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Carina Rosa Há dois anos, creio, na Feira do Marisco de Faro. Falo d'O Palácio dos meus sonhos». Foi uma boa noite, em que conheci uma família metade belga, metade espanhola, e sentámo-nos todos por acaso à mesma mesa. Ignorámo-nos a maior parte do tempo, o meu grupo e a família desconhecida, até que começámos inevitavelmente, devido à falta de espaço na mesa, a unirmo-nos fisicamente. Uma palavra levou a outra e quando demos por isso, já partilhávamos comida e bebida. De sorrisos passámos a conversas de cinscunstância e destas a livros, claro. O chefe de família disse-me, na altura, em espanhol, quando falava no lançamento do meu intruso: "ser jornalista não é muito relevante, mas escritor...isso é de valor". Foi uma noite especial, em que, estranhamente, senti um formigueiro no estômago quando vi a família desconhecida afastar-se - o pai e os dois filhos adolescentes simpáticos (a mãe ficara na Bélgica, não me recordo o motivo) - sei que só por grande força do destino nos voltaremos a encontrar e dei por mim a pensar na vida, como faço tantas vezes, nas pessoas que conhecemos por acaso e no que aprendemos com elas. Nas afinidades que encontramos nelas e naquilo que faríamos/quem seríamos se não as tivéssemos conhecido. A verdade é que nada disto vem ao caso quando falo d'O Palácio dos meus sonhos, porque o romance não fala desta família metade espanhola, metade belga, cujos filhos faziam o quê? Seriam músicos? Acho que o rapaz tocava qualquer coisa...acabei por esquecer-me o quê. A verdadeira história surgiu-me no final da noite, quando conversava com uma amiga do meu grupo. Ela foi-me contando partes da sua própria história e às tantas peguei no gravador do jornal para apanhar o que me falhasse depois, se decidisse escrever uma coisa ou outra sobre o assunto. A verdade é que a história não me pareceu nada de especial, embora seja a dela e todas as histórias de vida são especiais. Tenho a dizer que nunca peguei no gravador para a ouvir. Deitei-me antes na cama, ao final da noite, a pensar na feira, no ambiente e na família espanhola/belga (porque não consigo pensar nesta história sem pensar neles) e matutei na vida da minha amiga até criar um romance na minha cabeça - meu, dela, da família extraordinária que conhecemos nesse dia. Nunca a teria imaginado como é hoje, porque quando escrevemos, os personagens ganham vida e parâmetros diferentes. Intrometem-se demasiado e temos de lhes dar corda. Eu dei-lhes corda. E estou feliz.

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