uma análise introdutória que surpreende pelo quão sucintamente resume a origem do fascismo, a sua resiliência e renascimento ao longo do último século e a relação basilar que tem com o neoliberalismo actual. por outro lado o que mais me interessou foi a ligação que Carboni faz entre o aspecto moderno do fascismo e a participação e responsabilidade que a indústria artística contemporânea teve e continua a ter na sua expressão cultural. o apontamento do futurismo como tendo servido de ponto de partida para o estabelecimento cultural do fascismo - a obsessão pelo progresso, o frenético fascínio pelo avanço da tecnologia a todo custo, o questionar, romper e corromper dos limites do corpo humano - alerta para a quantidade desse futurismo que hoje é reavivado nas artes através de movimentos como o vaporwave. a qualidade camaleónica que o neoliberalismo oferece ao fascismo permite-lhe a liberdade para se ocultar em plena vista sem ser questionado que fará destruído ou, no mínimo, desconstruído.
onde este ensaio desilude, a meu ver, é em não conseguir sugerir estratégias concretas no sentido de produzir arte antifascista capaz de fazer frente às correntes culturais fascistas que claramente têm vindo, sem qualquer tipo de oposição, a apoderar-se da sociedade ocidental. o mais perto que Carboni chega a propor é que um artista tem a responsabilidade social de, antes de mais nada, participar na resistência aos sistemas em vigor. só através desse conhecimento prático, desse contacto empírico com a opressão do estado e a repressão capitalista, só assim será possível imaginar e criar arte capaz de se recuperar a si mesma. fica por dizer o que isso significa em termos materiais, ficando tal proposta à mercê da interpretação des artistas que a levem a sério.