Carla's Reviews > Pastoral americana

Pastoral americana by Philip Roth
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2007205
's review
Mar 24, 2014

it was amazing
bookshelves: biblioteca-pessoal, 2015

“Penetrar no interior das pessoas era uma arte ou capacidade que ele não possuía. Não conhecia a combinação daquela fechadura. Para ele, quem desse sinais de bondade, era bom. Quem desse sinais de lealdade, era leal. Quem desse sinais de inteligência, era inteligente. E assim, ele não conseguira penetrar no íntimo da filha, da mulher, da sua única amante; provavelmente nem sequer conseguira começar a penetrar no seu próprio íntimo. O que era ele, despido de todos os sinais que emitia? As pessoas erguiam-se por todo o lado e gritavam: «Este sou eu! Este sou eu!» Sempre que se olhava para elas, elas erguiam-se e diziam-nos quem eram e a verdade é que sabiam tanto de si próprias como ele sabia dele mesmo. Elas também acreditavam nos seus sinais. O que deviam fazer era erguerem-se e gritarem: «Este não sou eu! Este não sou eu!» Se tivessem alguma vergonha era o que fariam. «Este não sou eu!» Só assim se consegue aguentar a merda deste mundo.” (P.397/398)
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Reading Progress

March 24, 2014 – Shelved
March 24, 2014 – Shelved as: to-read
March 24, 2014 – Shelved as: biblioteca-pessoal
June 11, 2015 – Started Reading
June 11, 2015 – Shelved as: 2015
June 12, 2015 –
page 40
9.62% "“Mas o humor ou a ironia não passam de ninharias para um miúdo como o Sueco, já que a ironia será um consolo humano desnecessário quando se atravessa o mundo como um deus. Ou ele queria eliminar toda uma faceta da sua personalidade ou esta ainda se encontrava adormecida ou, o que era ainda mais provável, tal faceta não existia.” (P.17)"
June 15, 2015 –
page 100
24.04% "“Isso acontece quando as pessoas morrem – o sentido crítico desaparece e pessoas que tinham tantos defeitos ainda em vida que, por vezes, eram pouco menos do que insuportáveis, surgem agora altamente atraentes, e aquilo que no dia anterior nos desagradava tanto, transforma-se, na limusine que segue o carro funerário, num motivo não só de simpatia mas de admiração.” (P.75)"
June 16, 2015 –
page 150
36.06% ""- E um homem que não olha, é um travesti de quê? - perguntou-lhe ela. - Não será próprio da natureza humana olhar? O que será um homem que desvia sempre o olhar porque tudo é demasiado cru para ele? Porque nada se harmoniza com o mundo tal como ele o conhece? Que pensa que conhece." (P.148)"
June 17, 2015 –
page 200
48.08% ""Parecia nunca compreender, nem mesmo num momento de fadiga, nunca admitir que as suas limitações não eram totalmente abomináveis e que ele próprio não era uma casa de pedra de cento e setenta anos imperturbavelmente suportada por vigas talhadas em carvalho - que era algo de mais transitório e misterioso." (P.199)"
June 18, 2015 –
page 277
66.59% ""Ao longo desta rua abandonada, tão sinistra como qualquer rua numa outra cidade arruinada da América, estendia-se sinuosamente um pedaço de muro nu, (...). Com excepção das ervas daninhas que rompiam em tufos por entre as rachas da argamassa, a parede do viaduto era efectivamente a afirmação da luta triunfante e prolongada da tristonha cidade industrial para monumentalizar a sua fealdade." (P.215)"
June 19, 2015 –
page 350
84.13% ""O espantoso era o modo como as pessoas pareciam esgotar o que elas eram, esgotar o que quer que fosse que as fazia ser como eram e, esvaziadas delas próprias, se transformavam no tipo de pessoa que outrora haviam desprezado." (P.320)"
June 22, 2015 – Finished Reading

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