Julia Boechat Machado's Reviews > 2666

2666 by Roberto Bolaño
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Um oásis de horror em meio a um deserto de tédio – a epígrafe, de Baudelaire.
Bolaño é brilhante quando é apocalíptico.
Todas as partes são brilhantes, a dos Críticos, a de Amalfitano, a de Fate, a dos Crimes e a de Archimboldi.
A dos Críticos é centrada nas discussões e nos relacionamentos de Pelletier, Morini, Espinoza e Liz Norton, em uma jornada até Santa Teresa para encontrar o lendário escritor Benno von Archimboldi (eu sei que Archimboldi tem olhos azuis, eu li todos os livros dele).
As partes de Amalfitano e Fate parecem aproximar o mundo dos Críticos do horror que o leitor sabe que está na próxima parte.
A parte dos crimes é terrível, descrevendo todos os homicídios de mulheres em Santa Teresa, uma representação de Ciudad Juarez. Eu me lembrei de Os Irmãos Karamazov: quem concordaria em ser o arquiteto nessas condições?
É terrível ler essas descrições. Mas, de todas as atrocidades, do feminicídio, o que mais me impressionou foi o suicídio da mulher mexicana. Bolaño não se impressiona de que uma mulher tenha resolvido se matar para não viver em um mundo em que tudo aquilo podia acontecer, que ela se mate pra não ter que ler mais nos jornais sobre as meninas e moças brutalizadas. Ele se impressiona que tenha sido só uma mulher, entre cem milhões de mexicanos. Só uma mulher – entre seis bilhões de pessoas.
A última parte, a de Archimboldi, tem os trechos mais líricos, falando da paixão do menino-alga pelo mar (que ele amava não como a maioria das pessoas, superficialmente, mas profundamente, pelas planícies que não são planícies, vales que não são vales e abismos que não são abismos), sobre a guerra e o manuscrito de Boris Ansky, sobre a tentação de viver como um selvagem e morrer afogado e feliz, sobre a louca Imgemborg, Lotte, Hugo Halder e a baronesa Von Zumpa.
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