João's Reviews > A câmara clara

A câmara clara by Roland Barthes
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12075528
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Jun 23, 2014

really liked it

Encontrei este livro na seção de fotografia de uma livraria. Interessado, folheei as primeiras páginas e pareceu-me que se tratava de uma reflexão sobre o que separaria a fotografia das outras artes ou, mesmo, se a fotografia mereceria ser tratada como uma. Após a leitura, deslumbrado, devo confessar, concluo que a livraria se enganou, e este livro deveria estar na seção de filosofia.

Como muito bem diz o meu amigo Miguel Botelho "sempre que um homem olha para si próprio, o que nós vemos é o mundo". E é isso que Barthes faz em A Câmara Clara. Interroga-se sobre o que o faz gostar de uma foto e conclui que não é o tema, nem o enquadramento, nem qualquer aspeto de natureza técnica, mas, sim, o pormenor que o faz sonhar, o “acaso que nela me fere (mas também me mortifica, me apunhala).

E prossegue a sua reflexão, compreendendo, a partir de uma foto da sua mãe, recentemente falecida, que a fotografia é a prova irrefutável de que algo aconteceu, algo que foi realidade no passado: o noema da fotografia, a sua “característica inimitável”, seria, assim, o “isto foi”, e sem intermediação de um historiador, de um pintor ou de um ator.

A fotografia, conclui o autor, é agente do Tempo e da Morte e talvez possa “ter alguma relação com a «crise da Morte», que começa na segunda metade do século XIX (…) porque, numa sociedade, a Morte tem de estar em qualquer lado; se ela já não está (ou está menos) no religioso, deve estar em qualquer outra parte. Talvez nessa imagem que produz a Morte, pretendendo conservar a vida.” E é esta a contradição fundamental que constitui a sua “loucura”; é este o “êxtase fotográfico.”

A escrita é clara, bela e simples, de uma simplicidade só alcançável por quem é realmente genial.
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Reading Progress

June 23, 2014 – Started Reading
June 23, 2014 – Shelved
June 23, 2014 –
page 70
48.61% "Será que a fotografia é uma arte autónoma? O que é que, na sua essência, a distingue da pintura ou do cinema, por exemplo? Roland Barthes tenta responder a estas questões, optando por uma abordagem pessoal, ao concluir que não o conseguirá fazer utilizando a metodologia científica."
July 30, 2014 – Finished Reading
November 20, 2014 – Shelved as: to-read
November 20, 2014 – Shelved as: to-read

Comments (showing 1-3 of 3) (3 new)

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message 1: by Miguel (new)

Miguel excelente recensão, João. faz aquilo que eu acho essencial e vale a pena: despertar a vontade de ler o livro

(só tens é de melhorar o nível das citações, e deixar de citar autores menores eheh)


João Precisamente, Miguel, nunca cito autores menores, e só cito frases que cobiço... sem invejar. ;D


message 3: by João (last edited Jul 31, 2014 06:30AM) (new)

João Roque Eu não sei fotografar, apenas tiro fotografias, como se costuma dizer; mas admiro imenso quem tem o dom de saber captar em imagens a realidade das situações. Aliás ando a ler um livro, que numa das partes, fala muito de fotos (Nas tuas mãos, da Inês Pedrosa).
Agora nunca li e desperta-me muito a curiosidade, ler o que um fotógrafo tem a dizer sobre a sua arte...


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