Arthur's Reviews > As fantasias eletivas

As fantasias eletivas by Carlos Henrique Schroeder
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Li esse livro numa sentada, que pode ser decomposta em ônibus (15min), andada até a reitoria (10min), retorno pra casa (ônibus+ônibus+caminhada:45min) e sentadinha no sofá (nem 30min). Muito rápido. Mesmo.

Vi uma sinopse há unas dias e achei que, vish, não ia gostar. Não sei a razão, talvez fosse o lance metaliterário.

No final, o livro não é apenas a respeito da Copi, mas também sobre um homem médio (inclusive, bem homem médio no sentido de agressão familiar etc., se eu entendi bem). Copi ganha destaque depois e daqui a pouco já vem aquele discurso sobre literatura (bem ensaístico, nada mau), justificável pela construção da personagem (bem boa, aliás), mas que tem me incomodado nas leituras ultimamente. Talvez eu estivesse esperando algo meio Marcelino Freire (que se recusa a "dar voz pra outro, que não é melhor do que ninguém", mas que tem uma proximidade tal com o que narra que a gente pensa que está vendo um filminho-poesia-cordel-documentário), mas é a mesma coisa que ler Raphael Montes e Joel Dicker, esperando um Garota Exemplar (sim, estou me referindo a isso aqui): são coisas diferentes e pronto (e eu já deveria estar muito do contente por ter lido Nossos ossos).

Mas voltemos ao livro: o Renê e a cidade são duas personagens que se complementam bem. Ao ler, deu aquela sensação de reconhecer uma cidade (que eu não sei se já visitei de verdade, mas me pareceu que sim, ao vê-la descrita) parecida com a que o povo disse ter com Barba ensopada de sangue -- isso com o bônus da narração ir mais direto ao ponto, não necessitando de quase 500 páginas (meu maior bode com o livro do Galera).

Lembranças como fantasias eletivas. Gostei disso.

Achei legal o passado da Copi, que justifica seus pensamentos sobre poesia, fotografias, seus escritos. Acho que casou muito bem com a fotografia da menina no trilho do trem e os pensamentos de Copi. Talvez Schroeder esteja indicando ali como criou a Copi: viu uma travesti e pensou "como deve ser a sua vida?".

O problema é que (se prepara que tem um citaçãozona além de spoilers a seguir)
(view spoiler)

Isso tirou uma estrela, quase duas. As fotografias com escritos até que são legais. Poeta, o moço não é (ou talvez Schroeder só quisesse mostrar que a Copi era uma poeta mixuruca, vai saber). O finalzinho retoma a estrutura alfabética no começo, o que me lembrou das coisas boas antes do discurso da Copi (o problema talvez nem seja o discurso, mas sua localização, logo depois da parte spoilerzenta), o que me lembrou do quanto gostei do livro de contos do moço, daí mantive a quarta estrela lá.

(Ufa! Falei demais pra quem se propõe a fazer uma resenha de cabeça quente.)
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Reading Progress

August 22, 2014 – Shelved
August 22, 2014 – Shelved as: to-read
September 12, 2014 – Started Reading
September 12, 2014 – Finished Reading

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