A Morte é um Dia Que Vale a Pena Viver
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o Homem tolera qualquer “como” se tiver um “porquê”.
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Mas as primeiras respostas só vieram quando uma enfermeira me deu de presente o livro Sobre a morte e o morrer, de Elisabeth Kübbler-Ross, psiquiatra suíça radicada nos Estados Unidos. Nele, a autora transcreve as experiências de seus pacientes diante do fim da vida e seu desejo de se aproximar deles para ajudá-los em seus momentos finais. Devorei-o em uma noite e, no dia seguinte, aquela dor engasgada no peito aliviou, sabe? Consegui sorrir. Prometi a mim mesma: “Eu vou saber o que fazer.”
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“Amai o próximo como a ti mesmo.” Jesus, o Cristo
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todo o trabalho de cuidar das pessoas na sua integralidade humana só poderia fazer sentido se, em primeiro lugar, eu me dedicasse a cuidar de mim mesma e da minha vida.
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Aceito a morte como parte da vida e tomo todas as providências e condutas para oferecer ao meu paciente a saúde, definida aqui como o bem-estar resultante do conforto físico, emocional, familiar, social e espiritual.
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Acredito que a morte pode chegar no tempo certo, e assim será conhecida como ortotanásia. Mas ainda sou mais ambiciosa na prática dos Cuidados Paliativos e busco proporcionar e presenciar a kalotanásia: a morte “bela”.
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“Cuidados Paliativos é tratar e escutar o paciente e a família, é dizer ‘sim, sempre há algo que pode ser feito’ da forma mais sublime e amorosa que pode existir. É um avanço da medicina.”
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Muita gente diz ter medo da morte. E me espanto quando vejo como vivem: bebem além da conta, fumam além da conta, trabalham além da conta, reclamam além da conta, sofrem além da conta. E vivem de um jeito insuficiente. Gosto de provocar dizendo que são pessoas corajosas. Têm medo da morte e se apressam loucamente em encontrá-la. Quem diz ter medo da morte deveria ter um medo mais responsável. Quem sabe poderíamos dizer que deveriam ter respeito por ela. O medo não salva ninguém do fim, a coragem também não. Mas o respeito pela morte traz equilíbrio e harmonia nas escolhas. Não traz ...more
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Quando adoecemos, a percepção que temos do tempo é muito diferente de quando estamos saudáveis. O tempo da espera parece que dura para sempre. A espera é muito difícil: é o oposto da atividade. Como a pessoa não pode fazer coisas, é como se não estivesse viva. “Então agora não posso fazer nada? Não tem nada que eu possa fazer?” A medicina não pode fazer nada. Espera-se a morte, então. Mas o problema mais difícil não é a morte, é esperar por ela.
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Morte natural é aquela que acontecerá em decorrência de uma doença grave incurável, que está piorando e para a qual a medicina esgotou suas possibilidades de tratamento. Nada impedirá a pessoa que tem tal doença de chegar à morte; é uma condição inexorável para aquela situação. É a essa pessoa, a esse paciente, que ofereço os Cuidados Paliativos.
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Terminalidade não é tempo, e sim uma condição clínica que advém de uma doença grave, incurável, sem possibilidade de controle, e diante da qual, impotente, a medicina cruza os braços.
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A melhor coisa que posso fazer por alguém na hora da morte é estar presente. Presente ao lado dessa pessoa, diante dela, por ela, para ela. Um estado de presença multidimensional que somente o caminho da compaixão pode revelar. Se eu for sentir a dor do outro, então não posso estar presente, pois será a minha dor. Se eu sinto a dor, estou em mim e não no outro. Quando tenho compaixão pela dor do outro, respeito essa dor, mas sei que ela não me pertence. Posso estar presente a ponto de proporcionar socorro, levar conforto. Se tenho compaixão, posso oferecer ou buscar ajuda. Se sinto a dor, ...more
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Quando chegar a minha vez, quero terminar a minha vida de um jeito bom: quero estar viva nesse dia.
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“Salve-se quem puder, porque para todas as horas é sempre chegada a hora.” Clarice Lispector
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Quando não houver mais tempo, dará tempo de ser feliz?
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nenhum dinheiro do mundo nos protegerá de morrer quando chegar a nossa hora.
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Se a pessoa está realmente em sua fase final de vida e escrevo na prescrição que o paciente tem “permissão para a morte natural”,
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O trabalho do médico deveria ser o de promover a saúde. Mas atuamos na base do medo: faça exames! Caminhe cinco vezes por semana, durma, coma direito! Senão você morre! Claro que você vai morrer. Mesmo que faça tudo isso. Deveríamos alertar que, se você fizer tudo isso, vai viver melhor. E isso já deveria ser um bom motivo. É um grande desafio para os médicos e profissionais de saúde compreender que não há fracasso quando acontece a morte. O fracasso do médico acontece se a pessoa não vive feliz quando se trata com ele.
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Quando se trata de fé, as religiões dizem coisas muito diferentes. Ter fé é diferente de acreditar; aprendi isso com um paciente muito sábio, tão sábio que, depois de viver uma relação desastrosa com a família, tornou-se morador de rua. As relações com os amigos são melhores do que as que cultivamos na família. Perguntei a ele: “Francisco, você acredita em Deus?” A resposta: “Eu não acredito em Deus, não, em Deus eu tenho fé.” Eu fiz aquela cara de “Oi?”, e ele perguntou: “Você entendeu?” Nada, não tinha entendido nada… E ele me salvou: “Acreditar, a gente pode acreditar em tudo. Eu acredito ...more