Goodreads helps you keep track of books you want to read.
Start by marking “São Bernardo” as Want to Read:
São Bernardo
Enlarge cover
Rate this book
Clear rating
Open Preview

São Bernardo

4.01  ·  Rating details ·  1,831 ratings  ·  58 reviews
O livro conta a história de Paulo Honório, um homem simples, que movido por uma ambição sem limites, acaba transformando-se em um grande fazendeiro do sertão de Alagoas e casa-se com Madalena para conseguir um herdeiro. Incapaz de entender a forma humanitária pela qual a mulher vê o mundo, ele tenta anulá-la com seu autoritarismo. Com este personagem, Graciliano Ramos traç ...more
Paperback, 269 pages
Published 2003 by Record (first published 1934)
More Details... Edit Details

Friend Reviews

To see what your friends thought of this book, please sign up.

Reader Q&A

To ask other readers questions about São Bernardo, please sign up.

Be the first to ask a question about São Bernardo

Community Reviews

Showing 1-30
4.01  · 
Rating details
 ·  1,831 ratings  ·  58 reviews


More filters
 | 
Sort order
Carmo
Aug 16, 2019 rated it it was amazing  ·  review of another edition
Shelves: brasil
"Cinquenta anos perdidos.
Cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros.
Cinquenta anos, quantas horas inúteis…
Estraguei a minha vida.
Estraguei-a estupidamente."


Desastrosa conclusão para quem faz um balanço de precoces vivências, corroído pela amargura de saber que os erros cometidos podiam ter sido evitados. Podiam, mas não foram, e essa é outra triste evidência; o saber que não há segundas oportunidades, e ainda que as houvesse, voltaria a fazer tudo da mesma manei
...more
Vera (GirlySunglasses)
Posted a longer review on my blog. You can check it here.

Here's an except:

I have an interesting story/relationship with this book. The first time I was supposed to read it, I was in 9th grade and I had to read it for the finals. It took me too long to get the book which left me with little time to read it. As a result, I read until the middle, then skipped to the last few pages. I got a grade good enough to pass the class, but that was it.


***

Here's how much I love this book: I've read it three
...more
Jéssica
Dec 22, 2017 rated it really liked it
Muito bom! Escrita simples e competente.
É inevitável não fazer um link entre o desgraçado e vil Paulo Honório e personagens atormentados pela própria mente como Dom Casmurro e o próprio homem do subsolo, de Dostoiévski.
Só não dei cinco estrelas porque esperava um aprofundamento lírico-dramático maior, mas Graciliano é assim mesmo, enxuto; parece que busca a "palavra justa" de Flaubert e pronto.
Carlos Freitas
Sep 18, 2016 rated it really liked it
Uma mistura de Sangue Negro com Dom Casmurro.
P. Danielle
Jul 01, 2019 rated it really liked it
Às vezes, voce não precisa ser traído pra ser corno.
Anna Braga
Feb 25, 2019 rated it really liked it
Achei a leitura excelente do primeiro ao último capítulo. Trata-se de um relato: a trajetória do narrador, por ele mesmo contada. Às vezes, até duvidei, mesmo sendo uma ficção, que o senhor Paulo Honório é que tava contando aqueles fatos. Um senhor bruto, seco e sem escolaridade, colocar em palavras toda uma vida, que mesmo dura e carrancuda, é de uma sobriedade enorme. A forma como é narrado, o uso da oralidade, é mais um elemento dessas tantas cascas secas e rudeza do fazendeiro.
Um homem frio
...more
Matheus Diniz
Mar 01, 2019 rated it liked it
Mais um livro que acabou de repente. Tinha me preparado pras 260 páginas do pdf, chegou na 112 e fim. "São Bernardo" merece destaque pela excelente escrita do autor.
Newton Nitro
Jul 13, 2015 rated it it was amazing
Um livro fantástico, uma obra prima da linguagem de “osso e pedra” de Graciliano Ramos. São Bernardo merece a fama que tem, um livro enxuto e seco como o sertão de alagoas, e onde pude, pela primeira vez, mergulhar no ponto de vista de um tradicional “coronel” fazendeiro do Sertão de Alagoas.

O protagonista do livro, o brutal e ambicioso Paulo Honório, é uma espécie de “self made man” nordestino, que, de origem miserável, se torna um importante fazendeiro do sertão de Alagoas, apenas para ver tud
...more
Dimitar
Jan 28, 2019 rated it it was amazing
Рој инсекти се собираат врз жолтеникавата светилка на мојот кревет. Кога топлината го пржи нивното кратко постоење, се струполуваат врз моите клепки или врз буквите од некоја поткината книга. Се обидувам, сосема срамежливо и нежно, да составам реченици од зборовите над кои што лежат инсектите, или да ги замачкам преку хартијата во обидот да ги отстранам.
На адресата на која што живее Грашко, односно во малечката соба што ја има земено под наем, секој вторник пристигнуваат писма од жената која шт
...more
Oralia
Mar 03, 2013 rated it really liked it
Shelves: lo-tengo
Una brillante tragedia que retrata el auge y caída de un hacendado brasileño a inicios del siglo XX. Graciliano Ramos, de quien me dijeron era el "Juan Rulfo brasileño", tiene una prosa sencilla y atrapante que me dejó picada con la novela.
Mariana
“S. Bernardo” de Graciliano Ramos foi lançado pela primeira vez em 1934 e esse ano ganhou nova identidade visual pela Editora Record.
-
Do mesmo autor, eu tinha lido Vidas Secas e quando estava procurando textos sobre “Jude, o obscuro”, me deparei com um de Carpaux (Visão de Graciliano Ramos, ensaios reunidos volI) fazendo uma comparação entre a literatura de Graciliano Ramos e Thomas Hardy, ali ele dizia que Vidas Secas era a obra mais esperançosa do autor, fiquei curiosa para conhecer melhor out
...more
Juan Nalerio
Nov 21, 2018 rated it liked it
Publicada en 1934, “Sao Bernardo” es una novela que representa a los escritores del modernismo brasilero. Las distintas crisis que afectaron al mundo en dicha época fueron tomadas para describir la problemática social brasilera por varios escritores, entre ellos Graciliano Ramos.
Si no me equivoco, ellos lo llaman “os romances”
Sao Bernardo nos describe la problemática del hombre rudo y violento moldeado por la dureza de la naturaleza. La miseria y la ignorancia también están presentes como eje de
...more
Leonardo Bruno
Jul 22, 2019 rated it it was amazing
Shelves: comprado
Delícia de prosa e de vocabulário. A vocação do escritor e sua incessante luta com o mundo e consigo mesmo, com direito a um fluxo de consciência no final que em muito se assemelha a A morte de Ivan Ilitch, de Tolstoi.
Jemima
May 30, 2017 rated it did not like it
Pleased it's finished, really didn't enjoy this book. I don't feel it represents Brazilian Literature in the way I'd hoped or in the way other beautiful books have
Heitor Duarte Derisso
Mar 24, 2019 rated it it was amazing
5/5
Erwin Maack
Apr 07, 2012 rated it it was amazing
E os negócios desdobraram-se automaticamente.
Automaticamente. Difícil? Nada! Se eles entram nos
trilhos, rodam que é uma beleza. Se não entram,
cruzem os braços. Mas se virem que estão de
sorte, metam o pau: as tolices que praticarem viram
sabedoria. Tenho visto criaturas que trabalham
demais e não progridem. Conheço indivíduos
preguiçosos que têm faro: quando a ocasião chega,
desenroscam-se, abrem a boca – e engolem tudo.
(página 48)

Aqui nos dias santos surgem viagens, doenças
e outros pretextos para o
...more
Barri Brown
Aug 08, 2015 rated it it was amazing
Now I need to read Vida Secas for a third time. And looking forward to Caetés and Angústia and Memorias de Cárcere.
Marcelo Tempes
Feb 15, 2018 rated it really liked it  ·  review of another edition
Shelves: prateleira
Em sua frenesi Paulo Honório conquista Madalena, se é que casar-se desta maneira é conquistar, mas, esquece-se de conhecer a mulher. De fato, o fazendeiro coisifica-a, acreditando que esse é o modo natural de todo relacionamento. Em algum momento o comportamento da esposa consegue ferir essa casca bestial de Paulo, mas a enxurrada de novas percepções é tão grande que passa por incompreensível, travestindo-se de ciúmes, aos olhos do brutamontes. Como diria meu bisavô, quando um burro fala o outro ...more
Gui Martins Pinheiro
May 14, 2017 rated it it was amazing
Um livro intenso e com uma perspectiva incrível a partir da realidade de um sertão que desconheço, mas que chego a me familiarizar. A capacidade de alternância de realidade e fantasia através do uso de tempos verbais, além do uso de elementos da natureza para exprimir as experiências internas do narrador/personagem e suas transformações de humor, me deixou viajar nesse livro de uma maneira espetacular.
Viviane
Aug 30, 2017 rated it it was amazing
Li sem saber o que me esperava e foi uma grata surpresa ver que o livro tem tiradas que podem ser consideradas bem sarcásticas. Ri em algumas passagens, pensei sobre a vida em outras. A leitura é fluida e fácil, sem muita enrolação, já que o próprio personagem que narra se considera um matuto, não erudito. Recomendado para quem quer conhecer uma obra palatável da literatura brasileira, na década de 1930.
Lucas Ferreira
Sep 25, 2017 rated it really liked it
Shelves: brasil
Da violenta ascensão ao declínio interno de Paulo Honório, São Bernardo narra a história de um homem vítima do acelerado e bruto processo capitalista brasileiro dos anos 30 do século passado. A densidade psicológica é a maior que já tive contato em obra escrita em língua portuguesa. A aspereza de Paulo é tão grande que se reflete na escrita da obra. Escrita bem enxuta, seca, árida como é o sertão.
Guilherme Andrade
May 01, 2019 rated it really liked it  ·  review of another edition
É um livro fácil de ler (apesar de um regionalismo) e fácil de entender como a natureza humana pode ser fixada logo na infância. É um livro que, apesar de uma certa simplicidade, sabe ser profundo! Bem direto...bem Pauliano!
Camila Vilela De Holanda
Graça é claro na sua Narrativa: Sê firme na tua observação do mundo, e, sobretudo, sê generoso para que não te arrependas de ter feito da tua vida um desperdício enquanto choras nos silêncios da madrugada, em plena solidão, iluminado por uma única vela.
Isabela
May 03, 2019 rated it liked it
Graciliano nunca me decepciona
Nathália
Jan 19, 2019 rated it it was amazing
que livrão da porra.
Thyago Madeira França
Aug 07, 2019 rated it it was amazing
Feito Otelo e Betinho, o ciúme e a desconfiança corroem o bom senso de Paulo Honório. Perfeito!
Vinícius
Dec 13, 2017 rated it it was amazing
One of the best i have ever read!
marina
Jun 29, 2019 rated it really liked it
aqueles que cativam bem aos poucos e no final têm o meu carinho
Patrícia C.
May 02, 2019 rated it really liked it  ·  review of another edition
quase um século e os problemas expostos aqui seguem existindo. o Brasil é lindo e triste.
Ana Cravo
Mar 09, 2018 rated it liked it
História interessante, apesar de um pouco deprimente.
« previous 1 3 4 5 6 7 8 9 next »
There are no discussion topics on this book yet. Be the first to start one »

Readers also enjoyed

  • Sagarana
  • Morte e Vida Severina e Outros Poemas Para Vozes
  • A Rosa do Povo
  • Libertinagem / Estrela da Manhã
  • Vestido de Noiva
  • O triste fim de Policarpo Quaresma
  • Inocência
  • Poema Sujo
  • Eu e Outras Poesias
  • O Encontro Marcado
  • Auto da Compadecida
  • Quincas Borba
  • Felicidade Clandestina
  • Noite na Taverna
  • Agosto
  • O Quinze
  • Amar, Verbo Intransitivo
  • O Continente - Volume I
See similar books…
178 followers
Graciliano Ramos was widely considered one of the most important Brazilian authors of the 20th century. He was a seminal voice in the literary "regionalism" movement.
As a child Ramos lived in many cities of Northeastern Brazil, stricken by poverty and severe weather conditions (droughts). After high-school, Graciliano went to Rio de Janeiro where he worked as a journalist. In 1915 he traveled to P
...more
No trivia or quizzes yet. Add some now »
“Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste. E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as idéias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel.

Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração.

Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.

Lá fora os sapos arengavam, o vento gemia, as árvores do pomar tornavam-se massas negras.

- Casimiro!

(...) A figura de Casimiro Lopes aparece à janela, os sapos gritam, o vento sacode as árvores, apenas visíveis na treva. Maria das Dores entra e vai abrir o comutador.

Detenho-a: não quero luz.

O tique-taque do relógio diminui, os grilos começam a cantar. E Madalena surge no lado de lá da mesa. Digo baixinho:

- Madalena!

A voz dela me chega aos ouvidos. Não, não é aos ouvidos. Também já não a vejo com os olhos. Estou encostado à mesa, as mãos cruzadas. Os objetos fundiram-se, e não enxergo sequer a toalha branca.

- Madalena...

A voz de Madalena continua a acariciar-me. Que diz ela? Pede-me naturalmente que mande algum dinheiro a Mestre Caetano. Isto me irrita, mas a irritação é diferente das outras, é uma irritação antiga, que me deixa inteiramente calmo. Loucura estar uma pessoa ao mesmo tempo zangada e tranqüila. Mas estou assim. Irritado contra quem? Contra Mestre Caetano. Não obstante ele ter morrido, acho bom que vá trabalhar. Mandrião!

A toalha reaparece, mas não sei se é esta toalha sobre que tenho as mãos cruzadas ou a que estava aqui há cinco anos.

(...) Agitam-se em mim sentimentos inconciliáveis, colerizo-me e enterneço-me; bato na mesa e tenho vontade de chorar. Aparentemente estou sossegado: as mãos continuam cruzadas sobre a toalha e os dedos parecem de pedra. Entretanto ameaço Madalena com o punho. Esquisito.

Distingo no ramerrão da fazenda as mais insignificantes minudências. Maria das Dores, na cozinha, dá lições ao papagaio. Tubarão rosna acolá no jardim. O gado muge no estábulo. O salão fica longe: para irmos lá temos de atravessar um corredor comprido. Apesar disso a palestra de Seu Ribeiro e Dona Glória é bastante clara. A dificuldade seria reproduzir o que eles dizem. É preciso admitir que estão conversando sem palavras.

Padilha assobia no alpendre. Onde andará Padilha? Se eu convencesse Madalena de que ela não tem razão... Se lhe explicasse que é necessário vivermos em paz... Não me entende. Não nos entendemos. O que vai acontecer será muito diferente do que esperamos. Absurdo.

Há um grande silêncio. Estamos em julho. O nordeste não sopra e os sapos dormem.

(...)

Repito que tudo isso continua a azucrinar-me. O que não percebo é o tique-taque do relógio. Que horas são? Não posso ver o mostrador assim às escuras. Quando me sentei aqui, ouviam-se as pancadas do pêndulo, ouviam-se muito bem. Seria conveniente dar corda ao relógio, mas não consigo mexer-me.”
2 likes
“Conheci que Madalena era boa em demasia, mas não conheci tudo de uma vez. Ela se revelou pouco a pouco, e nunca se revelou inteiramente. A culpa foi minha, ou antes, a culpa foi desta vida agreste, que me deu uma alma agreste.
E, falando assim, compreendo que perco o tempo. Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever.

Quando os grilos cantam, sento-me aqui à mesa da sala de jantar, bebo café, acendo o cachimbo. Às vezes as idéias não vêm, ou vêm muito numerosas e a folha permanece meio escrita, como estava na véspera. Releio algumas linhas, que me desagradam. Não vale a pena tentar corrigi-las. Afasto o papel.

Emoções indefiníveis me agitam inquietação terrível, desejo doido de voltar, tagarelar novamente com Madalena, como fazíamos todos os dias, a esta hora. Saudade? Não, não é isto: é desespero, raiva, um peso enorme no coração.

Procuro recordar o que dizíamos. Impossível. As minhas palavras eram apenas palavras, reprodução imperfeita de fatos exteriores, e as dela tinham alguma coisa que não consigo exprimir. Para senti-las melhor, eu apagava as luzes, deixava que a sombra nos envolvesse até ficarmos dois vultos indistintos na escuridão.”
1 likes
More quotes…