Filipe Miguel's Reviews > Teia de Cinzas

Teia de Cinzas by Camilla Läckberg
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5855795
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Apr 14, 12

bookshelves: crime, suspense, thriller, romance
Read from March 23 to April 14, 2012 — I own a copy

Regressar a Fjällbacka pela mão de Camilla Läckberg começa a tornar-se um guilty pleasure que aprecio cada vez mais.

Não posso afirmar que os seus livros sejam obras-primas, ainda para mais depois de ter lido o seu primero - A Princesa de Gelo - que tão pouco gostei. Contudo, a mestria com que Camilla abordou o regresso aquela cidade costeira da Suécia em Gritos do Passado, e como conseguiu retornar novamente, transmitiu-me algo que vai bem além do simples policial com um crime para resolver.

Läckberg criou um rol de personagens que foi crescendo à medida que novos livros foram saindo e, com este simples artefacto, conseguiu que o leitor sentisse forçosamente alguma ligação com as gentes de Fjällbacka.

Pensar nos insípidos Patrik e Erica da primeira ida à cidade e compará-los com esta última viagem, é quase como recordar um familiar distante que foi envelhecendo bem à medida que avançava na idade.

O grande trunfo de Camilla é transformar toda e qualquer personagem em verosímil, ao expor os seus pontos de vista, por mais macabros e descabidos que sejam aos olhos de uma mente dita normal. Quando o leitor dá por si, está envolto numa teia de inumeras personagens (por vezes demasiadas, há que admitir), todas a discorrer pensares, ideias, projectos, que atafulham a nossa capacidade de distingui-las, mas ao mesmo tempo dão força e vida a Fjällbacka.

Até certo ponto, quase assistimos a um reality show, a uma espécie de Big Brother à escala da cidade, em que praticamente todas as personagens poderiam ser nossas vizinhas.

É neste instante que o grande tema de qualquer livro de Camilla Läckberg, leia-se crime, se desvanece, quase diluído em doses de realidade.

No fundo, este aspecto é, simultaneamente, o ponto forte e fraco dos seus livros. Se a história por trás do crime, as motivações e formas forem bem construídas, toda a vida quotidiana sabe a bónus (Gritos do Passado e Teias de Cinza). Se, por outro lado, o crime não acompanhar a vida da cidade, todo o livro soa a oco, desprovido de cor e torna-se pastoso (A Princesa de Gelo).

Em Teias de Cinza, tal como no livro anterior, Camilla humaniza as personagens com a chegada de familiares, quer das personagens principais, quer das ditas secundárias, e cruza-as de tal forma, que, página após página, somos brindados com um festim de gerações. É bastante saboroso ver o ponto em que Patrick e Erika se encontram na sua fictícia vida e como esta se encaixa nos incidentes que Läckberg imaginou.

O crime é interessante, doloroso, roça a brutalidade, fruto de ambição desmedida, mas, apesar de tudo, soa a verosímil de tão desesperado.

Mais uma vez valeu a pena pagar o bilhete para Fjällbacka e assim assistir ao ciclo das estações do ano. Ainda para mais, na companhia dos amigos Patrick e Erica...

Para quem gostou dos anteriores, principalmente do Gritos do Passado: segue a mesma linha, e não vai ficar desapontado. Para quem, por outro lado, não gostou de nenhum dos anteriores, ou achou a Princesa do Gelo superior, não esboçará também sorrisos ao ler esta Teia de Cinzas.

Nota: 4.0/5.0
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03/26/2012 page 82
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