No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios. Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança. Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor. Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?
Acabei de ler o livro da Carla pelas 4h da madrugada. Demorei mais do que o previsto, mas apenas por factores externos, pois que se me tivessem deixado, tê-lo-ia lido de um fôlego. Fiquei em choque, boquiaberta com a intensidade do livro. Fiquei sem palavras! Se alguma dúvida ainda tivesse sobre os bons escritores e as boas escritas que por cá existem, estas dissiparam-se ao ler este “Alma Rebelde”. Fiquei tão agradavelmente surpreendida que nem sei por onde começar, nem como dizer em poucas palavras o que senti ao lê-lo!
A sinopse deixou-me curiosa: um romance de época/histórico, tanto do meu agrado, um pouco da História deste nosso Portugal… Não descansei enquanto não consegui ter o livro! No entanto tive os meus receios. Um romance histórico pareceu-me um projecto bastante ambicioso para um primeiro livro. Felizmente os meus receios não se confirmaram: era ambicioso sim, mas a Carla deu “conta do recado”, para nosso deleite!
Não sou crítica literária nem tampouco tenho qualquer formação na área da literatura, para além daquela que a leitura me dá, por isso o que aqui digo, vale o que vale apenas do meu ponto de vista enquanto leitora. Adoro romances históricos e este conquanto o considere mais um romance de época que propriamente histórico, prendeu-me desde o início. Embora as referências históricas não sejam muitas, quanto a mim estão na medida certa, a trama em si e para além do romance é o retrato fiel de uma época em que o papel da mulher estava muito abaixo de secundário, em que não lhe era dado sequer o direito de pensar por si própria
A escrita da Carla já me tinha cativado num pequeno conto e confirmou-se o que senti nessa altura. É uma escrita fluida e cativante e que mesmo nas entrelinhas se deixa ler com facilidade e agrado. A escolha de uma linguagem própria da época e a troca de correspondência entre Joana e a prima, que no século XIX era muitas vezes o único escape da mulher só enriqueceram a obra!
As personagens, magistralmente trabalhadas, conseguem ao longo do livro entranhar-se-nos na alma, na pele e mesmo no coração… Fazem-nos sofrer por elas, rir com elas, esperar com elas, enfim… entranham-se! Joana, preparada desde sempre para um papel de mulher e esposa obediente e em que a sua vontade não tem qualquer peso ou valor e apesar de por vezes me ter irritado com os seus receios e a sua tendência para sofrer por antecipação, com os seus avanços e recuos na sua relação com Santiago, agradou-me muito. Santiago é o tipo de homem com que qualquer mulher da época só nos seus devaneios românticos, podia sonhar ter. Ainda hoje um Santiago daria prazer ter por perto! A mãe de Santiago, D. Ana uma ternura de senhora (talvez por conhecer ela própria as ansiedades de Joana, na primeira pessoa) e o pai, D. Miguel um retrato perfeito da supremacia masculina da época e da nobreza empobrecida, mas rica em altivez. As amas de ambos, cheias de amor e enlevo pelos seus “meninos” encantadoras, embora a determinada altura me tivesse parecido que ficaram um pouco esquecidas… A certa altura tive algum receio que o romance “descambasse” para um excesso de cenas de sexo tão comum nos romances que hoje se escrevem… Mas tal como Sveva Casati Modignanni, quando José Rodrigues dos Santos nas suas “Conversas de escritores” comentou que os livros dela não tinham cenas de sexo, disse com muita simplicidade que não achava necessário, eu acho que da mesma forma a Carla nos leva a elas sem haver necessidade de descrições exaustivas, sem cair em vulgaridades! O fim só poderia ter sido aquele, ainda que a Carla com mestria nos tivesse, perto do fim enredado de tal forma, que quase imaginámos outro desfecho.
Adorei! Os meus sinceros parabéns Carla. E fico já à espera de um novo livro…
O meu plano inicial, ao ultrapassar o meio do livro, era atribuir-lhe um quatro e meio. Ainda assim, quatro. Estava muito concentrada nas interjeições, e embirro com elas porque dão um tom afectado ao discurso, uma espécie de suspiro muito português. As interjeições (tantos, oh e ah! e pontos de exclamação) mantiveram-me longe da literatura portuguesa, mas sobretudo a má qualidade dos enredos e a pobreza de escrita foram os culpados por esse afastamento.
Agora, após perseguir ferozmente este livro durante a tarde de hoje, em que saiu para a luz do mercado, agora... que acabei de o ler, convido todos nós, portugueses e portuguesas amantes de um bom romance histórico, de um um bom nível de português - acessível e bem alinhavado - a embrenharem-se neste livro, que é quase uma viagem contínua.
Li-o de enfiada, como se comprova com facilidade. Fala sobre uma rapariga, Joana, cujo pai é rico e despoleta, assim, as ambições de um nobre na miséria, D. Miguel. Este D. Miguel arranja um casamento entre Joana e o seu filho, Santiago, para que com o dote possa reaver um pouco da sua glória passada.
O que dizer destas personagens? Gosto mais do Santiago que da Joana, é verdade. Mas parece-me que ela foi escrita para se entranhar, e ele para nos apaixonar-mos à primeira vista. Contudo, no enredo, é o oposto que sucede entre os dois. Ela estranha-o e ele fica vidrado nela.
Não é o enredo em si que me faz valorizar a história - achei a Joana um pouco queixosa para uma pessoa que tinha a melhor amiga numa situação muito pior - mas sim a humanidade que encontrei nas personagens e, sobretudo, o talento evidente da escritora, que soube valer-se de conta e medida para se manter num terreno seguro. Não dramatizou excessivamente, não caiu em clichés, surpreendeu-me até várias vezes, e agradavelmente, o que raramente acontece quando leio, posto que já li tanta coisa.
O Santiago é cativante, qualquer mulher o quereria para si. A D. Ana é enternecedora e o D. Miguel é daquelas pessoas frustrantes com quem temos perfeita consciência de que nunca conseguiremos lidar. Considerei todo o desenrolar de acontecimentos bastante pertinente e, apesar de algumas falhas de comunicação entre as personagens principais, a autora teve suficiente mestria para nos fazer compreender, com clareza, o porquê de se compreenderem as asserções de modo oposto. O romance prometia sensualidade e gabo também a elegância, a classe, com que conseguiu envolver-nos nessa sugestão sem cair nas vulgaridades que tenho lido em muitos livros ultimamente. Já me tinha esquecido que, tal como no E Tudo o Vento Levou, meia palavra arrepia muito mais do que uma frase completa à letra.
Curiosamente, a Joana é a personagem de quem gostei menos. Achei que a Rosália (a ama dela), a dado momento, perdeu-se no enredo, mas adorei a construção geral. Dei por mim a sorrir em diversas partes, dos atrevimentos do Santiago e das explosões da Brites e da doçura da D. Ana. Os desvios de língua da Joana também deram pano para mangas, porque incitaram o Santiago a revelar-se mais.
Em termos históricos acho que vieram na medida certa. Dei por mim extasiada ante a menção do meu adorado romance Madame Bovary, do Flaubert, e de outras referências históricas que reconheci de imediato porque sou amante da História. O casamento de D. Pedro com D. Estefânia. A América com presidentes e quase, quase em cima da Guerra de Secessão. A inauguração, em 1856, do primeiro troço de caminhos-de-ferro em Portugal. O Brasil e a promessa de uma vida melhor...
Nas últimas páginas retive o fôlego, a autora virou o enredo de forma tão convincente que vislumbrei um final alternativo para o livro, vestiu-o de nexo e de credibilidade e deixou-me a arfar por ler mais depressa. Em suma, todo o livro foi lido de um só sopro.
Os meus sinceros parabéns àquela que considero, sem dúvida, a melhor autora de romances 'romance' portuguesa. Destronou a rainha da pop destas bandas(ou rainha da asneira e da futilidade), Margarida Rebelo Pinto (atenção que nunca foi rainha alguma para mim). Um adeus também ao Tiago Rebelo, reforme-se porque não atinge (com o seu jornalismo e quês), metade da perícia com as palavras, metade da profundidade e da complexidade humanas que a Carla expôs.
Um triunfo perfeito para um primeiro lançamento. Fico a contar os dias até ao próximo.
Numa escrita fluída, Carla M. Soares, retrata o amor entre dois estranhos, Joana e Santiago, arrastados para um casamento arranjado pelas respectivas famílias. O acordo matrimonial serve na perfeição os interesses de ambas as famílias, que pretendem obter dividendos com o enlace dos filhos, pouco se importando com a felicidade do casal. O livro é delicioso, de leitura rápida e bastante envolvente.
Li este livro com um sorriso estampado na cara, porque me fez lembrar nos tantos romances similares que consumi na minha juventude.
Devo confessar que achei um pouco arrastada a viagem de Joana até à casa do noivo num sucedâneo de pensamentos e discursos amargos e frustrados sobre o seu futuro. Uma repetição que se tornou algo enfadonha e onde se adivinha, de certa forma, que o escrutínio erraria em toda a linha e que seria precisamente o inverso.
Em todo o caso, compreendo, em absoluto, a revolta e a triste sina das mulheres que viam as suas vidas decididas pelo progenitor como se de um objecto se tratassem. Ultrajante!
"Nunca pensei invejar a filha da cozinheira, que jamais passeou de charrete, nem aprendeu piano e tem as mãos grossas de trabalhar no campo. Mas a verdade é que desejei poder trocar de lugar com ela e escolher o meu noivo. Ou escolher não ter noivo nenhum. Detesto saber que tudo o que recebi nesta vida, o piano e o inglês e as letras, só servem – meu Deus! - para aumentar o meu valor e conquistar a mais alta posição possível." Pág. 14
O final, ao contrário, acaba por ser tão sintetizado que se perde contornos que poderiam consolidar melhor a evolução da parte mais envolvente e aventureira da trama.
"Descobri, porém, que até as curvas de um caminho previsível podem esconder segredos, e as paisagens desertas encher-se subitamente de vida." Pág. 201
Foi uma leitura de fim de Verão, doce e agradável.
De Carla M. Soares li também o Limões Na Madrugada que considero uma escrita mais amadurecida e mais bem trabalhada.
Impossível resistir ao charme desta sinopse... Escrito sem pretensiosismos e com suspiros...Tentação! Proposta indecente:viajar sem ter que fazer malas! Com poesia e amor! Uma mulher,mãe e filha sabe sempre do que fala! Leitura para repetir... Século XIX.Lisboa.Mulher. Quem resiste a prooessas de amor,respeito e igualdade! Confiar? Perigo e prazer! Resigno-me! 5 estrelas!
Confesso que tinha muitas expectativas quando comecei a ler o livro. Carla M. Soares é a autora de um dos melhores livros que li na minha vida. Assim, no início estava mesmo muito empolgada, e confesso que a história me prendeu imenso. Em breve conto fazer um post mais detalhado no FLAMES :)
Alma Rebelde é a obra de estreia de Carla M. Soares no mundo literário português. O romance começa de forma muito simples, um pouco lenta até, mas rapidamente e de forma subtil, a escrita da autora prende o leitor e quando damos conta já consumimos boa parte da história.
Joana é uma rapariga como tantas outras, prometida em casamento a um dos d'Oriaga em jeito de negócio. Os d'Oriaga estão na penúria e o dote de Joana é a garantia de que estes voltam a obter o estatuto de riqueza que sempre tiveram no meio. A nossa protagonista, apesar de conformada, depressa entra numa espiral depressiva. Não quer sequer saber a aparência do noivo antes de o conhecer pessoalmente, mentalizando-se apenas que foi criada para ser subserviente e submissa, preparando na sua mente os piores cenários possíveis.
Santiago, herdeiro dos d'Oriaga, é amigo próximo do rei e é tudo menos aquilo que podiam esperar dele. Não liga a regras de etiqueta, é completamente informal com as pessoas que lhe são próximas e é um homem cheio de vida e aventureiro. Mal o pai lhe comunica que terá que se casar com Joana com o propósito de obterem parte da sua fortuna de volta, Santiago revolta-se e pensa seriamente em fugir, não aceitando que a sua vida seja penhorada por culpa do insucesso dos negócios do pai.
Ambos não sabiam o que lhes esperava... Bastou cruzarem-se para terem a certeza que as coisas nunca irião ser como ambos tinham imaginado. Santiago fica desde logo completamente deslumbrado com a beleza de Joana e com o fogo que o seu olhar esconde. Joana fica incrédula com a forma informal como Santiago a trata e com as prematuras promessas de que haverá sempre sinceridade entre eles e não será apenas um casamento de conveniência como tantos outros. Conseguirão os dois a felicidade que tanto desejam, mas em que nenhum deles acredita de forma verdadeira? Sem dúvida que a parte em que ambos se começam a descobrir um ao outro é das melhores. O jogo em que ambos parecem alinhar depressa os surpreende e leva-os por caminhos perigosos e incontornáveis.
A escrita de Carla M. Soares é leve e fluída. A obra está bastante bem organizada e com personagens muito engraçadas como é o caso de Ester, amiga de Joana com quem troca correspondência, e de Santiago. Penso que o aspecto menos positivo desta obra é a intensidade depressiva em que Joana cai tão facilmente. Por vezes ela torna-se tão negativa e pessimista que parece que quase transmite esse sofrimento atroz ao leitor. No entanto, está sem dúvida uma obra engraçada e penso que é uma boa estreia da autora na nossa literatura. Gostei.
Este género literário é um dos que mais aprecio ler e foi com grande emoção que o terminei de ler, é decididamente um livro que gostava de reler mais tarde, por ser tão fascinante e completamente envolvente.
Gostei imenso da forma de escrever da Carla, é simples, fluente, cativante e muito muito envolvente. Sim, os primeiros capítulos podem ser um pouco menos sedutores, às vezes parece um monólogo, tem pouca acção, poucos diálogos, centra-se muito na transmissão dos medos de Joana, nas suas dúvidas, nos seus dilemas interiores, no entanto, a partir do momento que entra o encantador Santiago, tudo muda, muito em parte por ele se verificar uma personagem totalmente diferente do esperado, é um jovem “muito à frente” para o seu tempo, rebelde, idealista, frontal e muito afectuoso, revelando-se também muito sedutor. Apesar de inicialmente ser obrigados a casar e nenhum concordar com essa opção, acabam por se conquistar mutuamente e é esse processo de conquista que nos acaba também por nos conquistar.
Gostei do sistema das cartas e até do diário de Joana mas confesso que preferia que alguns dos momentos chave nos fossem transmitidos mais directamente e não narrados posteriormente como aconteceu, tipo o fogo foi posto e nós leitores só temos direito ao rescaldo, não o podemos ver a devorar o ambiente.
Sou adepta de finais elaborados, onde podemos vislumbrar o futuro das personagens e como os seus sonhos foram alcançados. Bom, neste livro o final é muito breve (em relação às personagens principais), não nos deixa no meio suposições e indecisões mas também não nos relata por aí além o futuro…
Esta é uma das poucas obras de autores portugueses que li. De facto, passaram-me ao lado grandes livros! “Mea culpa”
Confesso que fiquei muito curioso com o que a obra me parecia proporcionar, e não me senti defraudado.
A obra acompanha a vida de Joana, uma jovem que a troco de conveniências comerciais e de posição social se vê confrontada com um casamento arranjado. Sentindo-se reclusa de um estatuto de mulher que lhe é imposto mas não o aceita como seu, vê no casamento mais uma provação, ou … talvez não?
Começamos a deambular por seus receios que uma e outra vez frisam o seu descontentamento. Depois a história flui e tornam-se viciantes os avanços e recuos da sua opinião pelo seu futuro marido.
A escrita é cuidada e cativante, achei interessante a forma e importância dada às cartas que acompanham a história.
A Portuguese “historical” (not as deep as Gregory or Seton, but definitely more careful research) romance, which would easily embarrass other writers such as Johann Lindsey among others. The four stars represent a rating for such novel. The best part was clearly the writing, which is beautiful and the characters. The story is highly predictable, even though it did not affect my reading, but it was not enough to give it a 5star. This book is the proof that we did not need international writers overpopulating in our shelves! I would certainly read more books like these in Portuguese, if possible!
Um livro simpático e agradável de se ler. Confesso que achei as 1ªs paginas um pouco extensas demais em relação à viagem da personagem principal e gostei principalmente das ultimas 100 paginas, que essas sim, até podiam ter sido um pouco mais desenvolvidas que eu as leria com prazer. Gostei do final e fico sem duvida à espero do próximo livro deste escritora portuguesa que agora desponta no panorama nacional.
Primeiro livro que li desta escritora e, posso dizer, que me surpreendeu muito pela positiva! Um livro que prende desde as primeiras páginas com uma personagem feminina forte, com uma personalidade que facilmente qualquer leitora se identifica! Uma personagem, com os seus medos, mas com uma mente forte! Recomendo esta leitura e irei querer ler mais desta escritora!
Estamos em Lisboa do século XIX, onde casamentos arranjados é algo bastante costumeiro. Joana, uma jovem que pertence à burguesia, acaba por ver a sua vida a ser negociada como se não fosse mais que uma mercadoria. O seu destino será casar com um tal nobre, que vem de boas famílias, lá para o Norte do país. Joana apenas sabe que se chama Santiago e que terá que percorrer uma grande distância para que possa chegar até às propriedades da família D'Oriaga. Joana teme o seu futuro, pois os relatos das suas amigas mais chegadas sobre o casamento e sobre os respectivos maridos não são muito promissores. Embora lhe custe manter o seu espírito rebelde escondido, terá que ser uma jovem obediente e tornar-se o mais invisível possível. Talvez assim o seu futuro marido não a importune muito com a sua presença. Mal chega a Pêro da Moça, é com espanto que Joana se apercebe que Santiago é tudo aquilo que não esperava de seu noivo. Não só Santiago é um homem muito bonito, como tem uma energia intensa e uma personalidade irresistível. Talvez este casamento não seja um suplício tão grande, pois Joana dá por si a derreter-se com os encantos do seu noivo. Ela bem tenta resistir, mas Santiago é persistente...
Carla Soares estreia-se no mercado literário português com Alma Rebelde, um relato do século XIX sob a perspectiva de uma jovem algo vulnerável e de um homem com uma visão perspicaz para o futuro. Ambos são fortes e visionários à sua maneira e nenhum deles queria um casamento forçado, até que descobrem que aquilo que foi arranjado e negociado, acaba por desabrochar e se transformar numa bela história de amor.
Não sabia muito bem o que esperar deste livro, embora soubesse que se encaixava dentro dos meus gostos literários, sendo um romance de época/histórico. E de facto, não podia negar a crescente curiosidade que me assaltava de dia para dia. Da escrita da autora, Carla, ainda só conhecia as palavras do seu blogue monster blues e portanto acabei por criar algumas expectativas, porque gosto realmente do que ela escreve no seu espaço pessoal.
As primeiras páginas da leitura foram aquilo que chamo o período de adaptação de um novo autor. Cada vez que leio experimento um novo autor, sinto-me sempre como se tivesse a mergulhar em águas desconhecidas e por isso, devo avançar com coragem mas com níveis iguais de precaução. Mas passado esse período, das duas uma: Ou o livro me conquista, ou não. E Carla Soares, acabou por mostrar e demonstrar de facto, que a sua escrita é envolvente e que a pouco e pouco conquista o leitor que se atreve a mergulhar nesta história.
Carla, como já dei a entender, tem uma escrita bastante envolvente, recheada de detalhes descritivos que até dão uma beleza poética à narrativa e o facto de não existirem capítulos numerados, neste caso, é favorável ao discurso, que ganha pontos por ser contínuo. Como temos um narrador omnisciente, o leitor acaba por ser presenteado com as diferentes sensações e pensamentos dos protagonistas. Mais ainda por este discurso ser pontilhado com correspondência entre os vários personagens que fazem parte do enredo, o que por si, também permite que o leitor conheça mais sobre os pensamentos e sentimentos de cada personagem.
Mas sem dúvida que o foco está em Joana e Santiago. Todo o livro é uma grande aventura. Primeiro a viagem da Joana, de encontro ao seu destino. Depois, o amor que Joana e Santiago encontram aos poucos. E por fim, a viagem da vida matrimonial. Gostei bastante dos dois personagens, embora ache que a Joana tinha alguns acessos de inconstância. Ou seja, tanto era forte como rapidamente, assustadoramente vulnerável e até frágil. Embora compreenda o tipo de mulher e de educação que estamos a falar, achei que esta poderia ter sido uma personagem mais... cativante. Contudo, creio que isto é uma questão pessoal, porque Joana é é a personagem adequada, até perfeita para o tipo de história e de época que estamos a falar. Está dentro do contexto e os seus assomos de rebeldia trazem um folgo de vida ao enredo e à história de amor.
É um retrato ternurento, apaixonante e intenso do Portugal de há 155 anos atrás.
(PODE CONTER SPOILERS) Adorei este livro! Estava já á algum tempo curiosa para lê-lo e nesta semana decidi pegar nele, e que ótima escolha eu fiz!!! Este livro conta-nos a história de Joana, uma burguesa do século XIX, que se vê noiva de um desconhecido, por parte de um acordo do pai com um nobre,contra a sua vontade. Com uma educação exemplar e ensinada a ser obediente e nunca discutir decisões tomadas por si, Joana por detrás de uma aceitação calma e obediente de tudo, esconde a natureza da sua alma, uma alma rebelde.
Neste livro temos uma história narrada na 3ª pessoa,onde temos uma variante das narrações, ou seja, temos a narração da história, temos pensamentos íntimos de Joana,as suas entradas no seu diário, cartas escritas por parte das personagens para outras personagens, o que dá ao livro uma dinâmica fantástica. Com todos estes pormenores,vamos, ao longo do livro, conhecendo Joana muito melhor, sabendo o que realmente pensa, os seus receios, as suas vontades, o que pensa realmente ao que acontece ao seu redor, mas principalmente os seus sentimentos. As cartas também nos dão uma visão do que acontece ao "redor" das personagens e da história em si.
Adorei quase todas as personagens, tirando D.Miguel, pai de Santiago, e D.Armando, mais conhecido como o Velho (quem leu sabe), marido da prima de Joana, que foras as duas das personagens mais desprezíveis que já encontrei num livro. Joana e Santiago foram sem dúvida as minha favoritas, não só por serem as personagens principais, mas também pelas suas personalidades e peculiaridades, os seus defeitos. Um ponto a apontar é que a relação foi um tanto quanto precipitada por parte de Santiago, que nunca tendo acreditado no amor, sendo um tanto libertino e livre, quase que instantaneamente cai perdido de amores por Joana no momento em que a vê, apenas porque ela era mais bonita do que ele estava á espera. Mas tenho que dizer isto, odeie a forma como ele tratava a rapariga , por Joaninha porque, 1º parecia que estava a falar para uma criança e 2º porque ao chamar-lhe assim parecia que estava a falar com uma irmã ou uma amiga, e não com a futura esposa. Mas tirando isso acabei por adorar a forma como o romance dos dois evoluiu, e como a história acabou por se desenrolar. No final, gostava apenas que a autora tivesse explorado um pouco mais a chegada dos personagens ao Brasil, e a forma como se adaptaram nos primeiros dias. Adorei a escrita da autora. é uma escrita leve e que recomendo imenso. Estou bastante curiosa para ler o Cavalheiro Inglês e mais algumas obras que a autora publique.
Há livros que não se conseguem ler à pressa, não por serem enfadonhos mas por serem tão bons que precisam ser saboreados, foi assim com o livro da Carla M Soares. Alma Rebelde é simplesmente delicioso. Um romance de época que retrata um Portugal do sec. XIX com todas as suas qualidades e defeitos.
O caminho tortuoso que a coitada da Joana faz desde Roussada até Pêro da Moça consome-a, não pelos dias demasiado longos ou pelas estradas percorridas em pleno verão mas por se ver arrastada para um casamento que mais não é que um jogo de interesses do seu pai e do seu futuro sogro. Imagina-se a braços com um matrimónio terrível onde almeja apenas que o seu noivo a ignore. Contudo nada prepara a nossa protagonista para o que vai encontrar. D. Ana, sua sogra acaba por se mostrar bastante diferente do que poderia esperar uma senhora amável, que se torna rapidamente sua amiga. E Santiago, bem Joana nunca em toda a sua vida, e principalmente nunca depois de ter conhecido D. Miguel, imaginou que o seu noivo pudesse alguma vez despertar outros sentimentos que não de indiferença ou mesmo de repulsa.
Deparamo-nos ao longo de toda a história com factos que sabemos serem verdadeiros num Portugal antigo como a liberdade das mulheres, principalmente as de famílias abastadas, ser restrita, devendo obediência primeiro ao pai e posteriormente ao marido que este lhe escolhesse. Um país onde os títulos nobiliárquicos queriam andar de braço dado com as grandes fortunas nem que para isso se tenha que vender os filhos, como é o caso de D. Gusmão pai de Joana e D. Miguel pai de Santiago. Vemos relatados factos da nossa história de uma maneira tão exímia que nos deleitamos com os mais pequenos pormenores que são retratados, a maior alusão é ao crescimento dos investimentos no Brasil em fazendas de café e minas de ouro mas temos também várias referências ao rei D. Pedro V, como o seu casamento com D. Estefânia. Outra referência histórica é a construção do caminho de ferro. E assim vemos excelentemente enquadrado o romance de Joana e Santiago.
Embora por várias vezes possamos adivinhar alguns acontecimentos nem isso tira beleza à história ou riqueza à escrita de Carla que nos embala em palavras delicadas e doces, cheias de um requinte maravilhoso. O final surpreendente faz-nos querer mais 2 ou 3 páginas só para sabermos mais um pouco da fantástica aventuras deste casal tão apaixonante. Volto a referir que a escrita da autora é simples mas rica e definitamente bastante envolvente.
O Alma Rebelde estava na minha estante há alguns meses. Aparecia sempre algum livro mais importante - por qualquer circunstância, enredo ou autor - e colocava o livro da Carla Soares de parte. Lembro-me exactamente quando o comprei e do tempo que permaneceu na estante - chegou a ser lido em primeiro por uma grande amiga minha - a fazer companhia a todos os livros que ainda estão na minha lista de espera. Ao conclui-lo não poderia estar mais arrependido pelo tempo em que ficou guardado.
Tal como a escritora publicou no Goodreads, Alma Rebelde "é uma viagem" ou "várias" de Joana. Viagens "para dentro de si própria à procura de conciliação", de "liberdade" e a "do amor". Não podia estar resumido da melhor forma. Que sorriso me foi colocando ao longo da leitura. Joana é uma mulher forte, com uma coragem extrema em pleno século XIX, em que todas as mulheres eram educadas para obedecer. Eram educadas para ser donas de casa, boas esposas, sem nunca dar a sua opinião em qualquer assunto. O Homem dominava numa Lisboa repleta de febres, arrasadora e responsável pela morte de milhares de portugueses na capital. Nada a fazia prever o que a esperava na futura casa, no Norte de Portugal, com o seu futuro marido Santiago. Colocada ao lado de um homem liberal, o medo de se expressar ganha força por ser apanhada completamente desprevenida. A personalidade de Joana, misturada com o medo de si própria e desconfiança, é de uma riqueza extrema e aconselhável a todas as mulheres do séc. XIX.
Estou plenamente surpreendido com o tipo de escrita da Carla M. Soares. É simples, rica e capaz de prender o leitor até ao fim. Prendeu-me plenamente. Actualmente, depois de um dia de trabalho, é complicado pegar num livro. Mas este Alma Rebelde fez-me companhia em muitas noites e, por este pormenor, não foi complicado sentir que tinha uma obra excelente nas minhas mãos. Em breve comprarei o mais recente, editado pela Marcador.
Ficaria bem mais descansado se todos os escritores portugueses contemporâneos tivessem o talento da Carla. Resta-me agradecer por esta leitura fantástica. Só não dei as cinco estrelas por querer saber um pouco mais do que se passou com a Joana no final do livro - pormenor que não vou revelar. Façam o favor de ler!
Não há muito tempo, quando a mão do homem geria todas as leis e a morte toldava a mente dos mais sãos, a palavra amor era proibida, era apenas uma dádiva para ser sonhada e, unicamente, assim era pelas mais tolas resistentes. Era um tempo de lágrimas, era um tempo de confissões e segredos onde o medo se fazia senhor da razão.
Alma Rebelde caracteriza-se por ser um fidedigno romance tradicional de época que facilmente nos transporta para um Portugal convencional. As suas personagens, fiéis temporalmente, têm a capacidade de transmitir emoções puras enquanto lentamente se afundam em presságios e proibições que nos fazem ansiar por um verdadeiro amor.
Carla M. Soares estreia-se e dignifica-se através de uma escrita magistral que me cativou logo na primeira página introdutória. Narrando em jeito de prosa, a autora aprimora-se exclamações e cuida com desvelo cada momento da acção que nos embala, cadenciadamente, para um final extremamente emotivo.
Fui seduzida pela capa, mas, também fui influenciada por algumas críticas que resumia esta obra como uma surpresa muito bem escrita. E realmente foi uma surpresa muito agradável. Realmente a escrita por vezes tem momentos quase poéticos. É um romance, passado no séc. XIX, em Portugal. Que retrata a burguesia e a nobreza em tempos in de peste. Um narrador é omipresente e oferece-nos perspectivas das diferentes personagens e dos seus pensamentos, não se limitanto à personagem principal. É uma escrita diferente da que estou habituada independentemente da linguagem da época. Como o livro que li antes era feminista, não me consegui abstrair dessa vertente patente no discurso da personagem principal. Para mim, este livro ficava nas estantes entre Jane Austen e Julia Quinn. Não é smut. O facto de ter levado algum tempo a ler foi devido hà falta de tempo e não devido ao entusiamo que esta leitura me deu, porque na realidade deu-me bastante prazer. Houve alguns momentos de angústia e algumas borboletas entas no estômago . Não é um livro que nos deixa indiferente.
Há tanto tempo que já não lia em português *hides in shame*, e ainda por cima algo de um autor, neste caso, autora portuguesa, e woohoo! que bem que correu. É mesmo caso para inserir ali um woohoo, já que os preços dos livros na língua de Camões estão pela hora da morte e é tal e qual como levar um estalo na cara quando se investe num, ele nos desilude, e depois ainda temos de o ler com muito ódio, rancor, e o desejo de querer o dinheiro de volta. Contudo esse não foi de todo o caso com o Alma Rebelde, fiquei muito feliz por me ter apropriado de uma cópia quando fui à Feira do Livro há umas semanas atrás e ainda bem que não o deixei muito tempo na estante à espera.
A história passa-se em meados do século dezanove e gira à volta de uma jovem mulher, Joana, que é obrigada a casar-se com um moço de boas famílias e que ela não conhece de lado algum ou viu antes na vida, por isso ela imagina que lhe vai sair na rifa um marido velho, mau, que a há-de maltratar e fazer-lhe a vida num inferno, ainda por cima foi exactamente isso que aconteceu à prima Ester com quem ela se corresponde regularmente e que a põe a par de todos os horrores dos casamentos por conveniência.
Isto não vai soar muito bem mas gostei imenso de acompanhar todo o terror psicológico pelo qual a Joaninha passa ao longo do livro, deve ser desesperante não ter opções na vida e aqueles primeiros capítulos deixaram-me de coração apertadinho; mais para adiante quando ela finalmente põe os olhos no jeitoso e divertido do noivo, Santiago, e até passa uns dias com ele, é que comecei a querer abaná-la a ver se lhe sacudia as dúvidas infundadas, Pára com isso, saiu-te a lotaria dos noivos! Ele é bom, em todos os sentidos, e devias estar toda feliz e contente! *abana-abana-abana* Mas pronto, por mais charmoso que o Santiago fosse eu tentava analisar a situação do ponto de vista dela e percebia que provavelmente reagiria da mesma maneira.
Gostei bastante da escrita, e francamente isso surpreendeu-me, não me leve a mal autora, mas por vezes esqueço-me que é totalmente diferente ler um livro que foi escrito em português, em relação a um que foi traduzido — estes últimos por vezes têm ali uns momentos em que o texto parece que não faz muito sentido porque a tradução não é das melhores, e é triste mas estranhei a ausência de estranheza. A parte histórica também é bem interessante e assustadora, Lisboa está afogada na Febre Amarela e dava-me a miúfa pensar que de repente um dos protagonistas podia apanhá-la. D: !!
Coisas que me chatearam: que vários momentos importantes sejam omitidos e narrados por alguém depois de terem acontecido — porque eu queria “assisti-los em directo”, que momentos? Por exemplo, o confronto com a b*tch (!), o casamento (please…), e a noite de núpcias (porque esta dirty mind precisa de ser alimentada com frequência, or it gets cranky); e depois o mistério que se proloooonga na parte final — oh meu Deus, alguém me diga o que é que aconteceu à Joana e ao Santiago, JÁ! Quando pensava que era desta, era desta que ia saber, BAM, mais uma carta da Ester, Argh, não quero saber da tua vida mulher! O que tem alguma graça porque no início estava super preocupada com esta personagem e até queria saber o que é que o futuro lhe reservava, mas depois no fim já não queria, porque ao lado do mistério “O que é que aconteceu à Joana e ao Santiago??” não era importante.
E pronto, acho que é tudo, parabéns à Carla pelo excelente debut, e claro que recomendo. :D
Carla M. Soares é leitora, blogger, professora e, antes de tudo isso, estão todas as actividades inerentes à condição de mulher. Tem uma licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas e mestrado em Estudos Americanos, Literatura Gótica e Film Studies. Como se não bastasse tudo isso, é também escritora. Alma Rebelde é o seu primeiro livro a ser publicado e tem arrebatado os leitores portugueses com uma história de amor em terras lusas recheada de expressões e sentimentos inerentes a alma portuguesa. Uma das apostas nacionais deste ano, promete agarrar os seus leitores e fazê-los regressar a casa. Se há coisa que eu gosto é de romances históricos que têm realmente história e, o que eu gosto mais ainda, é quando eles se passam em Portugal e em português. Infelizmente não me tenho sentido atraída para os autores nacionais deste género e, cada vez mais, me tenho sentido insatisfeita com o que tem sido feito por cá neste ramo. Os autores da moda enervam-me, as histórias não têm nem pés nem cabeça e nos últimos anos, apenas Equador me conseguiu arrebatar. Triste mas real e, apenas por uma questão de sorte ou de trocas é que Alma Rebelde me veio parar cá a casa. Sendo a expectativa quase nenhuma e com tanto desgosto que tenho tido eis que me deparo com uma leitura arrebatadora, doce e rebelde que me fez ler as páginas deste livro de uma virada só, sem olhar para o relógio ou o que quer que fosse. A sua escrita, tão aconchegante a alma portuguesa, apaixona e encanta enquanto assistimos ao desenrolar cadenciado da acção. A fluidez e simplicidade das palavras e dos actos conquistam qualquer um que necessite de um romance enternecedor, onde dos costumes e regras pode brotar um amor capaz de mover marés. A primeira coisa com que nos deparámos ao ler este livro é a atenção e o cuidado aos pormenores históricos, mesmo tendo sido escolhido um reinado não tão sonante da História de Portugal, a autora consegue transmitir-nos ideais, costumes e problemáticas do reinado de D. Pedro V sem entrar em grandes descrições e cenas demasiado pormenorizadas. A informação é dada de forma a ficar retida pelo leitor e a que encaixe com a história dos protagonistas, sem alongar demais o assunto. Este livro acaba por não ser só uma história de amor ou só uma lição de história, ambas se encaixam de forma a que nenhuma se sobrepunha a outra, estando o romance de Santiago e Joana dependente não só das regras do amor como também das regras da sociedade. Assim, esta leitura não se torna “mais do mesmo” mas algo novo e inesperado de que os leitores não vão estar a espera depois de ler a sinopse do livro. Em vez de um romance tórrido apenas histórico pela época em que se passa, Alma Rebelde é na sua essência um romance histórico merecedor desse nome. Numa narrativa onde cada momento é importante e se torna essencial a história, só tenho pena que o livro não fosse um bocadinho maior pois mais pormenor e desenvolvimento teriam feito a história crescer muito mais e tenho a sensação que isto teria dado “pano para mangas”. Contudo, é uma narrativa bem construída com uma linha de pensamento acertado e que fica a ganhar pelas correspondências trocadas ao longo da trama. Foi um pormenor engraçado que deu ao livro um outro impacto e que puxa ainda mais o leitor a sua leitura, tem como senão o se querer mais ainda a partir dessas cartas. Para uma história bem construída temos personagens encantadoras, onde cada uma representou o seu papel na perfeição e cada uma era essencial a história. Mesmo assim, tem-se de enaltecer o casal protagonista. Joana pode reunir todos os contrassensos mas, para mim, foi uma personagem bem pensada que se torna diferente de todas as outras. Está dentro do espírito das jovens da época e transporta-nos para os verdadeiros temores femininos da altura. Santiago, por outro lado, é o perfeito, o maravilhoso, a personagem sem a qual este livro não seria ao mesmo. No momento em que ele entra na acção, todo o nosso pensamento passa por ele e é impossível não nos apaixonarmos. O grande defeito deste livro será, talvez, o final. Rápido, agridoce, gostava que aquela última parte tivesse sido mais pormenorizada, mais explicativa mas, sinceramente, tem uma aura de mistério, de imaginação que pode levar o leitor muito mais longe e, por isso, se calhar daqui uns dias, vou gostar mais dele. Aqueles que gostam de ler em português por portugueses, façam-me o favor de ir a livraria e, em vez de comprarem o autor do costume, comprem este, ficarão muito melhor servidos. Eu fiquei mais crente na literatura em Portugal.
Carla M. Soares formou-se em Línguas e Literaturas Modernas, possui um mestrado em Estudos Americanos, Literatura Gótica e Film Studies, sendo também doutoranda no Instituto de História da Arte. Leitora, professora e escritora, Carla vê a sua obra de estreia, “Alma Rebelde”, ser publicada pela Porto Editora em 2012.
A história inicia-se em Portugal no século XIX, quando é acordado o casamento de interesse entre Joana e Santiago d’Oriaga. Joana imagina que será certamente infeliz neste casamento arranjado, que lhe será atribuído um marido velho, que a tratará mal, tal como sucedeu à sua prima Ester, com quem mantém contacto regularmente. Contudo, acaba por conhecer um pretendente muito diferente daquilo que idealizava, em todos os aspectos.
As opiniões que acompanhei sobre esta obra eram bastante positivas, o que me levou a elegê-la como oferta, quando a Wook me ofereceu 15 euros para investir num ebook. Também afectou a minha decisão, o facto de ter decidido ler mais obras de Romance Histórico e obras de autores nacionais, porque era um dos géneros que pior conhecia e como admiti em opiniões anteriores, costumo ler muito mais obras estrangeiras do que nacionais, algo que sinto que tem de ser contornado.
Esta obra foi uma surpresa muito agradável, sendo que um dos pontos que me agradou foi o facto de a autora nos transmitir os ideais que vigoravam na altura descrita no livro, sem se tornar enfadonho, conseguindo contextualizar a história na nossa História. Foco este ponto, pois alguns Romances de Época, que já tive o prazer de ler, pecavam, no meu ponto de vista, por não nos transmitirem informações sobre o tempo em que se inserem. Na altura em que se passa esta narrativa, D. João V era rei e temos a possibilidade de conhecer um pouco sobre o que sucedeu no seu reinado, os problemas e os costumes que vigoravam na altura, o que foi bastante interessante e enriquecedor.
Quanto à história entre Joana e Santiago achei-a uma ternura e bastante real. Quando Joana está prestes a ir ter com o seu noivo, foi interessante constatar o seu debate interno, os seus receios e até sonhos. Transmitiu-nos muito bem a impotência de se ver obrigada a um casamento de conveniência e os receios de ser infeliz e maltratada, o que nos leva a sentirmo-nos ligados a ela e nos leva a torcer para que tudo lhe corra de feição. Ao ser confrontada com um noivo muito diferente daquilo que idealizara, conseguimos também perceber que não sabe bem como reagir para com ele, se deverá ser sincera, ou seja, ser ela mesma, ou se deverá ser o que a mãe sempre lhe incutiu. Os momentos vividos por este casal foram em certos momentos divertidos, tocantes, mas sempre enternecedores. A partir do momento em que conhecemos Santiago é impossível não torcer para que fiquem juntos e que a vida não lhes coloque qualquer entrave.
As personagens encontram-se muito bem desenvolvidas, de modo que nenhuma me deixou indiferente. Joana era uma rapariga inteligente, forte, com ideais desenvolvidos para a época em que se encontrava inserida, que sonhava com um casamento que não fosse contratual e que acaba por conhecer alguém que lhe provoca algum receio, mas ao mesmo tempo um enorme fascínio. Santiago é uma pessoa muito interessante, diferente dos homens da altura, algo impulsivo, mas tremendamente apaixonado. Alguns anos mais velho que Joana e também mais vivido, acaba por se apaixonar por ela e a sentir uma enorme ternura por esta jovem mulher, aspecto que é transparecido para nós leitores. Das personagens secundárias, poderia destacar Ester, a prima de Joana, que simboliza os casamentos infelizes que nesta altura sucediam e a busca pela felicidade e o pai de Santiago, que era bastante frio para com a família, muito ambicioso, mas sem qualquer olho para o negócio, que nos transmite alguma tristeza e irritação.
Numa linguagem muito cativante e enternecedora, Carla M. Soares presenteia-nos com uma história de amor possível, que temos a possibilidade de ver florescer e amadurecer; apresentando-nos também a luta por um sonho, pela felicidade que todos merecemos e que nunca devemos deixar de procurar. Sem dúvida, que foi uma obra que me deu um prazer enorme de ler e que espero poder voltar a ler algo desta promissora escritora.
Este livro, como tantos outros, tem partes boas e partes más. Vamos às más primeiro porque são em menor quantidade e ficamos já despachados. Nas páginas 239 e 242 (estou a citar de memória, não tenho o livro à mão para confirmar isto), entenda-se em duas das últimas cartas escritas por Ester a Joana, há uma gralha: a data no cabeçalho em vez de estar 1857 está 1957. Desconheço se o meu exemplar é o único com esta característica. Caso seja, aviso já que só o vendo por quantias exorbitantes que me permitam comprar uma ilha.
Quanto à parte boa que é como quem diz, o resto do livro, devo dizer, antes de mais, que não sou um romântico. Ou melhor, não sou uma pessoa que aprecie ler romances. Atenta a isto, a autora até me preveniu, julgando que a minha inclinação para histórias de terror e de mistério poderia influenciar - viciar é uma palavra mais adequada - a minha opinião. Pois bem, não digo que as minhas preferências literárias não tenham exercido influência na minha leitura de “Alma Rebelde”, porém, uma vez que o meu leque de leitura não se esgota nas minhas preferências – essas são uma simples parte daquilo que leio –, essa influência foi benigna.
Há géneros que não são a nossa praia, géneros que, por mais que nos digam que vale a pena serem visitados, nós hesitamos sempre. Não quer isto dizer que não apreciemos ir lá se o que nos oferecerem for bom. É como ir a um bar que serve uns petiscos bem deliciosos, mas onde a malta fuma e o ruído daquilo a que chamam música é insuportável. Vamos lá de vez em quando por causa dos petiscos, embora o resto seja dispensável.
Completando a analogia, “Alma Rebelde” não é um desses bares. Não oferece petiscos, nem tem pessoas a fumar, nem música insuportável. É uma história bem escrita, muito bem escrita, com palavras e frases que encaixam na perfeição umas nas outras. É uma história calma de acontecimentos exteriores, mas tumultuosa quanto às emoções que guiam os personagens. Também merece destaque todo o trabalho de pesquisa que esteve na base de toda a contextualização histórica, espacial e social.
Sobre o par principal, Joana e Santiago, o que mais apreciei no seu desenvolvimento foi o não exagero. Um par meloso ou trágico ou melancólico não me teria suscitado tanto interesse como este em que as fachadas exibem apenas parcelas das suas personalidades. Não são tipos, nem tão pouco arquétipos, embora, exteriormente, cada um imagine o outro assim. Pelo menos enquanto não se conhecem. Ela imagina-o presunçoso e arrogante, ele imagina-a ingénua e tonta. No fundo, fazem juízos de valor, o que é algo que não se deve fazer. Principalmente em relação a este livro.
Notas finais: continuo a não ser um apreciador de romances de amor, mas sou e serei sempre um apreciador de boas histórias, sejam elas comédias, policiais, eróticas, mistérios, conquanto que tenham bons personagens e estejam bem escritas (entenda-se que “prendam” o leitor. Depois do romantismo histórico de “Alma Rebelde”, a autora Carla M. Soares decidiu experimentar o mundo da fantasia com “A Grande Mão”. Já está na minha estante (virtual) e será uma das próximas leituras.
Um romance histórico por uma autora que não conhecia e de que passei a gostar.
O fio condutor da historia é, tal como o titulo indica, a alma rebelde de Joana, menina bem criada e bem educada do sec. XIX, que é mandada "para trás do sol posto" para a casa do seu futuro noivo. Como se sabe, nessa altura as mulheres não decidiam nada concernente ás suas vidas: do jugo do pai passavam direto para o jugo do marido, sem terem nada de seu. Apenas as viúvas eram donas de si, e mesmo assim só se permanecessem viúvas. Joana vai contrariada intimamente, mas como boa menina vai se comportar e trazer orgulho a seus pais, não fazendo desfeitas em casa do seu noivo. Ela tem todas as esperanças de um casamento normal para a época, em que futuros consortes não se conhecem, porque os casamentos eram negociados entre os pais e espera ser indiferente ao seu marido tal como ele certamente será para ela. Mas Santiago é uma agradável surpresa, por todos e mais alguns motivos. É rebelde como ela, só que ele pode expressar a sua rebelião. E vai ser a aventura das vidas deles.
Confesso que as primeiras paginas enquanto Joana não chega á casa de Santiago são um bocadito fastidiosas, mas não o suficiente para desencorajar. Tem uma narrativa fluida, bonita e que dá vontade de nos perdermos nas paisagens e descrições, mas sem ser exaustivo ou maçador.
Este foi o primeiro livro português que li em bastante tempo. Acho que até na escrita, o que "vem de fora" é geralmente melhor, mas este livro foi a excepção. Um romance histórico espontâneo, divertido e, à falta de melhor palavra, 'adorável'. Rapidamente criei empatia com Joana, a personagem principal, e dei por mim a comentar e a rir-me das suas ideias.
Gostei também das cartas ao longo da narrativa, que oferecem assim um registo impessoal e directo dos envolvidos.
Na minha opinião, a principal critica negativa vai para a diferença no ritmo da história: se o inicio se torna um pouco monótono, com a descrição da viagem de Joana até Pero de Moça, já as últimas 100 páginas passam a correr, e ficamos a desejar que houvesse mais.
'Alma Rebelde' é assim uma leitura mais que agradável, pouco complexa, mas que nos deixa com um sorriso no rosto :) Uma excelente estreia para Carla M. Soares! *thumbs up!*
Muito obrigada à Mafi, do clube BlogRing, pelo empréstimo!
Uma escrita acessível, com boa utilização de vocabulário, fluída e agradável à leitura. Excluindo a utilização excessiva da interjeição "oh", nada tem que se lhe aponte, tanto quando utilizado a terceira pessoa, como quando a primeira - a narração altera-se entre ambas. O enredo é bastante simples, tanto o principal quanto os secundários, mas não por isso menos prazeiroso. Achei engraçado que acabasse por associar o título mais à personagem masculina do que à feminina, como esperava. Em Joana nota-se que tem a faísca, mas quem deixa o fogo arder é definitivamente Santiago.
Achei um romance bonito, estava sempre ansiosa por poder pegar nele outravez. É um história simples, muito bonita e escrito de uma forma muito acessível. Por vezes não damos valor aos autores portugueses, mas eis aqui mais uma prova que temos bons escritores em Portugal. Não fica nada atrás de livros escritos por autores estrangeiros. Espero em breve poder ler mais algum livro da Carla!
«Alma Rebelde», de Carla M. Soares, é o primeiro livro publicado da autora, editado pela Porto Editora, e foi para mim uma estreia que eu apreciei. A história é cativante e a escrita é bonita e fluída, embora, confesso, aquele amor não me tenha arrebatado e daí as minhas quatro estrelas. Joana é uma rapariga rebelde para a sua época, resignada à vida que tem, sem quaisquer sonhos ou esperanças de um futuro melhor, quando, num acordo de negócios, o seu pai decide que ela deve casar com D. Santiago, filho de uma família que perdeu todas as posses devido à arrogância e aos maus investimentos do seu pai, mas uma família de bom nome, que o pai de Joana considera ideal unir à sua. Joana é, portanto, exteriormente, recatada e obediente, mas por dentro, grita por liberdade e é quando vai para casa do noivo que descobre o oposto daquilo que imaginava. Santiago não é como o seu pai, nem sequer como o seu sogro, é antes um jovem com ideias modernas para a sua época e insiste em cortejar Joana para lá do estritamente necessário, oferecendo-lhe a liberdade e as escolhas que ela tanto ambicionara ao longo da vida e, mais tarde, amor. Gostei da Joana logo desde o início, daquela força interior que ela demonstra e da sua vontade de mudar o mundo, mas penso que se queixou demasiado nas primeiras páginas e só quando ela se muda para a casa dos sogros é que a concha se abre. Ela começa a mostrar realmente aquilo que é, dizendo, por vezes, coisas que não devia, fruto daquela alma rebelde que lhe preenche o corpo e a alma. Acho que ela e o Santiago têm tudo a ver um com o outro, nos mesmos ideais e nas mesmas aspirações ao amor. Porém, achei uma relação um tanto precipitada, da parte do Santiago, tendo em conta que era um jovem libertino, sem intenções de casar. Penso que ele se rendeu demasiado rápido aos encantos de Joana, só porque era mais bonita do que ele pensara à partida. Gostava de o ter visto mais retraído logo de início, porque ele não queria o casamento e não devia querê-lo, na minha opinião, só pela beleza de Joana, porque o amor é mais do que isso. Confesso que me irritou um pouco a forma como ele a tratava, por Joaninha, com um carinho logo desde o início um tanto desproporcionado a meu ver, e tal como um irmão e não um homem apaixonado trataria uma mulher. No entanto, gostei do Santiago e de tudo aquilo que o destacava dos restantes homens da época, em aspecto físico e ideais. Desejei, contudo, que tivesse enfrentado mais o pai, ao invés de "fugir" de certa forma, ainda que D. Miguel fosse uma pessoa difícil e ainda que Santiago já tivesse tentado dissuadi-lo. Em termos de romance, apesar de tudo aquilo que já disse, gostei do evoluir daquela relação e acreditei naquele amor. As inseguranças de Joana e as constantes palavras de Santiago para a fazer acreditar espicaçaram o romance, que nunca parecia calmo e sereno e a autora teve o dom de me prender ao livro até o terminar, com constantes reviravoltas e problemas que colocou na história. Gostei das cartas que eram enviadas e que davam a entender os pensamentos, as angústias e as alegrias de muitos dos personagens e confesso que sustive a respiração e tive de resistir à tentação de não folhear as páginas seguintes, principalmente no final do livro, para saber o que ia acontecer e se podia dormir descansada. (Ok, não resisti :)) Espero que a autora volte a esta história. Porque não? Gostava de saber mais sobre o Santiago e a Joana. Como disse anteriormente, a escrita da autora é bonita e gostaria de destacar uma frase linda que me ficou na memória. "A vida é um longo Inverno, para quem não conhece o amor". Parabéns, Carla, e que publiques rapidamente o segundo. Sei que a autora está a tentar publicar e desejo-lhe a maior sorte do mundo, porque o talento deve ser reconhecido e para isso, é preciso dar a conhecer. Obrigada por esta história, que me fez acreditar que o amor existe, mesmo num mundo sem amor.
Foi uma leitura interessante e que me deixou sempre contrariada quando tinha que pousar o livro para fazer qualquer outra coisa.
Joana é uma personagem com a qual consegui identificar-me logo nas primeiras páginas, pois que mulher dos dias de hoje consegue entender e aceitar o destino que lhe cabia? Felizmente os tempos mudaram e hoje escolhemos o nosso caminho, mas a realidade de Joana é a verdadeira realidade daquela época, por isso entendo bem a sua angústia. Contudo, não raras vezes, irritou-me um pouco a forma como já dava o seu destino como atroz e terrível, sem nem conhecer o seu noivo. Todos ao seu redor teciam elogios a Santiago, contudo, Joana não se preocupava sequer em aceita-los, quanto mais em acreditar neles. Acho que os seus pensamentos tão negativos poderiam ter lugar se ela conhecesse Santiago e ele fosse igual a D. Miguel, mas nunca sem antes o conhecer sequer, e quando todas as pessoas lhe diziam que ele não tinha nada que ver com o seu pai.
Quanto a Santiago, foi uma personagem que me encantou sem reserva alguma. Não sei se naquele tempo já teríamos homens assim, mas gosto de acreditar que sim, porque afinal, em algum momento, e em alguma cabeça teve que começar a mudança, e porque não em Santiago? Por isso sim, foi uma personagem bem construída, sem incongruências, respeitador e divertido, alguém que facilmente fez Joana render-se e ver o mundo com outros olhos.
Não considero isto um romance histórico, porque os dados históricos são escassos e pouco relevantes para o enredo, mas um romance de época sim, e aí, muito bem situado.
Gostei especialmente que Carla M. Soares não se esquecesse de dar um final feliz a Ester, que me entristeceu ao longo do livro e me revoltou, e me fez ficar encantada no seu final. Realmente a viuvez era a libertação naquela época!
Contudo, e embora tenha gostado da história e tenha sido uma leitura que me manteve interessada e curiosa, acho que o fim foi rápido demais. Se no início a autora se perdeu em descrições que por vezes achei desnecessárias, no fim tudo foi rápido demais! Com mais umas páginas podíamos ter percebido muito melhor como ficaram Joana e Santiago, e eu tenho sérios problemas em compreender esta pressa que parece existir ultimamente em terminar os livros.
Os autores enchem páginas e páginas com coisas que por vezes não interessam, mas vamos lendo, queremos saber mais, e depois dão-nos um final corrido, um salto no tempo, um "e viveram felizes para sempre", mas sem especificar como. Deixar que seja o leitor a pensar em como ficaram os personagens é bom, mas nem sempre, e não desta forma.
Só o final fez reduzir a cotação de 4 estrelas que merecia para as 3 estrelas. Senti que, depois de toda aquela angustia nas cartas de Ester, depois de por momentos recear que Joana não sobrevivesse à viagem na carruagem, aquelas duas páginas finais foram pouco, muito pouco, para o que desejaria saber deles, de como se instalaram, como encontraram a quinta, como foi o parto de Clarinha, etc. Muitas perguntas sem resposta, e eu queria as respostas!
Mas é um livro que recomendo sem reserva, porque considero uma leitura agradável e interessante e porque sei que ler sobre Santiago vale a pena :p
Alma Rebelde é a obra de estreia de Carla M Soares em todos os sentidos: é simultaneamente a primeira obra publicada e primeiro livro do género por ela escrito. Só tinha ouvido críticas maravilhosas sobre o livro, nenhum É mais ou menos, nem tão pouco um Não gostei!. Conseguem entender o porquê de me sentir irresistivelmente atraída por ele? É que é extremamente raro as pessoas serem tão unânimes relativamente a um livro...
Quando o encontrei a circular no Clube Blog Ring nem hesitei em me inscrever. De momento estão dois exemplares a circular devido ao número elevado de inscritos e, se não me engano, calhou-me o exemplar cedido pela Mafi- obrigada querida!
Bastou um mísero capítulo para ficar completamente rendida à história! Como podem constatar pela sinopse, esta é a história de Joana, uma burguesa do século XIX que se vê noiva de um completo desconhecido, contra a sua vontade. Apesar de ter sido educada desde nova a ouvir e consentir com o que lhe era pedido- independentemente de lhe agradar ou não- e ser isso mesmo que Joana faz, por detrás da calma aceitação esconde-se uma alma...rebelde.
À primeira vista, até pode parecer um livro como tantos outros, mas sabem como é: às vezes as aparências iludem! Ok, nalguns aspectos a história é previsível, mas contém o cunho pessoal de Carla M Soares e é isso que a torna diferente.
Alternando com a narração da história propriamente dita, temos os pensamentos íntimos e entradas no diário de Joana e cartas escritas não só por Joana, como por outras personagens secundárias. Estes foram aspectos que me agradaram muitíssimo. Com as entradas e pensamentos de Joana, conhecêmo-la mais profundamente: os seus medos, os seus desejos, a maneira como encara determinado assunto e os seus sentimentos. E com as cartas, sabemos mais do que o que se passa no núcleo central da acção, tornando a história mais dinâmica.
Mais: Carla M Soares sabe como nos fazer sofrer com a antecipação e expectativa! Senti isso com maior intensidade com a personagem Santiago, que demorou um pouco a entrar na trama. Esse é, a meu ver, outro aspecto bastante positivo, porque é algo que nos motiva a devorar o livro, página após página, até o finalmente conhecermos... e nessa altura já estamos de tal forma embrenhados que é difícil abrandar o ritmo!
A nível de variedade de personagens, não temos muita, mas as que temos estão bem retratadas e provocam no leitor um leque de variados sentimentos. Por exemplo, gostei imenso da Dona Ana e de Brites, mas desprezei violentamente D. Miguel – mas isso é porque o homem é mesmo revoltante!
Como já devem ter percebido, também eu adorei o livro! Houve apenas um pequeno aspecto que me desagradou: não gostei que Santiago se referisse a Joana como Joaninha. Picuices, eu sei... mas há nomes “carinhosos” que não me caem bem, e o uso de diminutivos inclui-se na categoria. Fora isso,o livros é simplesmente excepcional!!