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  <name><![CDATA[Denis Victorazo]]></name>
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  	<![CDATA[new comment from Denis]]>
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  <link>http://www.goodreads.com/topic/show/241640-miranda-july-no-uol</link>
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  	<![CDATA[
  	<a href="http://www.goodreads.com/user/show/2167192-denis-victorazo">Denis</a> made a comment in the <a href="http://www.goodreads.com/group/show/20435.Contos" class="groupTitle">Contos</a> group:</span>

  	<br/><br/>				
  	A graça de vidas sem graça no livro &quot;É Claro que Você Sabe do que Estou Falando&quot;, de Miranda July<br/><br/>MARTA BARBOSA<br/>Colaboração para o UOL<br/><br/>Livro reúne 16 contos publicados originalmente em revistas literárias como &quot;The Paris Review, Harper's&quot; e &quot;The New Yorker&quot;<br/>LEIA UM CONTO DE &quot;É CLARO QUE VOCÊ SABE DO QUE ESTOU FALANDO&quot; Temas cotidianos, personagens comuns e cenários banais que, pelas mãos da americana Miranda July, ganham dimensão humana e beiram os limites do real. &quot;É Claro que Você Sabe do que Estou Falando&quot; (tradução de Celina Portocarrero, lançamento da editora Agir) reúne 16 contos publicados originalmente em revistas literárias - &quot;The Paris Review, Harper's&quot; e &quot;The New Yorker&quot;, por exemplo. O ponto comum entre as narrativas é a maneira como foram ambientadas: em lugares tão tranqüilos que chegam a ser entediantes. Os personagens de July parecem se dar conta do aprisionamento que esses ambientes pacatos causam em suas vidas e tentam empreender uma fuga, ainda que numa esfera apenas emocional.<br/><br/>Um dos textos mais originais, &quot;A Equipe de Natação&quot; relata o trabalho de uma jovem, ex-nadadora da equipe de ensino médio, que resolve ensinar um grupo de idosos a nadar. O toque de esquisitice é que a turma mora numa cidade distante do mar, e que nem piscina tem. As aulas acontecem no pequeno apartamento da professora e quatro tigelas de água morna e salgada colocadas no chão preenchem as condições nem tão ideais assim para a prática de respiração submersa. <br/><br/>Ninguém reclama, nem questiona o bizarro que é estar deitado no chão da cozinha, batendo pernas e braços, enquanto mergulha a cabeça na pequena tigela. E aí está o charme da escrita de Miranda July. O estranho e o banal surgem como opção primeira, talvez única, de encontro dos personagens com as pequenas alegrias da vida, as únicas capazes de salvá-los da loucura de uma rotina sem graça.<br/><br/>Em outro texto curioso, &quot;Era Romance&quot;, 40 mulheres se submetem a uma espécie de terapia em grupo cujo objetivo é fazê-las desenvolver uma aptidão para o romantismo. Aprendem, entre outras coisas, que no espaço a frente de seus rostos (e do autocontrole desse espaço) está a chave para conquistar um grande amor. Entre dinâmicas que as expõem ao ridículo e convites a questionamentos individuais, o lugar transborda desgraça compartilhada.<br/><br/><br/>Miranda July também atua como artista performática e cineasta<br/>LEIA UM CONTO DE &quot;É CLARO QUE VOCÊ SABE DO QUE ESTOU FALANDO&quot; Tem ainda o conto da mulher que nutre uma paixão platônica por William, filho do príncipe Charles e Lady Di. Pelo seu tom irônico, sem desprezar o foco no sujeito, &quot;Majestade&quot; é o mais comentado dos textos de July. A obsessão começa com um sonho erótico com o jovem Will. A partir dele, a personagem decide que pode, sim, transportar o devaneio para a vida real e traça planos de encontrá-lo. Deliciosamente bem-humorado, é também denso, num equilíbrio de palavras que, sem dúvida, marca a escrita da autora.<br/><br/>Nas telas<br/>Miranda July (nos documentos, Miranda Jennifer Grossinger) é uma artista inquieta e a prova está na sua diversificada produção. &quot;É Claro que Você Sabe do que Estou Falando&quot; marca sua estréia na literatura, mas seu nome já esteve mais de uma vez nos cadernos de cultura do mundo, seja por seu trabalho como artista performática, seja por sua atuação como cineasta. No mundo das artes plásticas, tem incursões em duas bienais Whitney, além de trabalhos expostos no Guggenheim.<br/><br/>No cinema, teve ainda mais notoriedade com o filme &quot;Eu, Você e Todos Nós&quot; (de 2005, já em DVD), do qual assina roteiro, direção e ainda é a atriz protagonista. Tantas tarefas não a impediram de fazer um filme elogiadíssimo, com enorme carga autobiográfica e muito equilíbrio entre a tristeza e o humor dos personagens. Miranda colecionou premiações com o longa, como a Caméra d'Or no Festival de Cannes - concedido ao melhor filme de diretor estreante; escolha do júri em Sundance e outras menções em Los Angeles, San Francisco, Newport e Filadélfia.<br/><br/>Livro e filme, aliás, são complementares. Os dois foram escritos ao mesmo tempo, assim que a ambientação e a dimensão humana em histórias aparentemente banais se repetem. Não é difícil imaginar os personagens de &quot;É Claro que Você Sabe do que Estou Falando&quot; vivendo na mesma cidade em que Richard (John Hawkes, em grande atuação) e Christine (a própria July) se vêem estranhamente atraídos um pelo outro. Oportunidade e tanto para a legião de fãs de &quot;Eu, Você e Todos Nós&quot; relembrar o encanto da telona, agora nas páginas do livro.<br/><br/><br/><br/><br/>&quot;É Claro que Você Sabe do que Estou Falando&quot;<br/>Autora: Miranda July<br/>
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  	<![CDATA[new comment from Denis]]>
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  <link>http://www.goodreads.com/topic/show/241638-miranda-july-na-folha</link>
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  	<![CDATA[
  	<a href="http://www.goodreads.com/user/show/2167192-denis-victorazo">Denis</a> made a comment in the <a href="http://www.goodreads.com/group/show/20435.Contos" class="groupTitle">Contos</a> group:</span>

  	<br/><br/>				
  	Contos expõem solidão do &quot;homem sem pé nem cabeça&quot;<br/><br/>JOCA REINERS TERRON<br/>ESPECIAL PARA A FOLHA <br/><br/>Os contos de Miranda July são tragédias que matam de rir e também comédias que levam às lágrimas. &quot;É Claro que Você Sabe do que Estou Falando&quot; é o título do livro. É claro que sabemos: nada do que é humano nos é alheio. O assunto desse estranho e lírico volume de estréia da cineasta norte-americana trata exatamente disso. E que bicho sem pé nem cabeça é o ser humano.<br/>Existe certa tradição do conto cujas bases não se firmam sobre noções comuns ao gênero, como a trama enérgica e pontual feito bomba-relógio em que tudo se arma rumo ao desfecho surpreendente. Refiro-me ao relato que se aproxima do solilóquio e no qual a voz interna do narrador tece considerações e desconsiderações, culminando na forma singular de ver o mundo. Esse jeito único de ver (quase sempre débil) é a &quot;raison d'être&quot; do conto.<br/>Na literatura norte-americana, July parece ter caído desse galho genealógico no qual se encontram William Saroyan (1908-1981) -que confiou na chance de um estilo sincero no caso de o escritor &quot;escrever como se acreditasse que, cedo ou tarde, você e tudo o que está vivo morrerão um dia&quot;- e Richard Brautigan (1935-1984), ironista crédulo de tudo e de todos que desacreditou de si. O armênio Saroyan falou dos imigrantes do século 20; Brautigan, dos sonhos hippies pulverizados na sombra do cano duplo apontado para si mesmo.<br/>E do que trata Miranda July, diretora de &quot;Eu, Você e Todos Nós&quot; (2005), que é um título de filme, mas também poderia ser uma resposta?<br/>Seus contos falam da solidão de maneira ao mesmo tempo sombria e cômica. Em &quot;O Quintal Compartilhado&quot;, a narradora é apaixonada pelo vizinho epilético. Ela aproveita quando a esposa está no trabalho para se aproximar. O homem tem uma crise, e ela, em vez de socorrê-lo, adormece ao lado e tem sonhos eróticos. Há uma graça inexplicável nisso.<br/>Em outro conto, um viúvo promete apresentar sua irmã ao colega solteirão. Ele arma situações para que os dois se encontrem e até o apresenta aos pais, mas a irmã nunca aparece.<br/>Aos poucos, depois de muita idealização, o amigo percebe que a tal irmã não existe. Afinal, os dois homens abandonam esse complexo jogo de sedução e se apaixonam. Há tristeza nisso, porém a graça persiste. Saroyan afirmou que os leitores não esperam a comédia de alguém que sente as coisas tragicamente. Pode ser. Miranda July parece nos dizer algo parecido, algo que sabemos, mas fazemos questão de esquecer.<br/>JOCA REINERS TERRON é escritor, autor de &quot;Sonho Interrompido por Guilhotina&quot; (Casa da Palavra) <br/><br/>É CLARO QUE VOCÊ SABE DO QUE ESTOU FALANDO <br/>Autor: Miranda July <br/>Tradução: Celina Portocarrero <br/>Editora: Ediouro <br/>Quanto: R$ 34, em média <br/>Avaliação: ótimo <br/><br/>
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    			<span class="by">by</span>
    			<a href="http://www.goodreads.com/author/show/101454.Milton_Hatoum" class="authorName">Milton Hatoum</a>
    			<br/>
    			



          
    			  
    			
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    			<span class="by">by</span>
    			<a href="http://www.goodreads.com/author/show/3354.Haruki_Murakami" class="authorName">Haruki Murakami</a>
    			<br/>
    			



          
    			  
    			
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  	<![CDATA[new comment from Denis]]>
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  <link>http://www.goodreads.com/topic/show/236434-o-melhor-conto-j-escrito</link>
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  	<![CDATA[
  	<a href="http://www.goodreads.com/user/show/2167192-denis-victorazo">Denis</a> made a comment in the <a href="http://www.goodreads.com/group/show/20435.Contos" class="groupTitle">Contos</a> group:</span>

  	<br/><br/>				
  	O MELHOR CONTO JÁ ESCRITO?<br/><br/>(Abaixo transcrevi o Espanhol Enrique Vila-Matas contando de uma aula que deu sobre o conto Gato Na Chuva, de Hemingway. Em seguida podemos ler o próprio conto.)<br/><br/><br/>- Parece que vai chover – disse aquele dia ao entrar na aula.<br/>Era um meio-dia cinzento de primavera, mas não havia ameaça alguma de chuva. Se disse aquilo foi só para que os estudantes começassem a entrar na matéria, na matéria do conto que pensava em ler para eles.<br/>Pouco depois lhes dizia:<br/>- Apesar do que anunciaram ontem os professores deste centro, não vou me limitar a falar do relato breve em geral. Penso aproveitar que os tenho aqui para que me ajudem a entender um conto de Hemingway que nunca entendi por inteiro. E mais: vou converter vocês em carne de conto, porque o que acontecer durante a próxima hora nesta aula penso contá-lo em um relato.<br/>Me pareceu que, sabedores de que podiam converter-se em material literário, os estudantes se esqueceram de qualquer tentativa de dormir durante a aula, e alguns até me sustentaram o olhar, desafiantes; outros pareciam se perguntar o que me propunha fazer com eles.<br/>O conto de Hemingway – lhes disse – se intitula “O gato na chuva”. Faz muitos anos, quando li que García Marquez considerava esse conto o melhor que havia lido em toda a sua vida, me precipitei a lê-lo, e não o entendi; tornei a lê-lo de novo e o entendi ainda menos.<br/>Fiz uma pausa, e logo acrescentei:<br/>- O que menos entendo em tudo isso é que seja o melhor conto do mundo.<br/>Como se tratava de um conto muito breve, não tardei quase nada em lê-lo aos estudantes, embora antes os tenha advertido de que, por ser um relato de Hemingway, havia que se ter em mente que o autor foi sempre um mestre na arte da elipse e que conseguia sempre com que o mais importante da história nunca fosse contado. Quer dizer, que a história secreta do conto se construía com o não-dito, com o subentendido e a alusão. Isso explicaria que o relato pudesse parecer trivial (um casal de jovens americanos, viajando pela Itália, estão num quarto de hotel: enquanto ele lê na cama, ela se enternece com um pobre gato que vê debaixo da chuva e diz que gostaria ter um gatinho que deitasse em suas saias e, definitivamente, lhe fizesse companhia), apesar de que na realidade não soubéssemos com certeza se Hemingway teria posto toda sua perícia na narração hermética da história secreta.<br/>Li o conto e logo pedi aos estudantes que, por favor, me ajudassem a encontrar qual podia ser a história secreta que se desprendia daquele relato.<br/>Uma estudante levantou a mão e falou de outro conto parecido de Hemingway em que se falava de elefantes brancos e na realidade a história secreta era a gravidez de uma mulher e seu calado desejo de abortar.<br/>Outra menina nos falou da insatisfação sexual da jovem que queria um gato.<br/>Um estudante acrescentou que talvez a protagonista de “O gato na chuva” tivesse um desejo oculto de maternidade.<br/>Por último, uma garota que parecia estar chorando disse que tudo era muito simples.<br/>- Muito bem – lhe disse – adiante, se é tão simples.<br/>- Ela era Hemingway – disse.<br/><br/>Me dei conta de que, graças aos estudantes, entendia melhor que antes o conto, embora seguisse sem entender por que pudesse ser o melhor conto do mundo. De pronto, me ocorreu pensar que talvez não havia que interpretar nada naquele relato de Hemingway, quem sabe o conto era completamente incompreensível, e aí radicava sua graça. Contei aos estudantes o final do conto que escreveria à tarde: eu voltava para casa e dava voltas a suas interpretações do conto e de pronto descobria que aquele relato era simplesmente incompreensível.<br/>- Quando leio algo que entendo perfeitamente – lhes disse – o abandono, desiludido. Não gosto dos relatos que balançam perigosamente no abismo do óbvio. Porque entender pode ser uma condenação. E não entender, a porta que se abre.<br/>Então, a estudante que parecia estar chorando levantou de novo a mão.<br/>Por um momento pensei que se aquela estudante acabasse chorando, logo a seguir choveria. É que na juventude eu conheci uma moça que sempre que chorava chovia.<br/>A estudante me disse então que lhe parecia muito bem que tivesse encontrado o final do meu conto, mas que me recomendava que, ao escrevê-lo, pensasse nos leitores, ou seja, que pensasse nela.<br/>Creio que a desdenhei. Mas aqui estou agora sem entender nada, nada!, tampouco deste conto.<br/><br/>	por Enrique Vila-Matas<br/><br/>...............................................................................................<br/><br/>	<br/>Gato na Chuva  (Cat in the Rain)<br/><br/>Só havia dois americanos no hotel. Não sabiam nada das pessoas com as quais esbarravam pelas escadas, para lá e para cá, no acesso ao quarto. O quarto ficava no segundo pavimento, de frente para o mar. Ele dava também para o jardim público e o monumento de guerra. Havia grandes palmeiras e bancos verdes no jardim. Na boa estação aparecia sempre um artista com seu cavalete. Os artistas gostavam do porte das palmeiras e das cores brilhantes dos hotéis faceando o jardim e o mar. O monumento de guerra atraía os italianos, que vinham de longe para admirá-lo. Ele era feito de bronze e cintilava na chuva. Estava chovendo e a água escorria das folhas das palmeiras. Formavam-se poças nas trilhas de cascalho. O mar quebrava em linha a escorrer pela praia, para surgir, de novo, num fio sob a chuva. Não havia mais automóveis na praça, nem em frente ao monumento de guerra. Do lado oposto ao monumento, na entrada do café, um garçom observava a praça vazia.  A esposa americana olhava pela janela. Do lado direito e abaixo, estava um gato, agachado sob uma mesa verde. O gato tentava se encolher ao máximo, para que a chuva não o atingisse.  &quot;Vou descer e pegar aquele gatinho&quot;, disse a esposa americana.  &quot;Vou eu&quot;, seu marido ofereceu-se, da cama.  &quot;Não, vou pegá-lo. O pobre gatinho lá fora tenta se manter seco sob a mesa&quot;.  O marido continuou lendo, estendido entre os dois travesseiros, à beira da cama.  &quot;Não vá se molhar&quot;, ele disse.  A esposa desceu ao térreo e o dono do hotel levantou-se, fazendo um aceno para que ela passasse pelo escritório, que ficava no meio do caminho. A escrivaninha encontrava-se ao fundo. Ele era velho e muito alto.  &quot;Il piove&quot;, disse a esposa. Ela simpatizava com o dono do hotel.  &quot;Si, si, Signora, brutto tempo. Tempo horrível&quot;.  Ele estava atrás de sua escrivaninha, no cômodo sombrio. A mulher gostava dele. Admirava o modo extremamente sério com que ele recebia reclamações, o que, para ela, significava uma espécie de dignidade. Chamava-lhe a atenção o modo como ele queria servi-la, como se sentia sendo um dono de hotel. Agradavam-lhe do mesmo jeito sua velha, pesada face e suas mãos largas. Neste estado, abriu a porta e olhou para fora.  Chovia pesadamente. Um homem, numa capa de borracha, atravessava a praça vazia, para o café. O gato queria escapar para a direita. Talvez pudesse alcançá-lo, caminhando sob o beiral do telhado e com isso não se molhar. Quando ainda estava na entrada do hotel, um guarda-chuva se abriu atrás dela. Era a criada que atendia ao seu quarto.  &quot;Você não deve se molhar&quot;, a criada sorriu, falando em italiano. Certamente, o dono do hotel a mandara.  Com a criada protegendo-a com o guarda-chuva, ela caminhou pela trilha de cascalho até debaixo de sua janela. A mesa estava ali, lavada de verde brilhante sob a chuva, mas o gato se fora. Ela ficou subitamente desapontada. A criada olhou para ela.  &quot;Ha perduto qualque cosa, Signora?&quot;  &quot;Havia um gato&quot;, disse a garota americana.  &quot;Um gato?&quot;  &quot;Si, il gatto&quot;.  &quot;Um gato?&quot; a criada sorriu. &quot;Um gato na chuva?&quot;  &quot;Sim&quot;, ela respondeu, &quot;sob a mesa&quot;. Então, &quot;Oh, eu o queria tanto. Eu queria aquele gatinho&quot;.  Quando ela falou em inglês o rosto da criada se contraiu.  &quot;Vamos, Signora&quot;, ela disse. &quot;Nós devemos entrar de novo. A senhora vai se molhar&quot;.  &quot;Acho que sim&quot;, disse a mulher.  Elas retornaram pela trilha de cascalho e atravessaram a porta. A criada, do lado de fora, fechou o guarda-chuva. Quando a americana cruzou pelo escritório, o padrone fez uma mesura, de sua escrivaninha. Algo parecia muito pequeno e apertado, no interior da mulher. O padrone a fez se sentir muito pequena e ao mesmo tempo, realmente admirável. Teve uma sensação momentânea de ser tomada de uma suprema importância. Chegou ao andar de cima. Abriu a porta do quarto. George estava na cama, lendo.  &quot;Pegou o gato?&quot; ele perguntou, largando o livro.  &quot;Ele se foi&quot;.  &quot;Para onde?&quot;, ele perguntou, descansando seus olhos da leitura.  Ela se sentou na cama.  &quot;Eu o queria muito&quot;, ela disse. Não sei porque o quero tanto. Quero aquele pobre gatinho. Não é nada divertido ser um pobre gatinho, lá fora, na chuva&quot;.  George lia de novo.  Ela atravessou o quarto, sentou-se em frente ao espelho da penteadeira, olhando-se também com o espelho de mão. Estudou seu perfil, primeiro um lado, depois o outro. Então, observou a nuca e o pescoço.  &quot;Você não acha uma boa idéia eu deixar meu cabelo crescer?&quot; ela perguntou, olhando-se de novo.  George viu seu pescoço, o cabelo cortado como o de um garoto.  &quot;Gosto dele assim&quot;.  &quot;Já estou farta dele&quot;, ela disse. &quot;Farta de parecer um garoto&quot;.  George se virou na cama. Não tinha tirado os olhos dela desde que começara a falar.  &quot;Você está muito bonita assim&quot;, ele afirmou.  Ela pousou o espelho de mão na penteadeira e foi para a janela, olhando para fora. Escurecia.  &quot;Quero poder pentear meu cabelo para trás, esticado e macio, e fazer um grande coque, de modo que eu possa senti-lo&quot;, ela disse. &quot;Quero um gatinho para sentar no meu colo e ronronar quando eu o acariciar&quot;.  &quot;Sim?&quot; perguntou George, da cama.  &quot;E quero comer à mesa com meus talheres de prata e velas. Quero que seja primavera, escovar meu cabelo em frente ao espelho. Quero um gatinho. Quero roupas novas&quot;.  &quot;Oh, cale-se e pegue algo para ler&quot;, George disse. Voltou à leitura.  Sua esposa olhou pela janela. Estava muito escuro agora, e ainda caía chuva nas palmeiras.  &quot;De qualquer jeito, quero um gato&quot;, ela disse, &quot;Quero um gato. Quero um gato agora. Se não posso ter cabelo comprido e me divertir, quero um gato&quot;.  George não escutava. Lia seu livro. Sua esposa olhava pela janela, no lugar onde as luzes avançavam na praça.  Alguém bateu na porta.  &quot;Avanti&quot;, George disse. Ergueu os olhos do livro.  Na entrada estava a criada. Trazia um grande gato feito de casco de tartaruga apertado contra o peito, suspenso até a cintura.  &quot;Desculpe-me&quot;, ela disse, &quot;o padrone me pediu para entregar isso à Signora&quot;.   <br/>
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  	<![CDATA[new comment from Denis]]>
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  <link>http://www.goodreads.com/topic/show/230751-100-melhores-contos-de-humor-da-literatura-universal</link>
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  	<![CDATA[
  	<a href="http://www.goodreads.com/user/show/2167192-denis-victorazo">Denis</a> made a comment in the <a href="http://www.goodreads.com/group/show/20435.Contos" class="groupTitle">Contos</a> group:</span>

  	<br/><br/>				
  	OI,<br/>Eu não tinha percebido que tinha um link onde dava pra ler os contos!!! Sensacional!<br/>Valeu!<br/>Eu me lembro de já ter lido O Homem Nu do Fernando Sabinho e A Teoria do Medalhão do Machado de Assis. São muito bons.<br/>Obrigado!<br/>Abs<br/>
  	]]>
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  	<![CDATA[new comment from Denis]]>
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  <link>http://www.goodreads.com/topic/show/234889-granta-n-mero-1-em-portugu-s</link>
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  	<![CDATA[
  	<a href="http://www.goodreads.com/user/show/2167192-denis-victorazo">Denis</a> made a comment in the <a href="http://www.goodreads.com/group/show/20435.Contos" class="groupTitle">Contos</a> group:</span>

  	<br/><br/>				
  	Que bom, Pattricia, e tenho certeza que você vai gostar. É uma edição bem caprichada, em formato de livro, atraente e com uma revisão perfeita.<br/>Você está lendo o Budapeste? É delicioso. Pena que o filme é ruim, longo, feio, cansativo...<br/>Você leu o início do conto do Tennesse Williams que eu coloquei postei essa semana?<br/>Convide os seu amigos para participar do nosso grupo de CONTOS.<br/>Abraço.<br/>Denis
  	]]>
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    		<![CDATA[Denis added 'Por Um Novo Machado de Assis']]>
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  	  	<link>http://www.goodreads.com/review/show/76567487</link>
  	
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    		<![CDATA[
    			Denis gave <img alt="5 of 5 stars" class="star" height="15" src="http://www.goodreads.com/images/layout/stars/red_star_5_of_5.gif?1259883815" title="5 of 5 stars" width="75" /> to:	<a href="http://www.goodreads.com/book/show/7093631-por-um-novo-machado-de-assis" class="bookTitle">Por Um Novo Machado de Assis (Paperback)</a>
    			<span class="by">by</span>
    			<a href="http://www.goodreads.com/author/show/47339.John_Gledson" class="authorName">John Gledson</a>
    			<br/>
    			



          
    			  
    			
    		]]>
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