Caroline Gurgel's Reviews > Travessuras da menina má

Travessuras da menina má by Mario Vargas Llosa
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bookshelves: i-own-paperback, nobel-prize, favorites

Comecei a ler Travessuras da Menina Má anos atrás, por recomendação – e muita insistência – do meu pai. Li algumas páginas e abandonei. Por mais que me dissessem que o livro era incrível, coloquei na cabeça que não iria gostar. Minha teimosia falou mais alto até… dias atrás, quando finalmente resolvi dar uma segunda chance. Ou seria terceira?

Que livro maravilhoso! Só não estou mais arrependida de não ter insistido antes na leitura porque penso que, de fato, li na hora certa. Talvez, talvez!, eu não tivesse mesmo gostado dele naquela época, quem sabe?!

Mario Vargas Llosa inicia seu romance na década de 50, no nobre bairro de Miraflores, em Lima, onde o ainda adolescente Ricardo, que tinha por objetivo de vida ir morar em Paris, se apaixona por Lily, uma chilena recém chegada ao país, que causa alvoroço por onde passa. Mas, Ricardo, o “bom menino”, vai descobrir que a menina má não é bem quem ela diz ser. Aliás, vai passar todo o livro redescobrindo isso.

"Riu com prazer quando perguntou pelos meus planos a longo prazo e eu respondi: Morrer de velho em Paris."

Não conto-lhes mais. Não devo. Não devem saber mais que isso. Não procurem saber mais que isso. Deixem que a surpresa lhes arrebate. Deixem que a aparente simplicidade no texto do autor lhes surpreenda. Deixem que esses personagens tão imperfeitos lhes encantem. Deixem-se levar por tantos caminhos, por tantas mentiras, por tantas insanidades. Entreguem-se, como eu deveria ter me entregado desde as primeiras páginas. Não o fiz. Só fui sugada depois do primeiro terço da história.

Tive raiva, muita raiva. Muita, muita raiva. E o que era para ser uma protagonista detestável, está aqui, marcada no meu peito. E o que era para ser um protagonista sem graça, de personalidade fraca, sem ambição, também está aqui, para sempre no meu coração. Que personagens incríveis! Memoráveis!

Quando você se depara com uma narrativa tão fluida como essa, você percebe o quanto já banalizou o uso dessa palavrinha em outros tantos comentários. O texto parece completamente despretensioso, como se o autor estivesse sentado lhe contando com extrema franqueza e naturalidade sua história. Aliás, é um relato tão sincero que autor e narrador se confundem e você tem certeza de que aquele escritor viveu muito daquilo.

Se pararmos para pensar com frieza, essa espontaneidade dá lugar a um texto muito bem estruturado. Mesmo com uma narrativa linear, seus capítulos parecem histórias dentro da história, com lugares e personagens secundários que aparecem, lhe conquistam e somem, como círculos que se fecham e juntos formam o romance.

Ao longo de todo o livro acompanhamos – com muitas alfinetadas – um pouco do cenário sociopolítico da segunda metade do século XX, especialmente da América Latina. E é aí que narrador e autor se mesclam ainda mais, embora Ricardo, já tradutor da UNESCO e vivendo em Paris, não se metesse muito com política.

Na verdade, Ricardo não se metia em muita coisa, a não ser que a sua menina má estivesse no meio. Aí, sim, ele corria o mundo para alcançá-la. E como ela aprontou! Argh…! Quantas pessoas tem a sorte de ter um Ricardito em suas vidas e o imenso azar de menosprezá-lo?

É uma história de amor, de um amor louco, intenso, obsessivo, que destrói tudo que toca. É uma história de encontros e desencontros, de uma paixão cega, eterna e insana, que chega a dar raiva no leitor. Mas é também uma história que nos faz pensar em quantas Lilys existem por aí, em quantas Lilys não já desperdiçaram seu Ricardito por pura ambição e vaidade. Será que uma pessoa tão gananciosa pode ser feliz na calmaria de uma vida comum? Teria sido feliz se não tivesse tentado tudo que quis ou teria passado a vida se questionando onde estaria se…

Que livro! Que final! Que personagens! Só posso insistir que leiam, mas não deixem que minha euforia gere tantas expectativas. É um livro simples e genial ao mesmo tempo. É uma história comum, de gente comum, mas que tem algum pozinho mágico inexplicável em suas páginas que emociona e cativa o leitor. E, se ao terminar a leitura, você estiver destroçada, precisando de um abraço, é isso aí, você sentiu tudo que senti.

❤ ❤ ❤ ❤ ❤
★ ★ ★ ★ ★

www.historiasdepapel.com.br

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Reading Progress

June 9, 2016 – Started Reading
June 9, 2016 – Shelved
June 9, 2016 – Shelved as: i-own-paperback
June 9, 2016 – Shelved as: nobel-prize
June 9, 2016 –
page 260
86.09% "Que livro é esse?! O.O"
June 10, 2016 – Shelved as: favorites
June 10, 2016 – Finished Reading

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Javier C Bela revisão. Eu concordo totalmente com você.


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