Episódios selecionados do clássico da língua portuguesa Os Lusíadas, de Luís de Camões, servem de inspiração ao quadrinista Fido Nesti. A profusão de cores, exageros e traços que oscilam entre a força e a delicadeza faz deste trabalho uma leitura antológica sobre essa obra clássica do mundo lusitano, exemplo fundamental de releitura e tradução entre linguagens aparentemente inconciliáveis: um atraente roteiro em quadrinhos que aproxima o leitor do mundo de Vasco da Gama com a elegância da língua-mãe. É o próprio Camões quem guia o leitor nessa viagem literária, na qual se encontrará com Vasco da Gama, Inês de Souza, o Velho do Restelo e os deuses da mitologia no capítulo final intitulado “A ilha dos amores” – leitura imperdível, pela ousadia e originalidade.
Fido Nesti was born in São Paulo, Brazil, in 1971. A self-taught artist, he has worked in illustration and comics for over twenty-five years. His work has appeared in The New Yorker, Rolling Stone, and Americas Quarterly, among many other publications.
O livro "Os Lusíadas em quadrinhos" de Fido Nesti é uma adaptação para banda desenhada da epopeia de Luís de Camões "Os Lusíadas". A obra dará preferência aos capítulos de maior relevância da obra do autor português, onde Luís de Camões guia o leitor ao longo da sua obra de forma muito interessante. A banda desenhada subdivide-se em 7 capítulos : a introdução, a Inês de Castro, o o Velho do Restelo, o Gigante Adamastor, a Ilha dos Amores, o Epílogo e o posfácio com a biografia de Fido Nesti. Trata-se de um livro dinâmico e interessante, que permite que os leitores ganhem o gosto pela obra do autor português, incentivando a uma posterior leitura da epopeia na sua totalidade. Recomendo!
Estou a preparar-me para cumprir um desafio que planeei no início do ano. Estabeleci como objectivo ler os Lusíadas de Camões em 2020. Antes de começar, ando a preparar-me para o sofrimento que tenho pela frente (ah ah, estou a brincar, mas ouvi falar que o poema nacional dos portugueses é… Como se diz… Uma grande seca…?) Ainda por cima, existem montes de obstáculos: a ortografia desconhecida, a língua poética, e a falta de conhecimento das personagens. Este livro é um dos métodos de preparação. Trata-se de uma banda desenhada baseada nas palavras do poeta. Não se conta a narrativa inteira, só 4 cenas: a história de Inês de Castro, o episódio do Velho do Restelo, a lenda do gigante Adamastor e a chegada na ilha dos amores. Para o meu propósito, dá algum jeito, mas é muito limitado: quem (tirando eu) precisa de 40 páginas de versos originais, sem alterações nem piadas. Ou conta a historia inteira ou vai para o outro extremo e faça uma BD humorística Ah, e porque é que Vasco da Gama parece o Capitão Haddock? Hein?
Com uma adaptação mais curta e simples, Fido Nesti conseguiu usar de maneira inteligente seu talento para ilustrações. O fato de o livro ser uma história em quadrinhos, sem dúvida, faz com que o interesse do leitor seja desperto. A quebra da quarta parede é, com toda certeza, a parte magnética da obra. Luiz Vaz de Camões, o autor de Os Lusíadas conta a própria história e posteriormente, narra quatro outras: a de Inês de Castro, a de Vasco da Gama, a do Gigante Adamastor e a da Ilha dos Amores, finalizando com um epílogo. Devo dizer, entretanto, que, apesar de ter entendido a parte geral das histórias, a confusão foi inevitável. Sem os desenhos, nada teria sido compreendido. Entendo, é claro, como o português clássico da obra com caráter poético foi mantido, mas como uma adaptação que, por meu entendimento, é voltada para um público mais jovem, não pode se tornar mais simples, é algo que me deixa, no mínimo, perplexa. Imagino como deve ter sido difícil adaptar as quase setecentas páginas para quarenta e quatro, mas como, ainda sim, é possível sentir um leve tédio? Honestamente, as únicas partes realmente boas são aquelas em que Camões conversa diretamente com o leitor, com uma linguagem levemente mais simples. Sinceramente, não é um livro que leria de novo, mas foi interessante para conhecer de maneira superficial a tão famosa história dos Lusíadas, e só recomendaria a alguém com esse mesmo propósito, para que um calhamaço de folhas não tenha que ser lida sem total interesse.