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Reinventar a Democracia: 5 Ideias Para Um Futuro Diferente
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Igor Veloso's review
bookshelves: academia-pol-tica, political-science, politics, portugues, read-2021, sociologia-sociology
May 18, 2021
bookshelves: academia-pol-tica, political-science, politics, portugues, read-2021, sociologia-sociology
O livro pode ser lido online, gratuitamente e em inglês, aqui. Livro de 2015. Sugiro que leiam, ou comprem em Português. Abaixo estão essencialmente as notas que tirei, formando, em geral, um resumo das ideias, mas acabei por desenvolver ou alertar para uma ou outra que achei que poderia estar incluída. Ao final do dia é um livro que se lê magnificamente bem, com uma linguagem que até a criança da primária entende.
“Um cidadão autónomo não é independente dos outros, mas significa que tem controlo sobre as suas atividades e que aprova os valores que lhes estão implícitos. É «razoavelmente livre» e tem algo a dizer como as coisas são feitas [Parafraseado]”
Será que os políticos nos representam? A não ser que seja um bancário, considero que não seja muito difícil encontrar cidadãos que respondam negativamente a esta questão, e os movimentos que surgem hoje contra o estabelecimento ou contra as elites mostram precisamente isto. O livro assume que o leitor reconhece este facto, e também está interessado em se informar mais para melhores escolhas no momento de exercer o voto, ou quando tem de tomar alguma posição sobre esta ou aquela política.
As nossas democracias não estão a funcionar e precisamos de recuperar o controlo sobre o nosso futuro. Se os políticos no nosso país já mal nos representam, e se preocupam mais com os seus semelhantes e elite empresárias, quanto menos aqueles que estão em Bruxelas. Ainda que tecnicamente sejamos considerados cidadãos europeus, na prática, por razões culturais e políticas, estaríamos a mentir ao dizer que nos preocupamos tanto com o cidadão na Alemanha da mesma forma que nos preocupamos com os nossos familiares vizinhos – mesmo que tenhamos amigos e familiares por todo o lado, há sempre um lar ou outro que afeta mais o nosso modo de viver.
Os políticos que mandam na Europa identificam-se mais com a elite partidária de onde vêm e com as elites empresariais que lhes fazem lobby, do que os seus concidadãos da classe média trabalhadora. Por consequência, e como ficou claro nos últimos anos, apesar de sermos cidadãos europeus, os políticos sentem o mesmo que nós: têm como prioridade o seu próprio país, ou grupo de países (Norte vs Sul por exemplo). Como podemos descentralizar este poder e ter algum controle sobre o que os políticos fazem?
O verdadeiro objetivo de Manuel Arriaga foi lançar um debate público para reformar os nossos sistemas políticos. Considerando o aparente crescimento do autoritarismo e ressurgimento de velhas ideias, não sei o quanto eficaz foi este livro, e se Arriaga esteja a ver resultados, mas pelo menos confessa-se otimista no final do livro. Os cidadãos vivem – supostamente – numa democracia representativa, mas a classe política deixou de responder perante a população e “nem mesmo as maiores manifestações podem travar uma classe política determinada.” Esta determinação é vivida no nosso país, imaginem quando queremos ser ouvidos em Bruxelas e a própria comunicação social é quem faz juízo de valor sobre a própria vontade do cidadão, e julga até a sanidade do mesmo ou da sua mensagem. O Quarto Estado também não nos representa.
Desde as alterações climáticas, declínio ou estagnação de salários reais, desmantelamento de serviços sociais, imigração, as vozes parecem não serem ouvidas. Conceitos tradicionais de esquerda ou direita não estão por detrás das medidas apresentadas no livro, e eu próprio irei evitar chutar para um lado ou outro.
Primeiro são apresentadas 10 razões pelas quais os políticos não nos representam, nem nos representarão. O que parece que todas elas têm em comum, apesar de originarem de várias áreas do saber, é que apontam para problemas estruturais, ou seja, no sistema político, incluindo o eleitoral. Mudar os atores de uma peça que é má não serve de muito. O que estará sempre em questão é o “interesse público”, que na ciência política pode ter vários significados, mas para o efeito deste livro, será um termo usado e assume-se que nem sempre corresponde os desejos expressos pela maioria da população, incluindo a que viram naquela última sondagem na semana passada.
O autor procura de alguma forma um mundo “pós-ideológico”, onde decisões serão tomadas por pragmatismo fundamentado e democraticamente, ultrapassando conceitos pré-concebidos de esquerda ou direita. [acho que por defeito, caímos sempre para um lado ou para o outro, mesmo pelo bem comum, mas não vou entrar nisso aqui].
Contesta ainda a ideia que a globalização das coisas e das comunidades, tornam impossível implementar reformas ambiciosas contrárias aos interesses das elites políticas e económicas que já nos governam. O melhor argumento contra as ideias apresentadas no livro, estará na incerteza como tais alterações numa parte do sistema vão afetar o funcionamento de todo o sistema. Felizmente há projetos piloto e casos reais pelos quais podemos tirar algumas conclusões, e certamente o passo seguinte será tirar proveito da descentralização da informação e criar literacia política e financeira, permitindo dar mais confiança ao cidadão, e aumentar a nossa confiança nos concidadãos.
Democratizar e dar mais poder ao cidadão aumentará a sua noção da realidade, mas também lhe traz mais responsabilidades, neste caso de cidadania e políticas. Em muitas culturas, e se calhar até instintivamente, chuta-se para canto, deixando para os que achamos mais sábios que nós ou com mais tempo que nós. O que este livro vem desmistificar é que independentemente dos canudos e das gordas contas bancárias que os políticos têm, os cidadãos são capazes de tomar decisões difíceis e informadas, especialmente quando tem consequências nas suas próprias vidas. Porém isto também supõe que os cidadãos estão dispostos a ouvir os especialistas, de várias áreas e pontos de vista, e desenvolverem um pensamento crítico dos problemas que querem resolver. Haverá sempre os extremos e os céticos, mas matematicamente continua a valer a pena.
Algo que Manuel Arriaga fez muito bem foi mostrar os prós e contras das suas próprias ideias, e isto é honestidade intelectual. Acho que este livro é importante para quem se preocupa em descentralizar poder, e realmente se preocupa em retirar o engrandecimento das elites, procurando alternativas mais ao nível de raiz para enfrentar os problemas da sociedade.
Totalidade da Análise pode ser lida no blog
“Um cidadão autónomo não é independente dos outros, mas significa que tem controlo sobre as suas atividades e que aprova os valores que lhes estão implícitos. É «razoavelmente livre» e tem algo a dizer como as coisas são feitas [Parafraseado]”
Será que os políticos nos representam? A não ser que seja um bancário, considero que não seja muito difícil encontrar cidadãos que respondam negativamente a esta questão, e os movimentos que surgem hoje contra o estabelecimento ou contra as elites mostram precisamente isto. O livro assume que o leitor reconhece este facto, e também está interessado em se informar mais para melhores escolhas no momento de exercer o voto, ou quando tem de tomar alguma posição sobre esta ou aquela política.
As nossas democracias não estão a funcionar e precisamos de recuperar o controlo sobre o nosso futuro. Se os políticos no nosso país já mal nos representam, e se preocupam mais com os seus semelhantes e elite empresárias, quanto menos aqueles que estão em Bruxelas. Ainda que tecnicamente sejamos considerados cidadãos europeus, na prática, por razões culturais e políticas, estaríamos a mentir ao dizer que nos preocupamos tanto com o cidadão na Alemanha da mesma forma que nos preocupamos com os nossos familiares vizinhos – mesmo que tenhamos amigos e familiares por todo o lado, há sempre um lar ou outro que afeta mais o nosso modo de viver.
Os políticos que mandam na Europa identificam-se mais com a elite partidária de onde vêm e com as elites empresariais que lhes fazem lobby, do que os seus concidadãos da classe média trabalhadora. Por consequência, e como ficou claro nos últimos anos, apesar de sermos cidadãos europeus, os políticos sentem o mesmo que nós: têm como prioridade o seu próprio país, ou grupo de países (Norte vs Sul por exemplo). Como podemos descentralizar este poder e ter algum controle sobre o que os políticos fazem?
O verdadeiro objetivo de Manuel Arriaga foi lançar um debate público para reformar os nossos sistemas políticos. Considerando o aparente crescimento do autoritarismo e ressurgimento de velhas ideias, não sei o quanto eficaz foi este livro, e se Arriaga esteja a ver resultados, mas pelo menos confessa-se otimista no final do livro. Os cidadãos vivem – supostamente – numa democracia representativa, mas a classe política deixou de responder perante a população e “nem mesmo as maiores manifestações podem travar uma classe política determinada.” Esta determinação é vivida no nosso país, imaginem quando queremos ser ouvidos em Bruxelas e a própria comunicação social é quem faz juízo de valor sobre a própria vontade do cidadão, e julga até a sanidade do mesmo ou da sua mensagem. O Quarto Estado também não nos representa.
Desde as alterações climáticas, declínio ou estagnação de salários reais, desmantelamento de serviços sociais, imigração, as vozes parecem não serem ouvidas. Conceitos tradicionais de esquerda ou direita não estão por detrás das medidas apresentadas no livro, e eu próprio irei evitar chutar para um lado ou outro.
Primeiro são apresentadas 10 razões pelas quais os políticos não nos representam, nem nos representarão. O que parece que todas elas têm em comum, apesar de originarem de várias áreas do saber, é que apontam para problemas estruturais, ou seja, no sistema político, incluindo o eleitoral. Mudar os atores de uma peça que é má não serve de muito. O que estará sempre em questão é o “interesse público”, que na ciência política pode ter vários significados, mas para o efeito deste livro, será um termo usado e assume-se que nem sempre corresponde os desejos expressos pela maioria da população, incluindo a que viram naquela última sondagem na semana passada.
O autor procura de alguma forma um mundo “pós-ideológico”, onde decisões serão tomadas por pragmatismo fundamentado e democraticamente, ultrapassando conceitos pré-concebidos de esquerda ou direita. [acho que por defeito, caímos sempre para um lado ou para o outro, mesmo pelo bem comum, mas não vou entrar nisso aqui].
Contesta ainda a ideia que a globalização das coisas e das comunidades, tornam impossível implementar reformas ambiciosas contrárias aos interesses das elites políticas e económicas que já nos governam. O melhor argumento contra as ideias apresentadas no livro, estará na incerteza como tais alterações numa parte do sistema vão afetar o funcionamento de todo o sistema. Felizmente há projetos piloto e casos reais pelos quais podemos tirar algumas conclusões, e certamente o passo seguinte será tirar proveito da descentralização da informação e criar literacia política e financeira, permitindo dar mais confiança ao cidadão, e aumentar a nossa confiança nos concidadãos.
Democratizar e dar mais poder ao cidadão aumentará a sua noção da realidade, mas também lhe traz mais responsabilidades, neste caso de cidadania e políticas. Em muitas culturas, e se calhar até instintivamente, chuta-se para canto, deixando para os que achamos mais sábios que nós ou com mais tempo que nós. O que este livro vem desmistificar é que independentemente dos canudos e das gordas contas bancárias que os políticos têm, os cidadãos são capazes de tomar decisões difíceis e informadas, especialmente quando tem consequências nas suas próprias vidas. Porém isto também supõe que os cidadãos estão dispostos a ouvir os especialistas, de várias áreas e pontos de vista, e desenvolverem um pensamento crítico dos problemas que querem resolver. Haverá sempre os extremos e os céticos, mas matematicamente continua a valer a pena.
Algo que Manuel Arriaga fez muito bem foi mostrar os prós e contras das suas próprias ideias, e isto é honestidade intelectual. Acho que este livro é importante para quem se preocupa em descentralizar poder, e realmente se preocupa em retirar o engrandecimento das elites, procurando alternativas mais ao nível de raiz para enfrentar os problemas da sociedade.
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Reinventar a Democracia.
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May 14, 2021
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May 14, 2021
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May 16, 2021
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49.38%
"Partindo do principio que o autor é baseado nos EUA, e o título original é inglês, explica as menções e classificações, em pleno 2015, de raça e género no que cabe à descrição da classe política e eleitores."
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May 18, 2021
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