For Astrid Varnay, opera was the family business. The daughter of coloratura soprano Mária Jávor and dramatic tenor Alexander Várnay, she literally grew up backstage at the opera. Vocally and musically trained by her mother and mentor (and later husband) Hermann Weigert, she was just twenty-three years old when she made her unofficial debut at the Metropolitan Opera as a last-minute replacement for the suddenly ill Lotte Lehmann. Varnay's critically acclaimed performance as Sieglinde in Die Walküre catapulted her into the limelight.Varnay reflects on her remarkable life in opera, discussing her signature roles and performances, vocal preparation and technique, interpretive acting style, and her seamless transition from leading soprano to character roles, including her switch from Elektra to Klytemnästra in Strauss's Elektra.Her engaging and witty memoir is filled with frank, often critical, observations about many of the most significant vocal artists, conductors, and directors of the twentieth century. She describes her lifelong friendship with operatic idol Kirsten Flagstad, the years at the Met and conflicts with Rudolf Bing, her appearances at the Bayreuth and Salzburg Festivals, and her artistic rift with Herbert von Karajan.
Astrid Varnay (with Donald Arthur), Fifty-five Years in Five Acts – My Life in Opera, Northeastern University Press, Boston, 2007
Para qualquer amante da arte lírica e, em especial, de Wagner e Richard Strauss, o nome de Astrid Varnay é incontornável e sinónimo de profunda admiração. Varnay, com ascendência húngara, nascida na Suécia e criada nos Estados Unidos da América, foi uma das mais apreciadas e admiradas sopranos dramáticas do século XX, a grande Brünnhilde da década de 50 em Bayreuth, porventura a mais fascinante e maléfica Ortrud, uma Isolde muito apreciada (mas, infelizmente, raramente captada em disco), intérprete de eleição de Elektra e Salome e, em momentos posteriores da sua carreira, de Klytämnestra e Herodias. Mas também fora do repertório germânico Varnay granjeou grande sucesso em papéis como Mamma Lucia (Cavalleria Rusticana) e Lady Macbeth, sendo ainda grande adepta dos compositores seus contemporâneos, interpretando em palco muito regularmente obras de Orff, Werner Egk, Honegger e Kurt Weil. Toda esta vida riquíssima em experiências e reflexões podemos seguir nesta magnífica autobiografia. Desde o momento em que os pais se conheceram até à sua retirada dos palcos, acompanhamos 55 anos de carreira e, ao mesmo tempo, grande parte da história do século XX. Para além das experiências nos palcos e fora deles, das influências, amizades, supostas rivalidades, descobertas, desilusões, dificuldades, Varnay dá-nos o seu testemunho do contacto com figuras como Kirsten Flagstad (amiga da família e grande impulsionadora da sua carreira, por quem sempre manteve uma admiração incondicional), Mauritz Melchior, o seu marido e professor Hermann Weigert, Dmitri Mitropoulos, Hans Hotter, Gerhard Stolze, Martha Mödl, Hans Knappertsbusch, Helen Traubel, entre tantos outros. A difícil relação com o então director do Met, Rudolf Bing, que levou ao seu afastamento desse teatro durante longos anos, as vicissitudes da sua relação com Karajan em Bayreuth e mais tarde em Salzburg, a sua admiração profunda pelos irmãos Wieland e Wolfgang Wagner, de tudo dá testemunho, sempre com grande elevação, embora sem nunca amenizar os seus juízos críticos. Para além da vertente biográfica, Varnay aproveita para partilhar com o leitor as suas ideias sobre os papéis mais emblemáticos que encarnou, designadamente no repertório straussiano, bem como para explicar a sua preparação técnica e dispensar alguns conselhos para quem se queira lançar na carreira lírica. O livro foi escrito originalmente em inglês, ou melhor, em inglês dos Estados Unidos (a verdadeira língua materna de Varnay), o que é bem perceptível no recurso frequente a construções frásicas e a expressões tipicamente norte-americanas, o que confere um colorido especial ao discurso. O livro termina com um quadro de todo o repertório cantado por Varnay, com a indicação do número de vezes que cantou cada papel, bem como com uma discografia virtualmente completa. Em suma, uma leitura extremamente interessante para quem se interesse pela arte lírica e por conhecer melhor a vida e contexto de uma das suas figuras mais emblemáticas do século XX.
One of the books I have had enjoyed the most this year . It is clear that Astrid's memoirs are substantially well served by Donald Arthur's skilled writing.