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Topic: Ficou com raiva de Maomé também?
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Quando comecei a ler o livro achei instigante e esperava realmente apreciar o universo charmoso do Oriente Médio. Mas não foi assim. A teia de mentiras, hipocrisia e desamor, aliados ao excesso de trabalho de uns e o ócio de outros, situações completamente sem justificativas, foi me tirando do sério.
E imaginem que quando eu tinha 16 anos li a bigrafia de Maomé (mas de antes de ele se tornar um profeta velho e cheio de esposas) e até o Livro Verde do Aiatolá Kohmeini eu li... risos.
Enfim, não consegui com esta obra uma coisa que considero fundamental para se apreciar de fato um livro: a identificação. Sem empatia como se emocionar?
No entanto, nos tempos em que vivemos, é importantíssimo saber como certos costumes já eram arraigados nos povos do oriente médio antes de serem "o Islã", porque explica para o ocidente como o oriente é outro universo cultural e os motivos que fazem as mulheres de lá aceitarem o que nós chamamos de opressão.
Ai'sha não é uma heroina no sentido que gostamos no século XXI, mas ela é no sentido humano, por ter aprendido lições importantes sendo ainda muito jovem e ter conseguido ser sábia e terna quando foi necessário para seu povo.
O que fiquei impressionada foi com a maturidade da A'isha. Aqui no ocidente as famílias permitem que as crianças usem maquiagem, sapato de salto alto, roupas estilo adulto, porém não se preocupam em desenvolver a maturidade, muito pelo contrário, vemos jovens de 25 anos com maturidade de 10. Lá as crianças não têm infância, principalmente as meninas que são "guardadas" para o casamento. A posição da mulher é somente para servir o homem. O regime matrimonial é um para o homem (poligamia - harém)e outro para a mulher (monogamia)- revoltante. Os homens não dominando seu instinto animal queriam mais e mais mulheres... deprimente.Porém A'isha tinha uma visão holística e política muito bem definida apesar da pouca idade. Um dos momentos que gostei do livro foi quando Maomé foi até sua casa na intenção de que ela negasse ou não seu envolvimento com Safwan e mesmo pressionada por Maomé e por seus pais ela diz que: Se disser “sim” será punida tanto pelos homens (traição) quanto por Alá (por mentir). Se disser “não” ficará sempre a dúvida no coração de Maomé. Então deixou a cargo de Alá.
Nossa! Achei de uma bravura sem igual. Viver sob regime tão duro, ter tão pouca idade e ser tão confiante em si mesma...Adorei!
Agora cá entre nós, estas crises que Maomé tinha e dizia ser quando recebia as orientações de Alá me fez pensar na hipótese de epilepsia. Será que estou viajando?
Cibele, parece que comprovadamente Maomé sofria de epilepsia.Um dos livros que fiquei com vontade de ler depois de ler " Joia de Medina" é o "Maomé", da Karen Armstrong, uma especialista em religiões (já li alguns livros dela e adorei. Por isso aliás gosto tanto de romances históricos: quando bem escritos, têm o dom de aguçar nossa curiosidade e fazer com que nos interessemos pela assunto que ele abrange.
Quanto à A'isha e as mulheres, não sei se era uma questão de maturidade ou simplesmente de aceitar que as coisas seriam assim e pronto. E discordo de você na questão homem-mulher: certamente o homem tinha mais privilégios, mas os homens também tinham obrigações duras - eles tinham um pouco mais de escolha e podiam mandar em mais gente, mas não consigo deixar de ver na sociedade oriental como um todo um traço de violência e opressão vindo de cima: homens mais velhos sobre mais moços, mais moços sobre mulheres, mulheres mais poderosas sobre as menos, e por aí vai. Aliás, isso pra mim ficou claro desde que li "O livreiro de Cabul" onde me chocou muito descobrir que os filhos homens eram massacrados pelas vontades do pai.
Sabe que eu não sei se acho a poligamia tão revoltante assim? Deve ter mulher que acha bom, sabia? Acho que é o nosso modo de ver as coisas...
(vai, eu tinha que provocar um pouco né? :-) mas eu gosto de pensar um pouco nisso)
Olá Flávia,Acho muito legal estes pontos de vistas diante de um mesmo tema. Também adoro um bate-bola de opiniões. :c)
Vou concordar com você sob o aspecto da hierarquia de poder e submissão também para os homens levando em conta a verticalização que vc mencionou. E vou discordar sobre A'isha (se é que ela foi realmente como foi contada). Numa terra onde a traição era e é penalizada com a morte por apedrejamento e ela ser sagaz a ponto de induzir Maomé a ter "suas visões" a seu favor eu achei de uma coragem ímpar.
Agora quanto a poligamia também não sou contra. O que sou contra é num mesmo matrimônio a poligamia ser permitida para o homem e não para a mulher, tendo ela que pagar com a própria vida as suas escapulidas rssssss
Me parece que o homem pode ter muitas mulheres, porém elas têm que ser desimpedidas. No caso, se fosse constatado o adultério da A'isha o Safwan também seria executado. Li esta situação no "O caçador de pipas" no qual no intervalo de uma partida de futebol o casal, cada um ao lado da trave de um gol, foi apedrejado até a morte e depois continuou o segundo tempo do jogo.
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