Carla *Jen7waters*'s Reviews > O Jardim dos Segredos

O Jardim dos Segredos by Kate Morton
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3288963
's review
Feb 14, 2010

it was amazing
bookshelves: 2010-read, pt, favorite-heroines, cry-me-a-river, historical-fiction, contemporary
Read from February 06 to 16, 2010 — I own a copy

Nem sei muito bem por onde “pegar” esta review, é que se passa tanta tanta coisa que, consequentemente, tenho muito muito que dizer. Mas suponho que posso começar com um: adorei e quero mais.

O Jardim dos Segredos foi então a minha estreia na obra da australiana Kate Morton, uma compra absolutamente aleatória (quer dizer… a capa bonita ajudou) num solarengo dia de Inverno quando fui às compras por outro motivo qualquer que não livros, e fiquei fã.

Este The Forgotten Garden, no título original, é a bem dizer um cold case deixado como herança familiar a Cassandra, uma das protagonistas, aquando da morte da sua enigmática avó, Nell. Estas 548 páginas têm então como objectivo final descobrir as origens de Nell, e tendo esta personagem vivido atormentada toda a vida com uma crise de identidade, é premiada, após a morte do seu pai adoptivo, com a única pista material do seu passado: uma mala contendo um livro de contos infantis pela autoria de outra personagem muito especial, absolutamente encantadora e impossível de ficar imune a. Eliza Makepeace.

A acção é narrada por várias vozes, havendo claro destaque para algumas, nomeadamente para as 3 senhoras que mencionei antes, sendo repartida também por 3 épocas: uma passada num intervalo entre 1900 e 1913 (mais coisa, menos coisa), período que acompanha em grande parte o percurso de Eliza, e que admito terem sido das minhas passagens preferidas; outra em 1975, altura em que Nell já na posse do livro ruma a Inglaterra (vinda da Austrália) na perseguição do seu passado; e finalmente, em 2005, a época representativa da actualidade, onde Cassandra mais do que continuar a busca começada pela avó, vai, com uma ajudinha extra, juntar todas as peças do puzzle e gritar eureka! Mas mais do que uma demanda pela resposta a um mistério ao longo de gerações, este livro é um retrato (chocante) de episódios que se encostam à realidade. Desde a lista de tragédias que acompanham (todos) os personagens, aos seus percursos de vida, às condições em que cresceram, viveram, morreram, etc., tendo havido sem sombra de dúvida, grande pesquisa da época vitoriana por parte da autora, coisa que me alegra, já que tenho a certeza de que os euros que dei pelo livro foram bem gastos. Como se não estivesse só a financiar o meu vício, mas também a comprar úteis lições de História.

Temo que não estar a exagerar quando referi as personagens e os seus percursos trágicos, pois há algo naquela família que tende para o sinistro, pior, para o macabro. A comprová-lo está o rol de personagens “oliver-twistianas”. Sim, porque as crianças são as que mais sofrem nesta história, elas são abandonadas, negligenciadas, exploradas, e isto quando são órfãs e/ou doentes, vítimas de pobreza, de violência, deixadas à mercê de terceiros, até mortas; há jovens assediadas, quase vítimas de molestação por parte de familiares, a indiferença parental também é tópico presente, assim como os acidentes fatais… e pronto, acho que vou parar por aqui, isto deve chegar como justificação.

E passando das tragédias para os contos de fadas!!! São 3 (obviamente) e como certa vez alguém lembra durante a narrativa, funcionam como alegorias da acção principal. “Os Olhos da Velha” belo, e algo aterrador (o meu preferido), eleva Eliza a estatuto de vidente, contando claramente o percurso de Cassandra, de Nell e até do enho (mais uma palavra para o meu vocabulário), Christian; “A Troca” infelizmente é uma ode a essa criatura exasperante, Rose; enquanto “O Ovo Dourado” ajuda à choradeira e à nostalgia, finais. Sim, porque o final tanto têm de doce como de amargo. Fica um nó de desespero e de não é justo! preso na garganta pelo desfecho de Eliza que só é atenuado pelo de Cassandra.

Bom, despeço-me, com dois alertas. Um, para quem não suporta mistérios, segredos e coisas do género: certamente já adivinhou que este será um livro a evitar (não façam isso), porque a autora nunca facilita o caminho para descortinar o mistério inicial, pelo contrário, arranja mistérios, segredos e coisas do género, secundários, de vital conhecimento para o desenlace dos primeiros. E dois, para quem acha que ler não queima calorias, desengane-se porque cada momento passado neste Jardim dos Segredos vai parecer como uma ida a um ginásio mental.

(Ah, a palavra deste livro: borrasca(s).)

**Publicado originalmente em http://cuidadocomodalmata.wordpress.c...
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