem se rever neles.

O meu clássico favorito e que reli no minimo umas 10 vezes é o Feira das Vaidades de Thackeray: retiro sempre algo novo de cada vez que leio e a Becky Sharp é a minha personagem de ficção preferida, até porque é extremamente " humana", muito tridimensional. Um outro clássico que adoro é o Orgulho e Preconceito - sempre adorei a língua afiada da Lizzie e cfonsigo me identificar com ela, mesmo tendo em conta o que nos separa....

Li 2 clássicos que me desapontaram: as Mulherzinhas da Louise Alcott - achei a trama toda muito "benfazeja", muito....sei lá, elas eram boas demais para serem realidade, muito puras, integras....se calhar não ajudou eu ter lido este livro pela 1ª vez com 34 anos, ou seja a mensagem não passou; o outro clássico que me desapontou foi o Anna Karenina - gostei, mas achei que o autor acabou por se focar mais em todos os outros enredos e deixou-a andar "á vontade" ou seja, parece que voltava, de tempos a tempos só para ver o andamento. Achei que faltou ali qualquer coisa que não consigo definir, mas que não me caiu como devia.

Em que medida as séries e filmes condicionam a leitura dos clássicos? Acho que em grande medida, pois, quer queiramos quer não, a nossa sociedade é muito "televisiva" - sempre que chegamos a casa, o que é que acendemos logo a seguir á luz? Pois, na minha casa, é o televisor. Portanto, com todos os filmes é séries e que são mencionados os clássicos, é normal que o publico sinta curiosidade em lê-los, quanto mais não seja porque a sua personagem de série de tv favorita mencionou.....

Se ainda há tendência para pegar nos clássicos, com toda a oferta literária que há, hoje em dia? Sim, penso que continua a haver essa tendência. Falo por mim: compro os clássicos sempre que os encontro a bom preço e leio-os.


message 11: by Diana (new)

Diana R. | 16 comments Penso que os clássicos são importantes e merecem atenção. Confesso que não li muitos clássicos até hoje. Li Um crime no expresso do oriente da Agatha Christie, a volta ao mundo em 80 dias e li alguns do Sherlock Holmes. Gosto mais do Sherlock Holmes.
Vi ontem o filme austenland e apesar deo filme não ter sido algo por aí além fiquei com ideia de ler um dia o livro orgulho e preconceito.

Quanto à questão de o que é que faz um clássico ser um clássico concordo com a opinião da Diana, o que faz um clássico é a fama que tem na altura e o facto dessa fama perdurar ao longo dos tempos, assim como a história do livros ser intemporal.

Pessoalmente não leio muitos clássicos, porque a leitura não é fácil. A forma que os autores escrevem por vezes é demasiada coloquial e por vezes cheia de descrições e tornasse uma "massuda".


message 12: by Nights *Words à la Carte* (last edited Feb 16, 2014 08:33AM) (new)

Nights *Words à la Carte* (nightswalc) | 77 comments Na verdade, penso que não há uma definição estanque para classificar uma obra de literatura como clássico, mas para mim é um livro que deixou a sua marca. Muitos tornaram-se num ponto de viragem aquando da sua primeira publicação, e nesse momento foram aclamados pelo público em geral como uma narrativa excepcional, quer pelas suas personagens, quer pela ideia que transmitiram; outro, viram o seu prestígio reconhecido muito depois, já que, por vezes, estavam simplesmente à frente do seu tempo. Essencialmente, são obras que, séculos depois, ainda são lidos por pessoas de diferentes idades e mantêm-se intemporais.

Pessoalmente, sou fã de clássicos. Dos que li voluntariamente, apenas desgostei de um. Na verdade, parte substancial das minhas primeiras leituras foram clássicos, entre eles os Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas - pai (do qual, infelizmente, já não me lembro muito... já lá vão muitos anos e muitas adaptações cinematográficas bem diferentes entre si!!). Como em tudo, estamos a falar de uma questão de gosto. Gosto de ler clássicos porque sinto-me transportada para uma época totalmente diferente, onde a vivência sócio-cultural é invariavelmente distinta e muito distante da dos nossos dias. As realidades, as maneiras de estar e de se comportar, os maneirismos, o modo de falar, tudo isso era diferente. É um modo de aprender História, creio (sempre fui uma fã de História, também). Todavia, casos há, como nas obras de Eça de Queirós, em que podemos ver que tanto mudou e tanto permaneceu igual. Acho que as suas narrativas, após tanto tempo, são totalmente actuais.

A par com Eça, entre os meus autores clássicos favoritos estão Sir William Shakespeare, que brincavam com as palavras de um modo que, para mim, é ainda inatingível por parte de qualquer outro, Edgar Allan Poe, Sir Oscar Wilde, Wilhelm e Jacob Grimm, Charlote Brontë... et cetera, et cetera. Adorei cada palavra cuidadosamente escolhida das diversas peças de Shakespeare, a profundidade de Dorian Grey, a brutalidade e a esperança dos irmãos Grimm, a genial loucura e a tragédia de Poe, a determinação de Jane Eyre. São livros que me irão acompanhar pela vida fora, independentemente das vezes que os ler. Todos eles, de um modo ou de outro, influenciaram e continuam a influenciar os seus sucessores, pela sua maneira ímpar de (d)escrever o mundo que os rodeava. Daí serem muitas vezes referenciados por outros autores nas suas próprias obras, literárias ou não. Não gostei tanto de O Monte dos Vendavais de Emely Brontë, simplesmente porque a sua história não faz muito o meu género, e de alguns dos livros que fui obrigada a ler na escola, muito provavelmente só pelo facto de o fazer contra a minha vontade. Li A Cidade e as Serras obrigada e, claro, não gostei, mas sei que se voltar a ler agora, por minha própria vontade, vou adorar. Quando ao Os Maias, já o fiz voluntariamente e achei genial.

Sem dúvida que, actualmente, os grandes propulsores dos clássicos da literatura são as séries televisivas e os filmes. Sem eles não teria querido ler diversas obras que li e gostei. Vi imensas adaptações de clássicos quando miúda que me fizeram ler os livros (agora tento sempre ler o livro antes de ver o filme). Senti isso com a (fraca) adaptação de A Máquina do Tempo de H. G. Wells. Após ter lido algumas críticas, percebi que o livro seria infinitamente melhor e totalmente inovador, tendo em conta quão longe o autor tinha conseguido chegar relativamente ao desenvolvimento científico da época. As suas obras influenciaram o estilo sci-fi e steampunk, assim como 1984 e A História de uma Serva serviram de mote para os diystopias que estão tão na moda actualmente - todas elas obras que quero muito ler!

Continuo a achar que é sempre importante, ou pelo menos construtivo, ler clássicos. Podemos acompanhar a evolução da literatura, e bem assim encontrar histórias intemporais e fantásticas, mesmo com tamanha oferta hoje em dia. Tal como disse, trata-se de uma questão de gostos, e da uma humilde opinião, portanto. E sim, eu gosto de clássicos :)


message 13: by Diana Marques (new)

Diana Marques | Papéis e Letras (diana_papeiseletras) | 162 comments Mod
Já agora, outra pergunta: há uns tempos li um artigo que falava sobre os clássicos sobre os quais as pessoas mentem mais, ao dizerem que os leram, quando afinal não leram. Acham que há um certo "estatuto", ou que se é visto como mais culto, quando se lê clássicos, em oposição a alguém que não leu? Fica-se melhor na "fotografia" quando se diz que se leu o clássico X ou Y?
Aqui fica o dito artigo: More than half of us lie about reading classic novels


message 14: by Su (new)

Su | 135 comments É uma questão interessante que nunca tinha colocado.

Eu nunca o fiz nem nunca o faria e duvido que conheça alguém que o faça, então nunca tinha pensado nisso, mas depois de ler o artigo não me surpreende muito que haja pessoas assim. Penso que isso depende bastante do meio em que a pessoa se move, daquilo que é valorizado. Por exemplo, a maioria dos meus amigos não tem paciência para ler e não tem qualquer problema em admiti-lo. Não sei se o facto de eu ser de engenharia pode ser uma amostra biased mas neste meio não considero que as pessoas sejam mais bem vistas se disserem que leram tal clássico, então acho que nem passaria pela cabeça de ninguém dizê-lo não sendo verdade. Também, nas camadas mais juvenis não acredito que dê qualquer tipo de estatuto hoje em dia afirmar que se gosta de ler de todo, quanto mais clássicos, possivelmente até é mais cool não gostar de livros.

No entanto, consigo visionar um certo tipo de meio onde isso possa ser comum, em adultos de estratos sociais médio/alto, num contexto mais formal em que se quer causar boa impressão pode realmente ser algo que passa uma imagem de intelecto superior. Acho que vem um bocado na mesma onda das pessoas por vezes terem vergonha de admitir que lêem certas coisas, aquele tipo de leitura confortável, leve e agradável, mas que não faz parecer intelectual ao dizer que se leu. Não sei se se costuma usar a mesma denominação no contexto dos livros, mas pelo menos nas séries de TV é um fenómeno mesmo muito comum e que imensa gente admite, ao qual chamam guilty pleasures. Por isso se a pessoa admite que lê/vê certo conteúdo e se inibe de dizer que o fez, parece fazer todo o sentido ter presente um (pre)conceito daquilo que é considerado digno de ser consumido e por conseguinte mentir também no sentido inverso, sendo que acredita quem tem mais mérito. E aí os clássicos talvez tenham duas vantagens porque têm o estatuto de leituras interessantes assim como os livros actuais que estão na moda, mas ao contrário destes últimos é muito mais fácil fingir que se leu sem meter o pé na argola, pois como são genericamente conhecidos tem-se sempre uma ideia da história, além de haver muitas vezes resumos muito sucintos para quem anda na escola e tem preguiça de ler quer aprofundar a análise, assim como inumeras adaptações para meios audiovisuais.


message 15: by Nights *Words à la Carte* (last edited Feb 20, 2014 04:06AM) (new)

Nights *Words à la Carte* (nightswalc) | 77 comments Infelizmente, não me sinto chocada com este artigo. Acho que é uma característica pura e simplesmente humana, que nunca poderá ser dissociada da espécie: querer parecer o que não se é. Obviamente, estou a ironizar; felizmente nem todas as pessoas são, ou sentem necessidade de ser assim.

Acredito que, em determinados meios, esta seja uma prática regular, quando as pessoas pensam que precisam de se afirmar como muito eruditas e cultas, provavelmente nas classes mais elevadas, tanto a nível sócio-económico como académico. Talvez acreditam que deste modo "ficam bem" perante os outros, ou que desta maneira mostram-se superiores. Pode ser simplesmente uma questão de auto-estima, não sei.

Pessoalmente, não acho que uma pessoa seja mais inteligente ou mais culta que os demais, pelo simples facto de ler clássicos. Também não o será necessariamente se ler livros de astrofísica. Mas entendo que as pressões, muitas vezes sociais, educacionais ou mesmo provenientes da cabeça das pessoas que sentem necessidade de mentir sobre o assunto, as faça tomar esta posição. Infelizmente a maioria dos meus amigos não tem qualquer interesse em ler qualquer tipo de livros que se lhes plante na frente, uma questão geracional, talvez, logo também não lêem clássicos. E como para eles a leitura é um hábito "desconhecido", não dão importância a fazer os demais saber que leram determinado clássico. (O que normalmente acontece é não ter com quem conversar sobre o assunto, mas isso já é outra questão :P) Do mesmo modo, não sinto necessidade de mentir sobre o assunto: se li, li; se não li, não li. Leio por satisfação pessoal, e não para mostrar que sei umas coisas engraçadas.


message 16: by Landslide (new)

Landslide | 21 comments A única vez em que menti sobre ter lido um clássico foi no secundário com Os Maias. Eu tentei, juro que tentei, mas não consegui ler. Acabei por estudar pela Sebenta e felizmente, não fui apanhada :)


message 17: by Catarina (last edited Feb 20, 2014 06:06AM) (new)

Catarina Coelho | 1 comments "Gostam de ler clássicos? Que clássicos já leram e recomendam? E os que não gostaram?"

Se não se importarem, vou começar pelas primeiras perguntas da Diana e a razão é simples: adoro clássicos, aliás, os clássicos, sobretudo do séc. XIX e princípio do séc. XX, são o meu género preferido, juntamente com a Fantasia.
Eu devo ser um caso estranho :-P , não me lembro de ter lido nenhum clássico de que não tenha gostado. E, sendo assim, vou falar-vos aqui de clássicos que adorei e alguns que entram na minha lista de livros preferidos. Por onde começar?... Bem, tendo em conta que estou a ler "David Copperfield", de Dickens (e já estou a adorar, desde a história à forma como o livro é escrito, etc...), talvez possa começar justamente por Dickens. Tendo em conta como adorei o que já li dele, já devia ter lido mais, na verdade. Adoro e recomendo "Grandes Esperanças" e "Um conto de Natal". Mas há muitos, mas muitos mais clássicos que adoro e recomendo, pelo que, se calhar, o melhor é fazer uma lista (não está por ordem de gosto, mas é provável que, inevitavelmente, alguns dos que me lembre primeiro tenham a minha preferência):
- "Jane Eyre", de Charlotte Brontë
- "Rebecca", de Daphne Du Maurier
- "O Monte dos Vendavais", de Emily Brontë
- "A inquilina de Wildfell Hall", de Anne Brontë
- "Os Três Mosqueteiros", de Alexandre Dumas
- "Anne of Green Gables", de Lucy Maud Montgomery
- "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen
- "Sensibilidade e Bom Senso", de Jane Austen
- "O Outro Eu", de Daphne Du Maurier
- "Frankenstein", de Mary Shelley
- "O estranho caso do Dr. Jekyll e de Mr. Hyde"/"O médico e o monstro", de Robert Louis Stevenson
- "Dracula", de Bram Stoker
- "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde
- "Romeu e Julieta", de Shakespeare
- "Othello", de Shakespeare
- "A Cabana do Pai Tomás", de Harriet B. Stowe


E outros de que também gostei, não tanto como os de cima (e, quando digo os de cima, incluo os de Dickens), porque esses de cima pertencem aos meus livros preferidos de sempre, mas que também considero muito bons:
- "Anne of Avonlea", de Lucy Maud Montgomery
- "Anne of the Island", de Lucy Maud Montgomery
- "Anne of Windy Poplars", de Lucy Maud Montgomery
- "Amor de Perdição", de Camilo Castello Branco
- "Os Maias", de Eça de Queiroz
- "A Pousada da Jamaica", de Daphne Du Maurier
- "Medida por Medida", de Shakespeare
- "As you like it", de Shakespeare
- Contos de Oscar Wilde
- Contos dos Irmãos Grimm
- Contos de Hans Christian Anderson
- Contos de Perrault
- "The turn of the screw"/"A volta do parafuso", de Henry James
- "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett
- "As Pupilas do Senhor Reitor", de Júlio Dinis
- Poemas de Fernando Pessoa e dos seus Heterónimos
- "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente
- "Viagens na minha terra", de Almeida Garrett

E ainda outros, de que também gostei, mas que pertencem às minhas leituras de infância e princípio de adolescência, por isso decidi não incluir na lista acima:
- "Mulherzinhas", de Louisa May Alcott
- "Boas Esposas", de Louisa May Alcott
- "Homenzinhos", de Louisa May Alcott
- "O Diário de Anne Frank"
- Poesia de Florbela Espanca
- "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Caroll
- "Os desastres de Sofia", da Condessa de Ségur
- "O Morgado de Fafe em Lisboa", de Camilo Castello Branco
- "Os cinco" (a colecção toda ou quase), de Enid Blyton
- "Heidi", de Johanna Spyri
- "A Pérola", de John Steinbeck

Bom, e mesmo que me esteja a esquecer de algum, é melhor parar por aqui, antes que vocês me achem uma chata, por causa do tamanho das listas. :-P


message 18: by Sofia (last edited Feb 20, 2014 07:21AM) (new)

Sofia (djamb) | 1 comments Esta é a minha primeira contribuição para este grupo :)

Por definição, os clássicos são aqueles que perduram no tempo e que têm uma importância tal que são considerados de leitura obrigatória. E, simplesmente... Eu adoro clássicos! Posso dizer que são o meu 'género' literário preferido (bem... não é um género em si, mas agrega alguns dos melhores livros que já li até hoje).

A minha paixão pela leitura e pela literatura enquanto Estudo levaram-me a mergulhar pelos meandros das grandes obras e a descobrir alguns dos considerados maiores pensadores que traduziram a sua visão sob a forma de um livro. Não que não goste de obras contemporâneas, porque gosto e até tenho os meus guilty pleasures ;) Talvez a literatura tenha sofrido um enorme boom nas últimas décadas e permitido que os livros editados tenham perdido alguma qualidade (como Margarida Rebelo Pinto, sem demérito para a própria ou para a sua obra), mas a verdade é que as maiores conclusões e reflexões tenho-as sempre encontrado em obras com 50, 70, 100, 300 anos.

Fiodor Dostoieski, Jean-Paul Sartre, William Shakespeare, Alexandre Dumas, Kafka, Camus... Filósofos ou estudiosos que romancearam as suas dúvidas existenciais, as suas ideias e aventuras e que criaram autênticas obras-primas baseadas na História, na filosofia, na psicologia. Haverá livros mais intensos e profundos que estes?


message 19: by Elisa Santos (new)

Elisa Santos Diana wrote: "Já agora, outra pergunta: há uns tempos li um artigo que falava sobre os clássicos sobre os quais as pessoas mentem mais, ao dizerem que os leram, quando afinal não leram. Acham que há um certo "es..."

Nunca tinha ouvido falar de tal prática mas até faz algum sentido, se levarmos em linha de conta um certo extrato social médio/ alto e o facto de se querer "impressionar" nesse meio, se essa pessoa pensar que os gostos dela não são adequados e que exibindo esses conhecimentos, será melhor aceite.

Eu nunca fingi ler nada que não tenha lido nem conheço ninguém que o faça - a meu problema á mais que as amigas não lerem coisíssima nenhuma, o que me deixa a mim sem esse assunto, mas, tal como alguém já disse em cima - são outros quinhentos.

Confesso que deveria investir mais tempo nos clássicos porque são esses os livros que me põem a pensar, as suas tramas e personagens tocam mais fundo do que a maioria dos livros contemporâneos. Mas não sou elitista: tanto leio um 4 Louras da Candace Bushnell como leio O Feira das Vaidades de Thackeray, se assim me puxar a vontade do que quero ler.

Eu chego a ser ridícula, porque tenho uma parga de livros em casa, para serem lidos, mas se não há aquele estilo que me apetece ler na altura, vou á biblioteca á procura....a consequência é a pilha não baixar, mas para ler com vontade, tenho de ter o " livro" certo.


message 20: by Diana Marques (new)

Diana Marques | Papéis e Letras (diana_papeiseletras) | 162 comments Mod
djamb wrote: "Esta é a minha primeira contribuição para este grupo :)"

A primeira de muitas, espero eu ;)


message 21: by Diana Marques (new)

Diana Marques | Papéis e Letras (diana_papeiseletras) | 162 comments Mod
Catarina wrote: ""Gostam de ler clássicos? Que clássicos já leram e recomendam? E os que não gostaram?"

Se não se importarem, vou começar pelas primeiras perguntas da Diana e a razão é simples: adoro clássicos, al..."


Isso é uma lista e tanto! :D Obrigado pelas recomendações, é sempre bom encontrar alguém versado em clássicos da literatura, que dê sugestões por onde se possa começar :)


message 22: by Diana Marques (new)

Diana Marques | Papéis e Letras (diana_papeiseletras) | 162 comments Mod
Landslide wrote: "A única vez em que menti sobre ter lido um clássico foi no secundário com Os Maias. Eu tentei, juro que tentei, mas não consegui ler. Acabei por estudar pela Sebenta e felizmente, não fui apanhada :)"

Não foste a única... eu só li Os Maias da segunda vez que fiz o exame de português xD Da primeira vez também me fiquei pela Sebenta... lol


message 23: by Telma (new)

Telma (telmixa) | 133 comments Mod
A discussão vai começa dentro de 15 minutos. Podem acompanhar aqui no Youtube http://youtu.be/3MnojMLJH0U ou colocar perguntas no G+ https://plus.google.com/u/0/b/1175463...


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