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Byzantium by Stephen R. Lawhead
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7655787
's review
Jul 06, 2012

really liked it
Read from June 23 to July 05, 2012

Ainda estou tão espantada e maravilhada que nem sei bem o que irei escrever.
No início, tive receio que o facto de se abordar tantas civilizações me fizesse confundir e perder o sentido da história. Porém, ao longo dos capítulos conhecer novos costumes e a cultura geral do século IX transformou-se numa fonte deliciosamente enriquecedora (nada aborrecida ou confusa)!

Primeiramente, a trama desenrola-se num mosteiro em Cenannus de Ríg, na Irlanda. Depois de vivenciar todo o seu quotidiano - desde a rotina das orações, o ambiente da cantina e até onde dormiam - a partir do capítulo 4 os mistérios surgem…

Através de uma linguagem primorosa e alucinante, deleitei-me nesta jornada épica de caminhos inimagináveis, repleta de aventura, acção e perigos, acompanhada por um personagem igualmente fascinante – e é a partir da sua perspectiva que encetamos nesta odisseia! Aidan mac Cainnech foi um homem que lutou pela sua sobrevivência nos mais extremos lugares do mundo, provando a sua coragem e companheirismo, sacrificando-se ao longo de toda a sua provação. O “Martírio branco” (como primeiramente lhe apelidou) tornou-se gradualmente num martírio de vermelho bem vivo que o modificou para sempre sem estar preparado para o que iria descobrir.

“Havia muitas algas a flutuar à superfície, que tinham sido arrancados do fundo pela tempestade e se agarravam aos remos, dificultando o seu manejo em particular para aqueles cujas mãos não estavam habituadas a pegarem em coisas mais pesadas do que a pena.” P. 88

Nas 5 partes que dividem a história, cenas brutais e de uma violência extrema foram descritas de uma forma bastante realística que me deixaram com os nervos à flor da pele. Esta atmosfera negra e fria deveu-se a conspirações e traições - excelentemente elaboradas - que só a partir de metade do livro ficamos a conhecer e a entender a sua gravidade. Paralelamente, Aidan deixa de ser inocente quando se percebe que se move num ambiente onde nada é o que parece.

“Sentia-me como se estivesse a ser puxado por acontecimentos demasiado complexos para serem compreendidos e demasiado poderosos para que lhes pudesse resistir. Era como uma folha a esvoaçar num vento ciclónico, ou como uma pena lançada para um mar enlouquecido pela tempestade.” P. 252

Interliguei-me com todas as personagens e partilhei com eles momentos ora alegres e de espanto, ora de irritação e tristeza. Gostei de cada um à sua maneira e todos eles me marcaram de alguma forma; especialmente Aidan por tudo aquilo que passou. Mas são as reviravoltas inesperadas um dos pontos fortes que dá um novo folgo à história e que não nos deixa perder a curiosidade no final de cada capítulo!


+ Rigor histórico impecável, com retractos vividos do dia-a-dia em diversas culturas
+ Abordagem religiosa fundamental na história mas sem ser exagerada
+ Atmosfera de suspense e intriga, captando sempre a atenção até ao fim
+ Cada pormenor é relevante e no final não há pontas soltas
+ Apesar dos vários caminhos/civilizações, estes estão sempre interligados com o fio condutor da história, suportando-a e dando-lhe consistência
+ Enredo profundo, capaz de deixar marca no leitor
+ O livro inclui dois mapas (o 1º da Europa e o 2º de Bizâncio no séc. IX)
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- Algumas expressões estrangeiras não têm qualquer indicação do seu significado
- Componente romântica algo forçada, contraditória e previsível
- Repetição excessiva das expressões: todavia/contudo
- Inexistência de uma divisão entre parágrafos onde se dá uma mudança temporal


Tal como a capa do livro representa a riqueza de uma época, pela quantidade de páginas já previa uma enorme viagem (quer a nível “físico” e “psicológico”), mas semelhante a Aidan, não estava preparada para o que viria. As suas memórias verídicas, recriadas pelo escritor, abrem mentalidades e delas surgem novas perspectivas que entre muitas, me ensinou que apesar de algo parecer horrível, pode tornar-se numa óptima e maravilhosa coincidência depois.
De uma forma soberba, Stephen Lawhead faz a História ganhar vida, com personagens marcantes e com uma história intemporal que apela ao conhecimento, à liberdade e à justiça. Vale a pena ler!

(Obrigado à Carla pela oportunidade de participar nesta jornada!)
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Reading Progress

06/27/2012 page 220
25.0% "Pobre Aidan, sempre a sofrer reviravoltas..."
06/27/2012 page 220
25.0% "Pobre Aidan, sempre a sofrer reviravoltas..."
07/01/2012 page 295
34.0% "Uma reunião entre um rei viking e o imperador de Bizâncio. O que resultará daí...?"

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